quarta-feira, 23 de setembro de 2015

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O início da temporada regular de 2015 não poderia ser pior para os torcedores do Indianapolis Colts. A equipe foi derrotada pelo Buffalo Bills e pelo New York Jets em partidas que não mostrou o mínimo de competitividade, o que nos dá razão para apontar a franquia como a principal decepção do ano até aqui. “Como um time antes candidato à campeão do Super Bowl 50 está passando por essa situação?” Essa pergunta está na cabeça de muita gente e nós resolvemos respondê-la para você.

Antes da temporada regular começar, o Colts tinha, pelo menos no papel, um dos três melhores grupos de recebedores da NFL, com T.Y. Hilton, Andre Johnson, Donte Moncrief, Phillip Dorsett, Coby Fleener e Dwayne Allen. Comandado pelo QB Andrew Luck e com as corridas do RB Frank Gore, todos esses atletas tinham – e ainda têm – potencial para transformar o ataque da equipe de Indianapolis no melhor da liga. Porém, o que vimos nas duas primeiras semanas é totalmente o contrário: o Colts é time da NFL que menos anotou pontos, com apenas 21. Então, de quem é a “culpa”? As parcelas de responsabilidade ficam divididas entre a comissão técnica e o QB Andrew Luck.

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Em entrevista coletiva após a partida da última segunda-feira contra o Jets, o técnico Chuck Pagano deu duas declarações que mostram certa falta de profissionalismo. A primeira delas: “A linha ofensiva está desse jeito há três anos, ele [Luck] deveria estar acostumado com isso”, em outras palavras, o treinador se isentou de culpa e disse para o seu QB se virar com o que tem, quando nesse caso deveria admitir os erros e trabalhar para corrigi-los na próxima rodada ou o mais rápido possível. A segunda frase: “Ele [Luck] precisa cuidar melhor da bola e tomar grandes decisões. Não é tão difícil, não é trigonometria.” O técnico está parcialmente com razão, o QB do Colts precisa proteger melhor a bola e evitar “turnovers”, mas Pep Hamilton, coordenador ofensivo, e Chuck Pagano precisam sentar e fazer alterações no plano de jogo do ataque, principalmente na proteção ao QB e nas rotas dos recebedores. Em uma NFL com tantas defesas fortes na pressão ao adversário – Bills, Jets, Broncos, Dolphins e Texans estão no caminho da franquia de Indianapolis nesta temporada – não se pode mandar os WRs correrem rotas longas e não colocar ninguém no meio do campo para ser a “válvula de escape” de Andrew Luck; o WR calouro Phillip Dorsett foi selecionado justamente com o propósito de ganhar jardas após a recepção e encaixaria muito bem nesta função, mas na segunda-feira ficou clara a “bagunça” do ataque: Dorsett correndo uma rota longa, marcado pelo CB Darrelle Revis, possivelmente o melhor da NFL na posição, e, mesmo assim, Luck tentou o passe para ele, quando por sorte não foi interceptado. Além disso, parece que o Colts deixou de usar os dois bons TEs que possui; Coby Fleener e Dwayne Allen, somados, têm 4 recepções,  22 jardas recebidas e 1 TD em 2015, muito pouco para a dupla que foi importante para a franquia nas três últimas temporadas.

Já que falamos de Andrew Luck, vamos mostrar a parcela de “culpa” dele no rendimento do ataque. Desde que foi selecionado no Draft de 2012, o QB mostra algumas deficiências, como não aceitar o sack em algumas situações, forçar demais o passe e entrar “dormindo” em algumas partidas, tanto que nesses três últimos anos ele precisou virar muitas partidas no último quarto por ter um início ruim. Candidato ao prêmio de MVP antes da temporada regular começar, Luck mostrou os mesmos erros de sempre, ele continua sem aceitar a pressão – que às vezes é a melhor opção a ser tomada – e ainda está forçando passes quando está desequilibrado (no jogo contra o Jets foram, no mínimo, cinco situações em que o QB não foi interceptado por muito pouco e em outras três de fato sofreu o “turnover”). Tudo bem que a comissão técnica é responsável por deficiências no plano de jogo e a linha ofensiva não consegue segurar a pressão, mas caminhando para a quarta temporada como profissional, Andrew Luck precisa cuidar melhor da bola; em apenas dois jogos já foram 5 INT e 1 Fumble sofrido.

