quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

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Depois da promissora dupla Andrew Luck e Robert Griffin III, escolhidos nas duas primeiras posições do Draft 2012, mais uma dupla de QBs, Jameis Winston e Marcus Mariota, repetiram a dose saindo nas duas primeiras escolhas no recrutamento de 2015. Assim como os dois selecionados 3 anos antes, a expectativa sobre o desempenho dos novos QBs de Buccaneers e Titans era enorme. Em relação a Winston, o texto destacado abaixo detalha bem a sua situação e como Bruce Arians pode ser a sua melhor (e, talvez, a última) chance de se consolidar em Tampa. Desta forma, hoje a nossa atenção estará concentrada em Marcus Mariota, debatendo sua performance até o momento entre os profissionais, além da situação do Titans em relação ao futuro.

Antes de entramos em sua carreia na NFL, vale um pequeno resumo da trajetória de Mariota antes do Draft 2015. Nascido em Honolulu, no Havaí, Mariota se destacou na Saint Louis High School e, com 19 anos, já era um seguro QB titular na Universidade de Oregon. Em suas temporadas no College Football, Mariota colecionou ótimos números, além de uma quantidade enorme de prêmios. Dentre estes, a eleição de forma unânime como All-American e o Troféu Heisman, prêmio dado ao jogador mais fantástico da temporada Universitária, ambos conquistados em 2014, são os grandes destaques.

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Com ótimos jogos e números incontestáveis, Mariota se declarou para o Draft 2015. Para este que vos escreve, o QB do Titans deveria, inclusive, ter sido a 1ª escolha geral daquele recrutamento. E, dentro deste contexto, de alguém que admirava bastante o talento de Mariota no College e que teria escolhido o garoto do Havaí para ser o seu QB do futuro, é que, com tranquilidade, posso afirmar que a decepção é bem grande com Mariota na liga profissional.

Em suas 4 temporadas como QB titular do Titans, Mariota acumula algumas lesões, algumas (poucas) boas atuações, porém, no contexto geral, um desempenho bem inferior ao que era esperado. Sendo justo, é relevante mencionar que o QB esteve preso a um esquema ultrapassado no início de sua trajetória, o que pode ter limitado o seu desenvolvimento. No entanto, não podemos deixar de mencionar que, na última temporada, jogando com Matt LaFleur como coordenador, com uma OL de bom nível (9ª melhor segundo o Pro Football Focus) e com dois RBs de qualidade, Mariota, mais uma vez, teve uma temporada decepcionante.

Ainda que seu grupo de recebedores não fosse dos mais qualificados e o mesmo tenha sofrido com baixas, as fracas atuações e os 11 passes para TD na temporada inteira, unidos aos 10 turnovers, não deixam dúvidas de que esta foi (mais uma) temporada medíocre. A campanha 9-7 é bem emblemática quando falamos de algo comum ou mediano e, neste caso, no sentido negativo das palavras.

Pensando na próxima temporada, o cenário para Marcus é definitivamente de decisão. Diferente do que se esperava quando fora draftado, o QB entra em seu último ano de contrato sem nenhuma garantia futura. O Titans optou por não buscar uma renovação em longo prazo com o jogador e Mariota jogará a temporada 2019 com a opção de 5º ano ativada em seu vínculo de calouro. Desta forma, Mariota receberá cerca de US$ 20 milhões e precisará provar que merece uma extensão deste contrato durante a temporada.

Olhando pelo lado da franquia, a situação também é complexa. Com o retorno em alto nível de Andrew Luck e a afirmação de Deshaun Watson, a AFC Sul se tornou bastante complicada. Com boas peças no elenco dos dois lados da bola, o Titans não quer correr o risco de se tornar uma equipe consistentemente mediana. Na própria divisão, nós temos exemplos do que ocorre na NFL na grande maioria das vezes. O que muda uma equipe do estágio intermediário e a conduz a outros patamares é exatamente a presença de um QB realmente relevante; casos de Colts e Texans. O mesmo exemplo, no entanto de forma negativa, vale para o Jaguars que continua a desperdiçar uma defesa absolutamente acima da média ao ter o seu ataque conduzido por Blake Bortles. A realidade é que Mariota não é bom (nem próximo) como Luck, não teve as atuações e nem deu mostras de um teto tão alto como Watson, porém, sem dúvidas, é um jogador melhor do que Bortles.

A equipe de Tennessee precisa saber se Mariota é capaz de dar este próximo passo e levar o time a um novo patamar. Na era do Salary Cap, cada vez mais as movimentações nos elencos são dinâmicas. Uma das grandes estratégias das equipes é tentar reforçar o time e vencer enquanto os seus QBs estão com salários baixos em seus respectivos contratos de calouro e, obviamente, esta estratégia já fracassou com Mariota e o Titans. Ao que parece, a equipe de Tennessee pretende utilizar a temporada 2019 como uma última “prova” para decidir se vale a pena manter Mariota ou se a melhor opção será deixar o QB seguir sua carreira e buscar um novo nome em 2020.

A resposta para esta dúvida será respondida pelo próprio Mariota. Infelizmente, em mais uma temporada, o QB terá que se adaptar a um novo coordenador ofensivo. No entanto, por mais que isto realmente seja algo que traga dificuldades, o comandante do ataque do Titans não tem mais tempo para qualquer nova adaptação; ele precisa jogar!

Como mencionado anteriormente, tenho muita admiração pelo talento demonstrado por Mariota em seus tempos no College Football. Contudo, a realidade é que, fora alguns lampejos, seu enorme potencial nunca foi demonstrado entre os profissionais durante suas 4 temporadas na liga. Apesar de ser pessoalmente triste dizer isto, não confio mais em Mariota se tornando um dos bons QBs da NFL. Respondendo a pergunta tema deste texto, caso fosse o GM do Titans, eu estaria olhando atentamente as classes de QBs dos Drafts 2019 e 2020. Por mais que, sinceramente, seria bem satisfatório estar errado, neste momento é hora de olhar para frente, pois o “projeto Marcus Mariota” fracassou em Tennessee.


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