segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Compartilhe

Após dois inícios de temporada insustentáveis (1-7 em 2019 e 0-5 em 2020), finalmente o dono do Falcons, Arthur Blank, decide demitir o GM Thomas Dimitroff e o head coach Dan Quinn. Diferente do que aconteceu no Texans, o problema no Falcons não era bem a cultura, nem o fato de que o técnico “perdeu os jogadores”. Simplesmente os resultados não estavam lá e o esporte profissional exige resultados. Uma pena que tenha terminado assim.

O início de um sonho

Dan Quinn foi contratado após boas campanhas da defesa de Seattle

Quinn veio diretamente de Seattle, onde foi o coordenador defensivo responsável pela unidade conhecida como “Legion of Boom”, sendo cotado para ser HC em alguns times diferentes na liga. Foi para o Falcons, onde era esperado que reproduzisse o sucesso defensivo que teve no Seahawks. E apesar de ter tido duas temporadas legais de início, jamais conseguiu colocar em campo uma defesa dominante da forma que era esperado.

Ele chegou contratando um dos melhores nomes do momento para tomar conta do ataque, “a jovem mente ofensiva” Kyle Shanahan. E isso foi uma decisão bem acertada, culminando no desempenho incrível do ataque durante a temporada 2016, ano em que a unidade foi a que mais produziu pontos na NFL.

Leia Mais: Bill Belichick sabe fazer bons Drafts?

Leia Também: 1 mês de temporada, 1 destaque de cada divisão

Em 2015, o time começou 5-0, mas perdeu 5 dos últimos 7 jogos e acabou a temporada 8-8. Tudo bem, era o primeiro ano de Quinn como HC e uma temporada com percalços era 100% perdoável. O problema é que, tirando as temporadas de 2016 e 2017, todas as temporadas tiveram esse tipo de sequência. Era o indicativo de uma tendência ruim para a franquia.

Aí veio o Super Bowl

Com o bom desempenho na temporada 2016, Atlanta chega ao Super Bowl como favorito, tendo o melhor ataque da NFL e o MVP da temporada, o QB Matt Ryan. E por três quartos de jogo, tudo ia muito bem.

Até que a catástrofe os atingiu.

Isso aqui é indesculpável

Não vale a pena aqui ficar relembrando o jogo em si, é uma história que, assim como Quinn, estamos todos carecas de saber. Mas aquele foi um ponto crucial para a caminhada dele como técnico de Atlanta. Depois daquele dia, o Falcons passou a ser sempre “circulado” pela questão de conseguir fechar os jogos. É uma simples verificação: se você não é torcedor da franquia, qual é a primeira coisa que você pensa sobre o time? Assim é com os jogadores, com os técnicos, com o resto da liga. Aquele episódio instalou um problema muito sério na organização.

Um dos responsáveis pela derrota no Super Bowl (mas também um dos responsáveis por fazer o time chegar ali), Kyle Shanahan, foi contratado após a excelente temporada do time para ser o novo head coach em San Francisco. E isso já faz o gancho para o nosso próximo tópico.

A montagem da comissão técnica deveria ter sido melhor

Usaremos a situação de coordenadores ofensivos do time para tentar explicar o problema.

Steve Sarkisian substituiu Shanahan como coordenador

Após a saída de Shanahan, Quinn escolheu Steve Sarkisian, coordenador ofensivo de Alabama, para ser o novo playcaller do time. No primeiro ano, decisões questionáveis e uma clara piora em relação ao ataque de Shanahan, em que o ataque passou a anotar 22.1 pontos por jogo, ao contrário dos 33.8 do coordenador anterior. Em 2018, o ataque melhorou em número de pontos (25.9), mas as decisões questionáveis se acumulavam e Sarkisian foi inevitavelmente demitido ao final da temporada.

Com a saída dele, Quinn contratou um coordenador ofensivo que havia sido dispensado do Falcons quando o HC anterior à Quinn foi demitido: Dirk Koetter. Dando a minha opinião aqui, por mais que Koetter saiba muito sobre ataque, ele claramente é um técnico parado no tempo, tendo tido sua última temporada boa como playcaller em 2013, ano em que o Falcons chegou até a final de conferência. O resultado não poderia ser outro: vemos apenas um ataque que é mais do mesmo de Koetter. Ultrapassado.

Dirk Kotter: um dinossauro no playcall

Em 2019, Quinn tomou a decisão de assumir ele mesmo o cargo de coordenador defensivo, chamando as jogadas defensivas durante o jogo, inclusive. O time começou a temporada 1-7 e só melhorou quando ele “dividiu” as funções de playcall com seus coaches de defesa. O Falcons terminaria a temporada com campanha 7-9.

Uma coisa que é sempre complicada em se tornar HC é montar o grupo certo de apoio para o seu próprio trabalho, que é o que a comissão técnica faz. A impressão que dá é que Quinn não tem uma ideia definida sobre ataque, já que arrumou três coordenadores ofensivos completamente diferentes entre si, e também que ele não foi capaz de encontrar um cara para a defesa que ele mesmo rodou com Pete Carroll em Seattle.

Deu tudo errado (?)

Na verdade, isso é complicado de ser dito. Pessoalmente, não acho que deu tudo errado, mas para a qualidade que tem o time de Atlanta, realmente deveria haver algo muito melhor em termos de resultados. E no fim o que realmente foi um problema para o Falcons foi coaching, apesar de Matt Ryan ter saído em defesa de seu HC após a derrota para o Panthers, dizendo que “ele tem passado a mensagem correta, nós é que não estamos entregando o necessário”.

O QB Matt Ryan reconhece que os jogadores precisam desempenhar melhor

Isso é muito bacana da parte de Ryan, e mostra que Quinn tem o respeito dos líderes do time, algo que é difícil de ser falado sobre outros técnicos que são demitidos no meio da temporada. É importante para os jogadores chamarem a responsabilidade, embora a “culpa” seja sempre do head coach.

E aí, resumindo, para mim o problema é que Quinn não se cercou de gente boa o suficiente nos lugares certos. Ele teve Mike Mularkey na CT, por exemplo, que é um dos melhores técnicos de OL da liga. Mas no Falcons ele era técnico de TE. Fora a situação com os coordenadores ofensivos e a do próprio HC precisando chamar as jogadas de defesa.

Existem vários relatos dos jogadores falando bem dele, como esse de Matt Ryan. E certamente ele parece ser uma excelente pessoa e um bom coach. Mas não bom head coach. Expliquei no texto sobre Matt Patricia que o trabalho de um HC e de um coordenador são separados por quilômetros de complexidade. E Dan Quinn não soube fazer essa chance se transformar em algo frutífero e duradouro para ele e para a cidade de Atlanta.

A parceria entre Quinn e Falcons termina de forma melancólica

Ao Falcons, resta segurar as pontas nessa temporada, enquanto já pensa na próxima. Seria interessante buscar um GM com ideias boas (e novas) e um HC da mesma forma, que seja também capaz de desenvolver uma comissão técnica para o auxiliar por muitos anos.

E para o coach Quinn, desejo o melhor. Que ele possa fazer uma avaliação dos próprios erros e que, pelo menos por enquanto, volte a ser o técnico de defesa competente que sempre foi. Tenho certeza que se a oportunidade de ser HC aparecer de novo, ele fará melhor.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

 

 

 

Compartilhe

Comments are closed.