sexta-feira, 28 de setembro de 2018

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A temporada de 2018 começou muito aquém do que os fãs do New England Patriots esperavam. Com desempenho não muito bom nessas três primeiras rodadas temos o atual campeão da AFC em uma situação pouco comum: uma campanha negativa. A última vez que o Patriots iniciou com apenas uma vitória nos primeiros três jogos foi em 2012. Vale salientar que isso não quer dizer muita coisa, afinal o Patriots tende a iniciar a temporada de forma mais lenta e engrenar ao longo dela. No citado 2012, mesmo com o início que teve o time liderou a AFC Leste, conquistou folga na primeira semana de pós temporada e foi perder apenas na final de conferência para o Baltimore Ravens, que se sagrou campeão no Super Bowl XLVII sobre o San Francisco 49ers. Porém esta “lentidão” apresentada agora parece estar mais acentuada que nos anos anteriores. O que pode estar causando ela? Qual parte do plano do “Império” não está funcionando como deveria? Vamos por partes:

O jogo corrido está ineficiente.

O Patriots apostou alto neste draft selecionando na primeira rodada um running back, algo que é pouco comum para Bill Belichick. Vindo de Georgia, Sony Michel se destacou na liga universitária especialmente por sua fisicalidade, explosão, boa visão de jogo, força e capacidade de bloquear para o passe. Mas problemas no joelho têm prejudicado o jogador especialmente durante o training camp e pré temporada.

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E este pode ser um dos fatores que contribuem para Michel não estar produzindo o esperado. O Patriots sempre foi um time que utilizou a pluralidade de seu jogo aéreo para deixar a defesa adversária em xeque e consequentemente auxiliar o jogo corrido. Se a tentativa foi de tentar o caminho contrário este ano, ela se provou até o momento ineficaz. E um dos motivos disso pode estar justamente no ponto abaixo:

Carência de recebedores está atrapalhando (e muito).

Durante a semana 1 do Patriots fomos agraciados com um completo show de Rob Gronkowski. O Texans falhou completamente em parar o melhor tight end da liga que conseguiu receber na primeira partida da temporada 1 TDs e 123 jardas. Porém contra Jaguars e Lions a história foi completamente diferente. O forte uso de marcações duplas sobre Gronk acabou praticamente anulando sua produtividade (foram apenas 66 jardas somadas nas duas últimas semanas). Em uma situação normal o fato de existir uma peça do ataque atraindo a atenção de dois defensores abriria espaço para os demais jogadores de habilidade. Mas no Patriots aí mora talvez o maior problema do time: não tem ninguém além do Gronk.

Os demais recebedores do time são muito, mas muito abaixo do que Brady merece. Sim, ele sempre foi capaz de fazer qualquer cone receber uma bola, mas nessa altura de sua carreira não seria nenhum pecado fornecer mais ajuda ao QB.  Sem Amendola (Dolphins) que fazia com primor o papel de slot receiver e com Edelman voltando de suspensão apenas na semana 5, Chris Hogan é hoje o melhor recebedor do time, acompanhado de Phillip Dorsett e Cordarrelle Patterson. Mas todos eles estão longe de ser um recebedor número 1 de uma franquia. Talvez Belichick estava esperando alguém dar o próximo passo nesse início de temporada, mas até agora isto não aconteceu. Vale lembrar também que Brady não participou das atividades com o time durante a intertemporada neste ano (algo incomum para o camisa 12) e isso pode ter prejudicado a construção de sinergia com seus alvos.

Defesa não está rendendo, principalmente contra corridas.

O Patriots tem bastante talento e profundidade na linha defensiva e seu front seven de forma geral é bom. Além disso houve a adição de Danny Shelton ao time, principalmente para ajudar contra o jogo corrido. Mas até agora a defesa tem se provado completamente ineficaz neste quesito e toda a estrutura parece  estar jogando em câmera lenta. Dont’a Hightower, por exemplo, está voltando de lesão e não apresenta velocidade o suficiente para acompanhar running backs. Fora que Belichick gosta como ninguém de jogar com muitos defensive backs em campo, de forma que seus safeties precisam ser versáteis e atléticos para cobrir tight ends e ajudar no meio do campo, o que não tem acontecido com sucesso até agora. Tudo isso corrobora no porquê o Lions teve um corredor de mais de 100 jardas pela primeira vez desde 2013. A volta de Trey Flowers e Patrick Chung (que deixou o jogo por concussão na última semana) deve ajudar neste ponto, mas os demais jogadores simplesmente precisam acordar e jogar melhor.

Mas e se tudo for parte do plano?

A impressão que este início de temporada passa é que Belichick ainda não tem absoluta certeza do que está fazendo. Longe de mim querer criticar o técnico, que é um dos melhores da história da liga, mas aparenta que ele está utilizando estas primeiras semanas como uma extensão da pré-temporada, mais fazendo experimentos do que se planejando para o adversário. Até o momento ele falhou em colocar seus jogadores em posições que eles podem ter sucesso, algo no que sempre foi tão preciso. Isso pode ser pelo fato dele ainda estar conhecendo seu elenco, levantando o que ele tem e não tem dentre seus jogadores e como pode utilizar isso no futuro.

Uma amostra disso é a já falada situação de recebedores. Desde o início da temporada regular foram dispensados 10 wide receivers. Na partida contra o Lions apenas 3 receberam passes. Na defesa também existem incógnitas e experimentos, especialmente na secundária. A posição de cornerback número 1 está bem definida com Stephon Gilmore, além de ter Jonathan Jones firme como slot corner. Porém nada está definido para quem joga oposto a Gilmore. Até a semana 2 Eric Rowe ocupou essa posição, mas foi tirado contra o Jaguars para dar lugar a Jason McCourty. Já contra o Lions, McCourty saiu para que J.C. Jackson ganhasse chance em alguns snaps.

Mas e se esse realmente for o plano? Sejamos realistas, só uma tragédia completa tiraria o Patriots da pós temporada, mesmo que o time sacrifique o mês de Setembro. Estes primeiros jogos podem ser tranquilamente utilizados para testes de formações e conhecimento de elenco a fim de ter um time mais competitivo em novembro, dezembro e entrando em 2019. Um time no qual Belichick utilize sua mágica e coloque cada peça onde ela irá melhor se destacar. Não é loucura nenhuma imaginar que essa seja a ideia desde o início.

Devemos nos preocupar?

Não. Ao menos ainda não. A adição de Josh Gordon ao ataque é muito interessante, isso é claro se o jogador se manter saudável e fazer jus a seu potencial. Logo teremos também Edelman voltando ao campo, atleta que vem sendo um alvo de confiança para Brady há um bom tempo e deve trazer mais pluralidade para o jogo aéreo. Um trio formado por Gronk, Gordon e Edelman muda a cara do ataque da água para o vinho. Sem contar que a evolução do jogo pelo ar deve ajudar na melhora do jogo por terra.

Quanto a defesa o Patriots sempre teve uma situação contrária a, por exempo, do Broncos de 2015, onde uma unidade defensiva espetacular “carregou” o time nas costas. O ataque liderado por Brady é quem tende a levar a equipe. Cabe a defesa fazer o suficiente para não comprometer o trabalho, segurando os adversários, impedindo-os de pontuar muito e devolvendo a bola para o ataque resolver. E assim que a equipe entrar em ritmo isso deve se normalizar.


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