quarta-feira, 22 de agosto de 2018

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A pré-temporada é uma época muito desinteressante do ano se você é um jogador consagrado, um titular indiscutível, um veterano com lugar garantido ou um calouro de começo de draft. A principal preocupação nesses casos, provavelmente, será não se lesionar. Por outro lado, se você é um calouro não draftado, é o período mais importante da sua vida: hora de provar que pertence à NFL, que há um lugar para você entre os profissionais, que todos que te ignoraram estavam errados.

Para a maioria dos jogadores não draftados, a história não vai acabar bem. Ou eles serão impiedosamente cortados, ou em um cenário mais positivo irão para a practice squad e no ano seguinte repetirão o mesmo processo. Alguns conseguirão ficar nos elencos principais e ter um bom número de snaps. E uma parcela muito pequena deles, mas muito pequena mesmo, fará história, colocará seu nome nos anais da NFL, irá parar no hall da fama. Hoje vamos relembrar os cinco jogadores da história recente do futebol americano que conseguiram alcançar o topo após entrarem na liga pela porta dos fundos.

Esse texto faz parte da série histórica que tem sido feita nessa offseason. Na semana passada, o tema foi a decadência da importância dos running backs em números. Antes, já falei sobre o surgimento da AFLseu crescimento e sua fusão com a NFLas implementações de Seattle Seahawks e Tampa Bay Buccaneersa fuga do Baltimore Colts para Indianapolis na calada da noitea greve de 1982como a free agency se desenvolveu através dos anos, a história do Hall of Fame Game e os principais holdouts que já aconteceram.

Antes de começar: por história recente, considero a liga já com o formato atual, pós-fusão e com um draft similar ao que acontece hoje. Assim, atletas monstruosos como Dick “Night Train” Lane ficam de fora por terem vivido em épocas muito diferentes. Esse jogador, aliás, será o tema da coluna da semana que vem.

Menções honrosas: Tony Romo (quarterback), Jeff Saturday (center), James Harrison (linebacker), London Fletcher (linebacker), Jason Peters (offensive tackle), Adam Vinatieri (kicker), Jim Langer (center).

5. Priest Holmes (running back)

Um running back sem muito destaque na universidade de Texas, com apenas 1276 jardas durante toda sua carreira por lá, Priest Holmes assinou como undrafted free agent com o Baltimore Ravens para a temporada de 1997. Não foi lá que ele teve grande destaque, apesar de em 1998 já ter alcançado as 1000 jardas terrestres em um só ano e de ter sido parte da equipe que venceu o Super Bowl XXXV.

Quando seu contrato de calouro acabou, Holmes estava em baixa e assinou com o Kansas City Chiefs por um preço bem camarada. E aí veio a explosão: rapidamente, ele se transformou no melhor running back da NFL. Foi escolhido três vezes seguidas como All-Pro e foi eleito jogador ofensivo do ano em 2002, quando correu para 1615 jardas e 21 touchdowns. Em 2003, bateu o recorde de touchdowns de um atleta em uma temporada, com 27 – LaDainian Tomlinson é o atual dono dessa marca.

Holmes encerrou sua carreira em 2007, com 8172 jardas corridas e 86 touchdowns. Ainda é dono de muitos recordes do Kansas City Chiefs.

4. Antonio Gates (tight end)

Quem acompanha a NFL na última década se habitou a olhar para o ataque do San Diego (e depois Los Angeles) Chargers e ver Antonio Gates. O detalhe é que ele era um jogador de basquete na universidade que alcançou muito destaque, mas foi informado que não teria espaço na NBA (liga que o draft é bem mais restrito, com só duas rodadas). Assim, mesmo sem nunca ter jogado futebol americano no nível universitário, foi atrás de oportunidades com as equipes profissionais de futebol americano.

O Chargers deu a ele um contrato de undrafted free agent e uma oportunidade para brigar por espaço na posição de tight end. Como vocês sabem, Gates correspondeu. Entregou quinze anos de recepções incríveis, touchdowns e ajudou a redefinir a sua posição. Foram oito aparições no Pro Bowl e duas seleções para o segundo time do All-Pro.

