terça-feira, 2 de outubro de 2018

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Paciência. Essa é uma palavra que não costuma estar no vocabulário da grande maioria dos fãs de NFL. Assim que sua equipe seleciona um jogador com uma escolha de primeira ou segunda rodada, independente de quanto amadurecimento tal jovem necessite, todos querem ver resultados rápidos. Mas nem sempre tudo é tão simples assim. Por uma série de motivos, esse jovem jogador pode levar tempo, muitas vezes anos, para se tornar o que se esperava dele no dia do draft. É aí que surge o rótulo de “bust”, muitas vezes bem prematuramente.

Em alguns casos, o jovem jogador tem tudo necessário para se tornar um grande profissional, mas ainda assim, necessita de um tempo para adaptação. Peyton Manning foi, indiscutivelmente, um dos maiores quarterbacks da história da NFL. Quando entrou na liga, vindo da universidade do Tennessee, era considerado um dos melhores prospectos já vistos na posição de QB até então. Porém nada disso impediu que Manning tivesse uma temporada difícil como novato, liderando a liga com 28 interceptações lançadas. O Colts finalizou o ano com uma campanha 3-13, o que, nos dias de hoje, já levaria muita gente a questionar o futuro do QB. Entretanto, essa foi uma valiosa experiência para Manning, que aprendeu com os erros e na sua segunda temporada já liderou Indianápolis à pós-temporada.

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Em outros casos, apesar de possuir um grande potencial, tal jogador está longe de estar preparado e necessita de um bom tempo para desenvolvimento. Esse foi o caso de Michael Vick, escolha número um do draft de 2001. Devido à habilidades atléticas nunca vistas num quarterback, o Atlanta Falcons não hesitou em fazer uma troca com o então San Diego Chargers pela escolha número 1 para selecionar Vick. Porém, em sua primeira temporada, ele começou como reserva e atuou em apenas oito jogos, lançando 2 touchdowns, 3 interceptações e completando apenas 44.2% dos seus passes. Vick foi se desenvolvendo como passador aos poucos, sempre confiando mais nas suas pernas do que no seu fortíssimo braço esquerdo, mas chegou lá. Em 2010, teve um ano praticamente perfeito para um QB “ameaça-dupla”, completando 62,6% dos seus passes para 3018 jaradas, 21 TDs e apenas 6 INTs. Ele ainda acrescentou 676 jardas e 9 TDs correndo com a bola.

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Esses dois casos ilustram um pouco de como o primeiro ano não determina como será o futuro da carreira desses jovens jogadores. É necessário levar em consideração que muitos deles, pela primeira vez na vida, estão saindo de perto de seus lares e indo morar em um lugar muitas vezes completamente diferente em todos os sentidos. Some isso ao fato de, pela primeira vez, terem que se dedicar à bola oval como sua profissão, 24 horas por dia nos sete dias da semana. Apenas seu talento, na maioria dos casos o bastante para trazê-los até ali, já não será mais o suficiente e o status de ser uma escolha valiosa nas primeiras rodadas só acrescenta pressão aos ombros desses garotos de vinte e poucos anos de idade. Eles entram numa liga em que todos os jogadores que ali estão já passaram pela mesma situação, se não pior, e não planejam facilitar em nada a vida do novato. Acrescente ainda o fato de que, pela primeira vez na vida, muitos desses garotos acabaram de ganhar muito dinheiro e agora podem resolver problemas de vários de seus familiares e amigos que passam por dificuldades financeiras. É uma mudança muito grande na vida pessoal desses jovens e muitos não reagem bem a tudo isso.

