quarta-feira, 27 de novembro de 2019

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No cenário da NFL, os administradores das equipes devem tomar decisões diárias que causam ramificações que muitas vezes assombram as franquias por décadas. Renovar ou não com um atleta, dispensar ou não um atleta problemático, recrutar ou não um prospecto interessante no Draft, enfim, eles convivem diariamente com o “e se” que perdurará por vários anos em que independe a ação feita – ou não.

No caso do Los Angeles Rams, tal cenário está totalmente atrelado ao Quarterback Jared Goff, recrutado com a 1ª escolha do Draft de 2016. Vale lembrar o caminhão de escolhas que o Rams enviou ao Tennessee Titans pelo direito de ter esta escolha e a temporada de calouro miserável que ele teve – ainda sob o comando melancólico do HC Jeff Fisher.

Mas, seu desempenho mudou da água para o vinho quando Sean McVay, então o HC mais jovem da história da NFL assumiu as rédeas do comando técnico. Goff havia se tornado tudo aquilo que se espera de um atleta recrutado na primeira posição geral do Draft e parecia que finalmente o Rams teria seu grande Quarterback da franquia desde Kurt Warner no começo deste século… mas só parecia. Desde o princípio parecia claro que Goff só atuava bem por conta da mágica aplicada por McVay e seu ataque ultra-explosivo implantado por lá. O Rams, temendo uma valorização desenfreada na posição de QB nos cenários atuais da NFL resolveu “puxar o gatilho” e assinar uma monstruosa extensão contratual com o atleta enquanto este ainda tinha anos do contrato de calouro – muito mais maleável financeiramente falando, ainda a cumprir. O resultado é que Goff foi, por algum tempo, o jogador mais bem pago da história da NFL quando Los Angeles se comprometeu a pagar U$ 110 milhões garantidos por uma extensão contratual de cinco temporadas, o que, juntando com seu contrato de calouro, resultou numa estratosférica média salarial de U$ 33 milhões por temporada para o jovem atleta.

O Rams inclusive ganhou as manchetes da NFL nos últimos anos por também conceder extensões monstruosas ao DT Aaron Donald e ao RB Todd Gurley, ambos recebendo enormes quantias contratuais por temporada mas, com relação à desempenho e valor equiparado com outros atletas, nada se compara à Goff.

Donald é discutivelmente um dos três melhores atletas defensivos desta década. Seu talento não se equipara com ninguém em sua posição e é indiscutível ser merecedor de seu atual contrato. Gurley, por sua vez, capitalizou sob uma temporada magnífica  em que liderou a NFL em TDs mas já levanta questões sobre seu estado de saúde desde a parte final da última temporada, mas representa uma opção muito mais viável de dispensa nos próximos anos que seu Quarterback.

Não foi veiculado na mídia um clamor público de Goff por um novo contrato, ao menos publicamente. O Rams mesmo assim se sentiu na necessidade de renovação contratual e garantiu U$110 milhões ao atleta até a temporada de 2024 – independente de lesão ou queda de rendimento.

Queda de rendimento aliás sendo visivelmente observada em 2019. Ele tem mais interceptações que TDs lançados (11 contra 12) quando na temporada passada foram 32 passes para TD contra as mesmas doze interceptações lançadas até agora. Seu rating de 80.3 o qualifica em 27º entre os atuais titulares das 32 franquias. Seu percentual de passes completos caiu 3% e sua média de passe caiu mais de um terço – todos números comparados com sua temporada anterior. Seu desempenho no Super Bowl LIII foi simplesmente melancólico, anotando apenas três pontos e ficando marcado negativamente por não enxergar o WR Brandin Cooks livre por duas vezes na end zone – jogadas protocolares para qualquer Quarterback titular na NFL – quem dirá no principal palco de todos, o Super Bowl.

Na última intertemporada, inclusive, foi ventilado que o Rams poderia ser um time que não pagaria milhões de dólares a um QB mediano (ou que ainda não se provou totalmente) e sugeriu que a equipe concentraria os esforços em conseguir um jogador com desempenho minimamente decente para que, ambientado ao esquema favorável de McVay, pudesse aflorar seu desempenho (guardadas as devidas proporções, o que o Colts faz com Jacoby Brissett este ano), mas obviamente não foi o que aconteceu.

Claro que o Rams de 2019 é um pouco diferente com relação ao time de 2018. A linha ofensiva perdeu diversas peças quando nas últimas temporadas ficou marcada pela regularidade e pelo fato de seus cinco titulares não perderem um jogo se quer – que corrobora muito para um entrosamento maior numa posição tão crucial e nas posições de habilidade, Todd Gurley não lembre em nada o atleta explosivo de anos atrás bem como Brandin Cooks, seu alvo favorito, batalha contra uma concussão que o impediu de jogar regularmente. Até Robert Woods, um velocista para bolas em profundidade está afastado da equipe por problemas particulares, mas são nestas horas que você espera que seu QB de U$ 33 milhões por temporada eleve ainda mais seu desempenho, o que claramente não acontece com Goff.

Agora, a franquia está presa ao Quarterback ao menos por mais três temporadas. Segundo o Spotrac (site especializado em contratos dos esportes norte-americanos), uma dispensa ou troca de Goff teria um impacto catastrófico no combalido teto salarial da franquia. Seriam U$ 61 milhões para dispensá-lo agora, U$ 51 milhões na próxima temporada, U$ 15 milhões em 2021 e U$ 10 milhões em 2022 que o Rams teria que absorver para não contar com Goff nas próximas temporadas, o que denota que a equipe está atrelada ao jogador até o ano de 2023, quando seu contrato fica muito maleável e dispensá-lo não causaria tantos impactos negativos no teto salarial.

Fato é que o Rams está sem escolhas de primeira rodada (enviadas ao Jaguars pelo CB Jalen Ramsey), vê sua classificação para os playoffs desta temporada serem minúsculas e precisa contornar o desempenho de seu Quarterback que não lançou um passe para TD no mês de novembro – pior marca da NFL. Salvo uma espetacular reviravolta do atleta nos próximos meses, deverão ser tempos sombrios para o Rams nos anos que seguirão.


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