Gates tem o recorde de touchdowns recebidos para tight ends na NFL, com 114. Foram 11508 jardas em sua carreira – que, ao que tudo indica, finalmente chegou ao fim.

3. John Randle (defensive tackle)

 

A história inicial de John Randle é de pura rejeição – atuou na microscópica universidade de Texas A&M-Kingsville, foi chamado para um teste com o Tampa Bay Buccaneers, onde seu irmão jogava, mas foi dispensado por ser considerado muito baixo para a posição. O Minnesota Vikings foi a equipe que viu potencial no jovem atleta e sua primeira temporada foi a de 1990.

Depois, a história é de puro sucesso: nove temporadas diferentes alcançando dois dígitos em sacks, um absoluto terror para todos os quarterbacks adversários. Uma grande rivalidade com Brett Favre também se desenvolveu, com o ícone do Green Bay Packers sendo a vítima preferida de Randle. O defensive tackle foi sete vezes ao Pro Bowl, escolhido seis vezes como All-Pro e colocado no time dos sonhos da década de 1990.

Randle encerrou a carreira em 2003 com 137,5 sacks, 471 tackles e 29 fumbles forçados. Ele foi escolhido para o hall da fama em 2010.

2. Warren Moon (quarterback)

Se Randle atuou em uma universidade muito pequena e era visto como baixo para sua posição e Gates nem chegou a atuar no futebol americano universitário, Warren Moon brilhou sim nesse nível: liderou uma equipe tradicional, o Washington Huskies, a um título de Rose Bowl e foi escolhido MVP da partida. Muitos acreditam que o motivo para ele não ter sido selecionado no draft foi o racismo contra quarterbacks negros, o que já foi discutido nesse texto.

Moon não foi imediatamente para a NFL – teve uma passagem de cinco anos pela CFL, no Edmonton Eskimos, liderando uma dinastia épica e vencendo o título em todos eles. Aí recebeu uma chance do Houston Oilers, finalmente podendo mostrar seus talentos na principal liga de futebol americano. E não decepcionou nem um pouco: nove seleções ao Pro-Bowl, um All-Pro, um offensive player of the year, dois anos liderando a liga em jardas aéreas, Raro exemplo de longevidade, atuou até os 44 anos de idade.

O jogador teve em sua carreira 49.325 jardas aéreas e 291 passes para touchdown. Foi eleito para o hall da fama em 2006.

1. Kurt Warner (quarterback)

Ninguém foi tão desacreditado como Kurt Warner durante a carreira: na universidade, era o terceiro quarterback da pequenina Northern Iowa. Foi bem nas poucas chances de jogar que teve, mas isso não daria a ele a possibilidade de atuar na NFL. E assim o atleta precisou rodar: primeiro, na Arena Football League, jogando pelo Iowa Barnstormers, depois, na NFL Europe, no Amsterdam Admirals. Após se destacar por essas equipes, foi para o St. Louis Rams e passou a temporada de 1998 também como segundo reserva, assim como nos velhos tempos universitários.

Em 1999, lesões fizeram com que Warner virasse, inesperadamente, o titular. E ele foi absolutamente incrível, tendo uma das melhores temporadas que um quarterback já teve na NFL e comandando o chamado “Greatest Show on Turf”, como era conhecido aquele ataque. Foram 41 passes para touchdown e 4353 jardas logo em seu ano de estreia. Com ele sendo MVP, o Rams venceria o Super Bowl XXXIV.

E por incrível que pareça, ainda aconteceria mais uma superação: após sair do Rams, Warner voltou a ser desacreditado, ficando como reserva em New York Giants e Arizona Cardinals. Porém, ele ganharia a posição no Cardinals e quase repetiria o sucesso que teve com o Rams, conduzindo também a equipe a um Super Bowl, mas dessa vez perdendo.

Warner encerrou a carreira com 36 mil jardas aéreas, 239 passes para touchdown, quatro Pro Bowls, dois All-Pros, um anel de Super Bowl e um MVP de Super Bowl.

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