quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

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Uma das grandes lições que conseguimos tirar da temporada regular foi a desvalorização dos Running Backs, que nunca correram tão pouco quanto nesse ano. Porém, já parou para pensar no motivo disso ter acontecido? Para começar a entender essa queda de rendimento na posição vamos primeiro comparar os atletas que passaram das 1.000 jardas terrestres nessa temporada com os que conseguiram o feito em anos anteriores. Em 2015, apenas 7 jogadores chegaram ao número mágico: Adrian Peterson (MIN), Doug Martin (TB), Todd Gurley (STL) – agora em Los Angeles –, Darren McFadden (DAL), Chris Ivory (NYJ), Latavius Murray (OAK) e Devonta Freeman (ATL), enquanto em temporadas recentes o menor número foi 13.

Adrian Peterson levou o título de jardas terrestres no ano com 1.485, o menor número desde 2007 (LaDainian Tomlinson – 1.474). Se formos comparar com campeões mais antigos ainda, o RB do Vikings só teve mais jardas do que Barry Sanders em 1990, quando o atual Hall da Fama conseguiu 1.304 jardas pelo chão.

Dos sete nomes, só Adrian Peterson conseguiu chegar aos playoffs com sua equipe, mas a história do Vikings nos playoffs acabou cedo e o time deu adeus a disputa pelo título. Já que falamos em pós-temporada, outro fato que chamou a atenção negativamente na primeira semana de jogos do mata-mata foi o “incrível” número de atletas que conseguiram ter mais de 100 jardas terrestres. Nenhum jogador dos oito times que entraram em campo no último final de semana conseguiu passar da marca. O que chegou mais perto foi Alfred Blue (HOU), com 99, mas é bom lembrar que contra o Chiefs a partida já estava praticamente decidida no terceiro quarto, então Blue correu quase metade do jogo contra uma defesa com freio de mão puxado.

COMO EXPLICAR A QUEDA DE RENDIMENTO DOS RBs?

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Não há dúvidas de que um dos grandes motivos para o insucesso dos atletas da posição seja o alto número de jogadores machucados. Além disso, as principais “vítimas” teriam perfeitas condições de terem uma boa temporada e passar das 1.000 jardas terrestres. No Seattle Seahawks, Marshawn Lynch começou a temporada jogando no sacrifício até que foi substituído em definitivo pelo calouro Thomas Rawls, que estava em uma sequência fantástica até também se machucar e encerrar a temporada com quase 900 jardas pelo chão.

No Pittsburgh Steelers, Le’Veon Bell voltou com tudo de sua suspensão nos dois primeiros jogos e estava caminhando para mais um grande ano, mas uma lesão no joelho acabou com a temporada dele. Quem ganhou a oportunidade foi DeAngelo Williams, uma das grandes contratações do ano, que chegou justamente para ser o reserva de emergência. Infelizmente, ele foi mais um que não conseguiu terminar o ano inteiro e por pouco não passou das 1.000 jardas terrestres.

A bruxa também estava solta em outras equipes e pegou justamente as grandes estrelas. Arian Foster (HOU) perdeu o início da temporada com um tornozelo machucado, mas uma lesão no tendão de Aquiles acabou com a temporada dele quando mal tinha voltado. Justin Forsett (BAL) é outro que tinha totais condições para ter mais um grande ano, mas também se machucou e ficou fora de parte final da temporada. Se fossem só esses aqui citados já seria uma grande queda de nível na posição, mas Jamaal Charles (KC) rompeu os ligamentos do joelho logo no início do ano, justamente quando o Chiefs arrancou para a pós-temporada. Assim como Chris Johnson (ARI), que tinha reencontrado as boas atuações e era peça importante do ataque do Cardinals até machucar o joelho e dar adeus aos gramados em 2015.

Fechando o grupo dos RBs que se lesionaram e perderam jogos ao longo da temporada temos Matt Forte (CHI), que deu brecha para o calouro Jeremy Langford brilhar, LeSean McCoy (BUF), Mark Ingram (NO) e Jonathan Stewart (CAR), peça importante do ataque do Panthers que estava no caminho para passar das 1.000 jardas terrestres, mas uma lesão no pé fez com que ele fosse poupado pela equipe nas duas últimas partidas do ano.

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Além dos muitos jogadores machucados, o que vimos na NFL nessa temporada foi um revezamento de RBs em algumas equipes. Podemos usar como exemplo o Green Bay Packers, que teve Eddie Lacy e James Starks sendo protagonistas em algumas partidas ao longo do ano, o Denver Broncos, que usou C.J. Anderson e Ronnie Hillman, o Cincinnati Bengals, com Jeremy Hill e Giovani Bernard já sabendo que dividiram as carregadas antes mesmo do início do ano, e o Washington Redskins, que, além de Alfred Morris e Matt Jones, chegou até a usar Chris Thompson, terceira opção do elenco.

A terceira e última justificativa para a queda de rendimento individual dos RBs é um fato que parece ser cada vez mais evidente. Atualmente, a NFL é uma liga aérea, todo ano vemos QBs e WRs recebendo caminhões de dinheiro em renovações de contrato. Para provar isso é só olhar para os números dos QBs na temporada regular: nunca tivemos tantos atletas da posição lançando para 30 ou mais TDs, um recorde que, a partir dos próximos anos, pode ser ampliado sempre mais. Essa preferência pelo jogo aéreo fica clara ao olharmos para o número de carregadas dos RBs na temporada regular: apenas Adrian Peterson teve mais de 300, enquanto em 2006 tivemos 10 atletas passando dessa marca.

Nos primórdios da NFL o jogo corrido dominava a liga, e foi assim até os anos 80 praticamente. Desde então isso vem mudando aos poucos e, como vimos ao longo do texto, estamos presenciando uma nova era no futebol americano profissional. Isso não quer dizer que os RBs não serão mais importantes, mas o que devemos ver nas próximas temporada é um número maior de times usando dois atletas para dividir as carregadas nas partidas, o que seria também uma forma de evitar lesões dos principais nomes da posições.

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