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Em suas equipes, passam a trabalhar com verdadeiros profissionais e serem exigidos como tais. Os livros de jogadas são maiores e mais complexos, a carga de treinamentos mais pesada. Se até então eram paparicados como estrelas em suas respectivas universidades, descobrem que a realidade é bem diferente na NFL. Seus comportamentos são avaliados em todo instante, como treinam, como jogam, como se alimentam ou descansam. Para alguns garotos que até então apenas se divertiam no campo de futebol e fora dele, a NFL passa a ser desgastante e um preço muito alto a se pagar. Quem não se lembra de JaMarcus Russell, escolha número 1 geral do Oakland Raiders no draft de 2007. Considerado por muitos o maior “bust” da história, falta de talento nunca foi problema para ele. Porém Russell nunca esteve disposto a pagar o preço necessário para desenvolver suas habilidades, não se cuidava fora de campo e não se dedicava dentro dele, o que lhe custou sua promissora carreira.

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Terry Bradshaw, Troy Aikman, Eli Manning, Alex Smith, Jared Goff. Todos eles tiveram começos muito difíceis, mas deram a volta por cima. Nenhum jogador chega na NFL completamente preparado e muito do que ainda irá fazer, muitas vezes aonde os fãs não conseguem ver, é o que irá determinar o seu sucesso ou fracasso no futuro. As situações em que se encontram, com quem trabalham e a maneira como reagirão às adversidades podem ser cruciais no resultado final. Se você está com a sensação de que seu time fez um péssimo negócio no último draft, tenha calma, nem sempre tudo é tão ruim quanto parece no primeiro ano. O talento está ali, a maneira que ele será lapidado, seja pelo próprio jogador ou seus treinadores, é que determinará o futuro desses jovens talentos. Paciência, essa é a palavra chave no processo.

4 DOWNS

1st & goal: Pela segunda semana consecutiva, Carson Wentz mostrou-se totalmente recuperado da lesão que lhe tirou da última temporada, completando 33 de 50 passes para 348 jardas e 2 TDs contra a forte defesa do Titans. O QB se mostra pronto para levar o Eagles de volta à pós-temporada, mas necessitará de mais ajuda da sua defesa. A equipe cedeu 20 ou mais pontos nas suas últimas cinco partidas fora de casa e já vemos algumas reclamações direcionadas ao experiente coordenador defensivo Jim Schwartz.

2nd & goal: Com a fratura do safety Earl Thomas do Seahawks, conseguimos entender melhor a postura do running back Le’Veon Bell do Steelers. Thomas queria uma renovação exatamente para ter alguma segurança no caso do pior acontecer e agora perderá toda a temporada antes de se tornar um agente livre, o que lhe desvalorizará com certeza. Bell está protestando contra essa mesma situação e mirando a free agency do próximo ano para conseguir seu contrato longo garantido. Jogando um esporte tão violento, em que em qualquer jogada você pode ter sua carreira terminada, fica fácil de entender a postura do jogador que já mostrou o seu valor.

3rd & goal: Boa notícia para os fãs do Packers. Aaron Rodgers vem se recuperando muito bem da contusão no joelho sofrida contra o Bears a algumas semanas, mesmo não necessitando de ficar fora de jogos para isso. Contra o Bills, Rodgers mostrou sua tradicional categoria, se movimentando como ninguém dentro do pocket e ganhando valiosas jardas em scrambles quando necessário. Com o QB cada vez mais saudável, a equipe de Green Bay continua como uma das favoritas na NFC.

4th & goal: Com a semana 4 chegando, vários jogadores que cumpriram suspensão estarão de volta reforçando seus times. A fortíssima defesa do Ravens contará novamente com seu CB1 Jimmy Smith. Já Tom Brady terá a ajuda do confiável  Julian Edelman. Em Nova Orleans, o RB Mark Ingram fortalecerá o jogo corrido. Já o Bengals contará com a volta do linebacker Vontaze Burfict no miolo da sua defesa. David Irving do Cowboys, Corey Liuget do Chargers, Robert Turbin do Colts e Vadal Alexander e Daryl Worley do Raiders são os outros que voltam nessa semana. A exceção é o LB Thomas Davis do Panthers, que terá que esperar mais um jogo para voltar já que Carolina vem de uma bye week.


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