segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

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Foi pragmático. Não foi como o mundo todo esperava durante o embate, mas o resultado coroou uma verdadeira dinastia que não dá sinais de declínio mesmo após uma década e meia de domínio amplo. Um Super Bowl que reuniu a expectativa de quebra de todos os recordes ofensivos datados do Super Bowl 52 da temporada passada – em que o Eagles venceu o Patriots naquele que simplesmente foi a maior performance ofensiva na história do esporte no que diz respeito à jardas totais mas que se resumiu a um monólogo defensivo de uma brilhante mente da NFL, que conjurou seus talentos com o maior Quarterback de todos os tempos, que do alto de seus 41 anos conduziu mais uma campanha da vitória em Super Bowls – a sexta.

Isto mesmo, sexta campanha da vitória! Muitos QBs não conseguem tal número na carreira profissional e Tom Brady tem tal número apenas na grande final do esporte, o Super Bowl. O New England Patriots foi metódico e cirúrgico na montagem de seu plano de jogo defensivo e conquistou, pela sexta vez em sua rica história o troféu Vince Lombardi. Relembre como foi o Super Bowl LIII disputado em Atlanta,  na casa do Falcons, que sacramentou a maior dinastia que este esporte já viu.

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A expectativa para os amantes de ataque era a melhor possível. De um lado o QB Tom Brady, que mesmo no alto de seus 41 anos de idade e vindo de uma temporada com altos e baixos ainda era aquele que então tinha cinco títulos de Super Bowl, e que merecia respeito. Do outro lado havia o Rams, com a inevitabilidade da juventude e tomada de força dentro da NFL. Seu HC de 33 anos – mestre ofensivo  e seu Quarterback de apenas 24, que torceu as defesas adversárias por três meses sem dar sinais de fraqueza representavam a combinação perfeita para reestabelecer a ordem de equilíbrio que se instaurou na NFL ao longo da história. Em vez disto, vimos um rendimento vintage da melhor dupla QB-HC de toda a história e a certeza – para alguns insatisfação, de sabermos que ainda não há o equilíbrio tão querido por todos neste esporte.

Seja qual for a perspectiva de análise do rendimento ofensivo do Rams na partida de ontem, salta aos olhos ineficiência da equipe em simplesmente mover as correntes dentro da partida, algo natural para os comandados de Sean McVay mesmo nestes playoffs. A monstruosa unidade ofensiva compilou 32.9 pontos de média durante a temporada regular e nos playoffs – contra as boas defesas de Dallas Cowboys e New Orleans Saints foram 28. A defesa do Patriots, que tomou 31 pontos do Chiefs apenas no segundo quarto do AFC Championship Game simplesmesmente ergueu o muro e não permitiu praticamente nenhuma jogada de impacto durante os sessenta minutos. Não fosse o K Greg Zuerlein acertar um difícil FG de 53 jardas na parte final do embate o Rams teria saído do Superdome zerado no placar, algo inédito na história do Super Bowl. O Rams foi para o punt nas oito campanhas iniciais até conseguir o citado FG e viu o P Johnny Hekker trabalhar em nove das dez campanhas totais que tiveram no Super Bowl. O outrora imparável ataque compilou apenas 260 jardas totais e 14 primeiras descidas durante os sessenta minutos – claramente ineficientes para derrubar a dinastia patriota que se instaurou.

A primeira posse de bola foi do Patriots e após um bom retorno do WR Cordarralle Patterson e algumas boas corridas do calouro sensação RB Sony Michel, veio o primeiro susto da noite para os comandados de Bill Belichick. Brady foi interceptado pelo LB Cory Littleton em uma tentativa de passe para o WR Chris Hogan já dentro do território do Rams, o que poderia ser o indício de um jogo bastante prolífico para os comandados de McVay, mas o punt após três jogadas que denotou o ritmo deste então imponente ataque durante toda a partida.

Após alguns punts o Patriots até caminhara território adentro do Rams, mas o sempre confiável K Stephen Gosktowski errou um protolocar FG de 46 jardas para manter a igualdade no placar – que se manteve até o final do primeiro quarto.

