sexta-feira, 27 de julho de 2018

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O Los Angeles Rams surpreendeu muita gente e teve um desempenho ótimo em 2017. Com um time sólido em todos os níveis e um esquema de ataque que se encaixa perfeitamente para o quarterback Jared Goff a equipe ganhou a divisão e foi até a pós-temporada, caindo de forma decepcionante para o Atlanta Falcons. Com a temporada de 2017 no retrovisor e 2018 no horizonte, o Rams foi forte ao mercado para tornar o que já era muito bom ainda melhor. E talvez ninguém tenha feito movimentos tão agressivos e assustadores nesta última intertemporada quanto a franquia.

Está certo que o time perdeu o ótimo cornerback Trumaine Johnson na free agency, mas compensou com folga com a vinda de Marcus Peters (Kansas City Chiefs) e Aqib Talib (Denver Broncos). O interior da linha defensiva, já monstruoso “só” por ter Aaron Donald, contará também com Ndamukong Suh em 2018. O ataque teve a saída do WR Sammy Watkins, mas trouxe Brandin Cooks para se juntar a Jared Goff e Todd Gurley. Mesmos com as perdas o Rams volta, ao menos no papel, ainda mais forte para a próxima temporada. O objetivo da franquia parece claro: vencer o Super Bowl.

Leia mais: O novo contrato de Todd Gurley pode revolucionar o mercado para os RBs

Vendo todos esses nomes fortes juntos, sucesso parece ser o único desfecho possível. Mas isso não é nem de longe uma verdade absoluta. Mesmo sem entrar em méritos de perder jogadores por lesões, há alguns pontos de preocupação neste elenco estrelar. Primeiramente um time vencedor, além de bons jogadores, costuma ter um vestiário fechado, com todos focados em um objetivo comum. Isso não quer dizer que todos precisam ser amigos e se dar bem, até porque é algo perto de impossível em um elenco com 53 jogadores (sem contar comissão técnica, dirigentes e o resto da equipe em geral) com todos trabalhando sobre extrema cobrança e pressão. Mas os objetivos precisam estar alinhados e todos os envolvidos devem estar buscando-os com afinco. Pegando por exemplo o Philadelphia Eagles do ano passado onde todos, de jogador a dirigente, vestiu a camisa de azarão e focou no objetivo do time. O resultado todos conhecemos.

E justamente isso pode ser um problema para a comissão técnica no próximo ano. Ninguém aqui duvida da capacidade de Sean McVay liderar o time e seu ataque. Nós também sabemos o quão competente é Wade Philips como coordenador da defesa. Mas a complexidade de lidar com tantas personalidades fortes pode trazer consequências para o vestiário. E no caso da equipe, todas elas estão juntas no mesmo lado da bola. Vamos ser claros aqui: nenhum time se livra de ótimos jogadores sem ter motivos para isso. Marcus Peters é um talento espetacular, tem apenas 25 anos de idade, mas mesmo assim o Kansas City Chiefs deixou-o sair de seus prédios, muito devido ao seu comportamento extremamente volátil que já lhe rendeu suspensões pelo próprio time. Aquib Talib já é um veterano, mas com históricos de problemas extra campo e com outros jogadores (especialmente Michael Crabtree). Por fim, o defensive tackle Ndamukong Suh tem uma longa lista de incidentes em seu currículo que o colocam facilmente como o jogador mais sujo na liga. Se tudo der certo e Philips e McVay conseguirem segurar as pontas esse defesa estará na briga para ser a melhor da temporada. Mas todos essas figuras tornam o vestiário do time um verdadeiro barril de pólvora. Sem dúvidas há riscos.

Fora isso e ainda na defesa existem as distrações em relação a contratos, mais especificamente para um jogador: Aaron Donald. O defensive line é hoje um dos melhores defensores da liga e sem dúvidas o melhor jogador no elenco do Rams. E Donald, hoje em seu último ano no contrato de calouro, não está nada satisfeito ao ver Todd Gurley receber um contrato record para um running back e muito menos vendo o recém chegado Brandin Cooks também obter um longo e lucrativo acordo com a franquia. Indícios apontam que o atleta não pretende jogar enquanto não assinar um novo contrato com o Rams, independente das punições ou multas que possa sofrer por essa atitude. E esse tipo de distração indubitavelmente vai para dentro do vestiário, que como já comentado, é uma bomba relógio de personalidades.

Outro ponto que precisa ser levado em conta é que ainda não vimos o comportamento do Los Angeles Rams de McVay quando a situação não está boa. Vale lembrar que, mesmo tendo um desempenho incrível na temporada passada, o técnico tem apenas 32 anos de idade. Mesmo que Wade Phillips equilibre a balança no quesito experiência (que possui mais tempo de NFL que seu head coach tem de vida), uma sequência de partidas ruins colocaria McVay em uma situação nova em sua carreira, ainda mais se vier acompanhada de problemas de vestiário. Mas caso o técnico se saísse bem na adversidade subiria ainda mais um patamar entre os técnicos na NFL.

Tudo isso que foi descrito pode tranquilamente não chegar a acontecer. Mas são preocupações justificadas que, mesmo que não admitam em voz alta, muitos torcedores do time devem ter.


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