sexta-feira, 10 de maio de 2019

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Na noite de ontem, alguns insiders da NFL nos Estados Unidos reportaram a renovação de contrato do cornerback Xavien Howard com o Miami Dolphins, uma extensão de 5 anos, 76,5 milhões de dólares, com 46 milhões garantidos, tornando Howard o mais bem pago da posição na liga. Este contrato vai impactar os Dolphins, que agora tem um cornerback pago como elite (é que é elite, sempre foi subestimado) as negociações de outros cornerbacks para renovação de seus contratos e possivelmente o jogo de quem enfrentar a secundária do Miami Dolphins. Analisaremos estes impactos logo mais neste texto.

Antes de tudo, temos que contextualizar o contrato de Howard, que seria inimaginável há 15 anos atrás, onde os inside linebackers, como Ray Lewis e Brian Urlacher eram as estrelas das defesas da época, eficientes contra o jogo terrestre e altamente capazes de atacar os gaps, tanto no jogo corrido, como em situações de blitz. A liga mudou, e o jogo aéreo foi se tornando mais importante a cada ano, com times jogando com spread offenses e cada vez mais utilizando 4 ou 5 recebedores abertos. Cornerbacks com capacidade de marcar em ilhas e em marcação homem a homem os split ends dos adversários, como Darrelle Revis e Richard Sherman, foram se valorizando e tornando a posição de cornerback uma das premium positions, tornando a necessidade de evolução dos contratos dos jogadores elite da posição.

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O primeiro impacto a se pensar no contrato de Howard é no salary cap do Miami Dolphins. Howard é jovem e vai ganhar, no valor total, média de 15,3 milhões de dólares por ano (média garantida de pouco mais de 9 milhões) em um time claramente em reconstrução, que terá vários contratos de calouro nos próximos 3, 4 anos, inclusive na posição de quarterback, o que não significará problema para o salary cap dos Dolphins, possibilitando trazer veteranos chave no futuro para reforçar o elenco que é bastante carente no momento. Contando que este elenco pobre de 2019 faça uma das piores campanhas da liga, o draft de 2020 vem para reforçar essa ideia de reformulação e dar mais peças em contrato de calouro para o head coach Brian Flores, sem contar o draft de 2019 que, na minha visão, já foi ótimo por parte dos Dolphins.

O segundo impacto é na negociação de contratos futuros dos jogadores elite da posição de cornerback. Jogadores considerados top da posição que estão em seus últimos anos do contrato de calouro, como Marshon Lattimore e Marlon Humphrey, devem ter o contrato de Howard como base na hora de negociar contratos. Com o salary cap crescendo todo ano, não fará sentido deixar jogadores desse calibre testarem o mercado, ainda mais no caso de Marlon Humphrey, onde Baltimore tem um quarterback em contrato de calouro até 2022. Os contratos de cornerback serão inflacionados por estas negociações e posições como inside linebacker e running back devem ser de onde os times vão tirar o fluxo de capital para direcionar para renovações de cornerbacks do patamar de Howard.

O terceiro impacto, que seria a mudança na postura dos ataques que serão adversários da secundária dos Dolphins, vem com um condicionante: o quanto os adversários subestimam Xavien Howard. Os analistas, tanto nos Estados Unidos, como no Brasil, subestimam Howard e não o colocam com frequência na primeira prateleira dos cornerbacks na liga. Em alguns jogos, quarterbacks também subestimaram a cobertura de Howard, como Tom Brady, que já foi interceptado pelo cornerback em algumas oportunidades. A mudança de patamar de Howard na cabeça dos quarterbacks e coordenadores ofensivos, pode fazer com que os ataques aéreos evitem Howard. Por um lado, limita os principais wide recievers do adversário a poucas jardas e poucas recepções, entretanto, exigirá um melhor trabalho do restante da secundária e a evolução dos outros jogadores, como o safety Minkah Fitzpatrick.

Resta saber, se após quebrar a banca, Howard continuará produzindo em nível All-Pro, ou se haverá uma queda que fará o contrato assinado valer mais do que deveria, o que atrapalharia muito no processo de reconstrução da franquia de Miami, mas a tendência é que Howard seja um dos pilares da defesa de Brian Flores pelos próximos anos.

 

 

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