Nesta altura do jogo, o WR Julian Edelman (eleito o MVP do Super Bowl) tinha mais jardas sozinho que toda a equipe de Los Angeles, tamanho desempenho defensivo extraordinário apresentado pela defesa comandada por Brian Flores. O provável novo técnico do Miami Dolphins confundia a pobre linha ofensiva do Rams com stunts, formações não tão balanceadas e blitzes criativas que deixaram o sempre calmo e sereno Jared Goff muito inquieto no pocket – a denotar pelos quatro sacks que o jovem Quarterback sofreu. O primeiro zero do placar finalmente foi retirado  com dez minutos para o intervalo, com um chute preciso de Gostkowski, que desta vez não errou um disparo de 42 jardas para abrir o placar em Atlanta. Os times pouco fizeram até o intervalo – a excluir uma ótima jogada da defesa do Rams que parou o Patriots em uma 4ª para uma jarda já em seu próprio campo, mas o ataque, anêmico até então, nada pode fazer.

A segunda etapa veio e o monólogo defensivo do Patriots apenas se fortificou. Todd Gurley, candidato à MVP e jogador ofensivo da temporada apresentou a mesma ineficácia do final da temporada – o que levanta questões acerca da saúde do All Pro RB. Será Gurley, no auge de sua forma física capaz de compilar apenas 37 jardas em dez tentativas contra o Patriots? CJ Anderson, o veterano que ressurgiu na parte final da temporada também não foi efetivo como antes e pouco pode-se exigir de um atleta claramente não preparado para assumir todos os holofotes, afinal esta é a função de Gurley.

A excluir alguns bons passes de Goff para Robert Woods e Brandin Cooks, o ataque do Rams nada fazia. Zuerlein acertou o citado FG de 53 jardas já no terceiro quarto para empatar o confronto mas aí vimos a mágica de Brady acontecer no momento mais necessário.

Há 09:49 do final do jogo, Brady precisou de apenas cinco jogadas para avançar 69 jardas dentro do campo – incluindo dois passes monumentais para o TE Rob Gronkowski, pois é isto que os melhores da história fazem, eles se adaptam e se superam no momento de pressão. Não há como culpar a marcação do Rams, as chamadass de Wade Phillips (o coordenador defensivo), a escolha da marcação homem-a-homem sobre a outrora arma mais impiedosa da NFL. Devemos apenas reverenciar o que deve ser reverenciado.

O toque colocado por Tom Brady nestes dois momentos cruciais dentro da partida guiaram Gronk a recepções de 18 e 29 jardas que avançaram a equipe território adentro. O RB Sony Michel anotou seu 5ª TD terrestre na pós-temporada e agora só o lendário RB Terrell Davis tem mais TDs pelo chão em uma única edição de pós-temporada que o calouro do Patriots, mas no melhor roteiro cinematográfico, o final reservou grandes emoções também.

Não foi o Super Bowl do ataque, mas sim da defesa, e seria a defesa quem colocaria o punhal na ânsia do Rams em conquistar seu segundo título na história. Pressionado durante todo o jogo, Goff lançou um passe simplesmente lamentável buscando Robert Woods que encontrou o braço do CB Stephon Gilmore já na hora da verdade do embate, sepultando o sexto título do Patriots nesta década – todos comandandos pela dupla Brady e Belichick.

Inconsolável, Goff trouxe para si toda a culpa da derrota de sua equipe: “não me pediram para anotar 30 pontos. Nossa defesa fez um jogo monumental. Este era um jogo que precisávamos de dois TDs para vencer e não consegui guiar nosso time a isto. A culpa está em mim.” Declarou.

Será mesmo? Brady e o Patriots desafiam o tempo, o pior inimigo de todos. Não há sinais de declínio neste time vencedor que se acostumou a se adaptar frente à qualquer adversidade e encontrar soluções onde outros não encontrariam. Edelman, MVP do Super Bowl, foi um QB convertido em WR recrutado na 7ª rodada do Draft de 2009. Enquanto muitos nesta situação já se encontram totalmente fora do cenário da NFL – e muito longe de qualquer estrelado, Edelman coroou uma carreira que, se não imortalizada no Hall da Fama do esporte, estará imortalizada como exemplo de superação.

Este é o jeito patriota, concorda?


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