terça-feira, 6 de agosto de 2019

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Após 10 temporadas tendo Joe Flacco como seu quarterback principal, o Baltimore Ravens resolveu acirrar a disputa e subiu do draft para escolher um quarterback na primeira rodada em 2018. Amado e odiado, Flacco conhecido pelo braço forte e por fazer milagres em jogos decisivos, Flacco vinha sendo no mínimo inconstante desde 2014 e contestado pela torcida. Com a chegada de Lamar Jackson, de características totalmente diferentes, Flacco perdeu a titularidade em 2018 e foi trocado para o Denver Broncos em 2019.

Lamar venceu a competição com o veterano em seu ano de calouro, e foi escolhido na primeira rodada muito por seu desempenho em Louisville, onde venceu Heisman Trophy, prêmio mais importante da temporada do futebol americano universitário e era uma máquina de jardas, principalmente usando sua habilidade atlética. Entretanto, como já mencionado por aqui, o futebol americano universitário não é categoria de base para NFL e os técnicos montam seus times e esquemas para vencer jogos, não para preparar jogadores para a NFL.

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Sendo assim, Jackson chegou a Baltimore com diversos problemas em relação ao jogo de um quarterback de nível profissional, como postura no pocket, trabalho de pés, mecânica de passe e tomada de decisões. Tudo isso vinha dos seus anos de futebol americano universitário, mas era mascarado por defesas muito frágeis e esquemas muito simples, onde a habilidade atlética de Jackson se sobressaía, sem que as imperfeições se traduzissem em números. Já na NFL, Jackson chegou enfrentando defesas mais fortes e mais rápidas, o que deixou os defeitos evidentes.


Ainda assim, Jackson trouxe um dinamismo para o ataque que Flacco não dava e John Harbaugh montou sua estratégia em cima disso. Com uma defesa muito sólida, Harbaugh apostou no jogo terrestre, com o fator Lamar Jackson como um elemento a mais, abusando das jogadas de option, onde o quarterback tem a opção de deixar a bola com um running back ou correr com ela. Com a posse de bola e um jogo terrestre potencializado, a defesa descansava e entrava com toda energia necessária. O jogo terrestre cansava a defesa adversária e fazia com que mais homens se aproximassem da linha de scrimmage, o que abria espaço para o play action, com Jackson passando em movimento, um de seus trunfos, para alvos fáceis e com separação.


Com todos estes fatores, Jackson foi aos playoffs, vencendo sua divisão. Mas no jogo contra o Los Angeles Chargers ficou evidente que ele precisa muito de evoluir passando a bola. O jogo aéreo de Baltimore não vinha bem com Flacco, continuou mal com Jackson, também por conta do corpo de recebedores, mas muito pela falta de precisão de seus quarterbacks. Flacco passou para 3141 jardas, com 64,1% de acerto apenas 18 touchdowns e 13 interceptações em 2017, com 16 jogos. Em 2018, jogou 9 jogos e 2465 jardas, 61,2% de acerto, 12 touchdowns e 6 interceptações. Jackson, começou 7 jogos, passou para 1201 jardas, 58,1% de acerto, 6 touchdowns e 3 interceptações, mas correu 147 vezes para 695 jardas, média de 4,7 jardas por corrida, maior que de running backs titulares da liga como Carlos Hyde. Flacco correu para 811 jardas em toda sua carreira e raramente passava das 100 jardas terrestres na temporada toda.

Harbaugh não deve mudar sua estratégia e tornar o ataque de Baltimore uma west coast offense baseada em passes precisos. Lamar Jackson também não deve se tornar Tom Brady em 7 meses, portanto, no ataque, o jogo aéreo deve ser secundário por mais um ano. Do outro lado da bola, a defesa sólida do Ravens não é um convite ao passe. Nomes da secundária como Jimmy Smith (se saudável), Tavon Young, Marlon Humphrey, Tony Jefferson e o recém chegado Earl Thomas impõem respeito aos ataques aéreos. Se o pass rush contribuir, o time de Baltimore tem tudo para ter uma das melhores defesas em jardas cedidas pelo ar.


Passar a bola contra o Baltimore não deve ser fácil, assim como ver Lamar Jackson passar a bola deve ser raro. A aposta deve no jogo terrestre, com Mark Ingram e o calouro Justice Hill se aproveitando do fator Lamar. Na defesa, a perda de jogadores no EDGE e na posição de linebacker pode favorecer os adversários nas chamadas terrestres. Para os amantes do jogo aéreo, resta a esperança de ver times com jogo predicado no ataque aéreo jogando contra o Ravens e alguns passes em situações de conforto para Lamar Jackson. Em todo caso, jogos do Ravens em 2019 devem ser um convite ao jogo de trincheiras e os fãs de jogo aéreo não devem ficar contentes com as disputas da temporada.

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