Ano passado, a defesa era a grande deficiência da franquia, mas em 2015 parece que o cenário é diferente. A equipe está conseguindo impedir o jogo terrestre adversário – principal fraqueza em 2014 -, na primeira semana limitou o RB LeSean McCoy a apenas 47 jardas em 17 tentativas e no jogo da última segunda-feira, o RB Chris Ivory correu 14 vezes para 57 jardas. Já a secundária ainda não engrenou, mas isso por causa da ausência de 3 dos 4 principais CBs da equipe (Greg Toler, Darius Butler e o calouro D’Joun Smith), além disso, Vontae Davis, o principal deles, sofreu uma concussão e não voltou para o segundo tempo contra o Jets. Mesmo assim, o time conseguiu não sofrer tantos pontos, graças a uma boa atuação do SS Mike Adams, que foi ao Pro Bowl no ano passado.

A “crise” do Indinapolis Colts sobra até para o K Adam Vinatieri. O veterano de 42 anos parece estar sem a mesma precisão de anos anteriores. Em 2014, ele terminou a temporada com 30 acertos em 31 chutes e o único erro aconteceu na última partida. Porém, o nível de Vinatieri começou a cair nos playoffs e no Pro Bowl, quando errou até Extra Point. A temporada regular de 2015 começou de maneira terrível para o atleta, foram dois FGs errados em dois chutes (52 e 29 jardas); parece que o “Senhor Automático” está caminhando para os seus últimos dias na NFL.

O QUE FAZER PARA MELHORAR?

Não é só porque o Colts começou a temporada com duas derrotas em dois jogos que os torcedores devem se desesperar e desistir. Ano passado, a equipe começou o ano da mesma forma, se recuperou e foi até a final de conferência contra o New England Patriots. Além disso, é sempre bom lembrar que a AFC Sul pode ser considerada a divisão mais fraca da NFL e o principal rival do Colts, o Houston Texans, também começou o ano muito mal, então a classificação para a pós-temporada não está tão longe para a franquia de Indianapolis.

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Porém, o time não pode se acomodar com a situação e querer se classificar para os playoffs com uma campanha negativa, mudanças precisam ser feitas em vários setores; um desses é o plano de jogo. A atuação do ataque contra Buffalo Bills e New York Jets deixou claro que a equipe não consegue render contra defesas que pressionam o QB na maior parte do jogo, tendo isso em vista, o coordenador ofensivo Pep Hamilton precisa fazer alterações. Com Andrew Luck sem muito tempo no pocket – graças à linha ofensiva – é necessário ter WRs cruzando o meio do campo para serem opções rápidas para o QB se livrar da bola sem correr riscos e peças para isso não faltam.

Para melhorar a linha ofensiva, o Colts poderia olhar para um grande rival, o New England Patriots, e tentar posicionar o ataque com dois TEs (Dwayne Allen e Coby Fleener), deixando de lado a formação com 3 WRs. Isso aumentaria o tempo de ação de Andrew Luck e ele poderia conectar T.Y. Hilton ou Andre Johnson em passes longos. Enquanto isso não acontece, o QB da equipe de Indianapolis precisa urgentemente cuidar melhor da bola, aceitar alguns sacks e saber quando fugir deles para resolver com as pernas – uma ótima qualidade que ele mostrou ter nos últimos anos.

Nem tudo são críticas em Indianapolis. Como já foi falado, a defesa não está mal e está conseguindo dar o suporte necessário para o ataque fazer o trabalho dele. Assim que os CBs titulares voltaram de lesões, o Colts terá um grupo mais completo e, consequentemente, com um nível melhor. Sobre o ataque, podemos destacar o WR Donte Moncrief, escolha de 3ª rodada no Draft de 2014, que apareceu bem em alguns jogos ano passado e nessa temporada tem sido o melhor jogador do ataque do Colts com 13 recepções, 166 jardas recebidas e 2 TDs nos dois primeiros jogos do ano.

Não é hora para o Colts se desesperar, se a equipe fizer os ajustes necessários pode tranquilamente confirmar as expectativas colocadas nela antes da temporada regular, mas as duas derrotas nas duas primeiras partidas servem como grande sinal de alerta para a franquia. É preciso construir um time ao redor do QB – que no caso é um jogador que representa o futuro da NFL -, não pode apenas rezar para ele colecionar Super Bowls sozinho; isso aconteceu quando Peyton Manning estava por lá e não pode acontecer com Andrew Luck. É bom a comissão técnica começar a se ajustar e mexer em alguns setores senão, mesmo em uma divisão não tão forte, o Indianapolis Colts pode se complicar.

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