quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Compartilhe

A primeira semana do ano é sempre bastante agitada no mundo da NFL. Vários times trocaram de técnico e estamos às vésperas do início dos playoffs. Logo, são essas as pautas que dominam o noticiário, certo? Mais ou menos. Um dos assuntos mais comentados desde a segunda-feira é sobre um jogador cujo time não jogará no fim de semana e nem está procurando um novo treinador: Antonio Brown trocou mensagens, seguiu vários jogadores e o perfil oficial do San Francisco 49ers em suas redes sociais, e até publicou um story no Instagram reverenciando Jerry Rice. Foi o suficiente para deixar torcedores e imprensa em polvorosa quanto ao seu futuro.

Brown perdeu os treinos da semana passada, e também ficou de fora do último jogo do time no ano, contra o Cincinnati Bengals. Oficialmente, a razão de sua ausência foi uma lesão no joelho. No entanto, pipocaram diversos rumores: segundo o jornal Pittsburgh Post-Gazette, ele abandonou os treinos voluntariamente após um desentendimento no vestiário. Segundo a ESPN, o QB Ben Roethlisberger estaria envolvido nessa discussão. Posteriormente, o jornalista Jason LaCanfora reportou que Brown teria pedido para ser trocado. A informação de LaCanfora seria desmentida mais tarde por Mike Tomlin e vários outros jornalistas, mas uma coisa é difícil negar: os problemas de vestiário dentro do Pittsburgh Steelers são evidentes. E isso, claro, tem reflexos no desempenho do time em campo.

Leia Mais: Canal L32 – Hora de Playoffs da NFL: fase Wild Card

Leia Também: os quarterbacks que podem trocar de time em 2019

Este não foi o único incidente comportamental de Brown em 2018. Ele já tinha abandonado treinos ainda nas OTAs, as primeira s atividades organizadas da pré-temporada, faltou a reuniões de equipe e discutiu com repórteres no Twitter. Brown, Roethlisberger e Tomlin (para ficar apenas nos protagonistas do time) possuem personalidades fortes, e é até compreensível que haja um desgaste. E também não é possível imaginar que essa fratura no relacionamento seja irreversível. Mas daí até o Steelers realmente se livrar de Brown vai uma enorme distância.

E o motivo que complica uma eventual saída do recebedor astro é bem simples: dinheiro. As partes reestruturaram o contrato do jogador no último mês de março, com o intuito de liberar US$ 9,72 milhões no teto salarial da franquia para 2018. O movimento fez com que o impacto do bônus de assinatura no teto fosse deslocado para os anos seguintes do acordo. Assim, o salário de Brown ocupará cerca de US$ 22 milhões no teto salarial em 2019.

Mas e se ele for trocado? Nesse caso, temos dois cenários: se essa negociação fosse fechada antes do dia 1º de junho, o Steelers ainda teria que arcar com US$ 21 milhões de dead money (dinheiro que ainda conta no teto salarial mesmo se o jogador em questão não estiver mais no time). Isso mesmo, uma economia de um mísero milhão de dólares para se desfazer do melhor recebedor da história da franquia, e ainda um dos melhores em atividade na NFL. Não precisa ser um expert para entender que seria um péssimo negócio para o Steelers, salvo talvez (ênfase no talvez) por uma compensação absurda em escolhas de draft. Se a troca ocorrer depois de 1º de junho, os US$ 21 milhões de deado money seriam distribuídos entre 2019 e 2020, o que diminuiria um pouco o estrago no teto especificamente neste ano.

Mas ainda assim, o impacto que Brown tem dentro de campo é bem maior do que os eventuais ganhos em sua saída. Se James Conner foi um bom substituto (ainda que não a altura) de Le’Veon Bell, é virtualmente impossível achar alguém que conseguiria algo similar no lugar do #84. A carreira de Big Ben está perto do fim, e suas chances de ganhar mais um Super Bowl passam por ter o máximo possível de talento ao seu lado agora, e isso implica em ter Brown ao seu lado, e não como adversário e com um calouro como substituto. O Steelers é historicamente uma das franquias mais bem administradas da NFL, e se desfazer de Antonio Brown meramente por orgulho não seria inteligente, não combinaria com a história da equipe. Novidades e reviravoltas sempre podem acontecer, mas o cenário mais provável hoje é que todos engulam o orgulho e se unam em 2019 pelo bem da franquia.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Comments are closed.