terça-feira, 25 de dezembro de 2018

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A grande vitória sobre o Kansas City Chiefs no Sunday Night Football da semana 16 garantiu o Seattle Seahawks nos playoffs. Antes da temporada começar, poucos consideravam este um cenário provável em uma NFC recheada de concorrentes. No entanto, Pete Carroll entregou um dos melhores trabalhos de sua carreira e aqui está seu time classificado com uma rodada de antecedência.


Tudo começou com uma offseason conturbada. Após não conseguir chegar nos playoffs pela primeira vez desde que Russell Wilson assumiu como o quarterback da franquia, Carroll e o general manager John Schneider perceberam que o time da forma como estava montado já apresentava sinais de desgaste, com alguns jogadores envelhecidos e de história feita na NFL, muitos dos quais participaram da conquista do Super Bowl XLVIII. Assim, decidiram promover mudanças.

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O primeiro passo foi a demissão de diversos membros da comissão técnica, como o coordenador ofensivo Darren Bevell e do defensivo Kris Richard, além do muito criticado Tom Cable, que treinava uma das piores linhas ofensivas da liga há alguns anos. Para seus lugares, foram trazidos Brian Schottenheimer, Ken Norton Jr e Mike Solari, respectivamente. Para completar, todos estes novos nomes foram contestados por trabalhos abaixo da média em empregos anteriores.

Já no que diz respeito aos jogadores, foi o fim da era da Legion of Boom, a secundária marcante que foi uma das melhores histórias da NFL nesta década. Richard Sherman foi cortado e assinou com o 49ers, Kam Chancellor se aposentou e Earl Thomas contribuiu para o tumulto ao se afastar durante todo o período de treinos antes da temporada em busca de um novo contrato. Thomas retornou a tempo do início do campeonato e jogou em alto nível até sofrer uma fratura na perna esquerda na semana 4 e ver seu ano e provavelmente sua carreira no Seahawks terminar abruptamente.

Junte isso à troca de Michael Bennett e ao corte de Cliff Avril por conta de uma séria lesão no pescoço e se tem uma defesa que perdeu quase todos os principais pilares. No lado ofensivo, Jimmy Graham e Paul Richardson foram saídas marcantes e o P Jon Ryan, atleta mais antigo da franquia naquele momento, também teve seu contrato rescindido.

Toda essa conjuntura de mudança junto a um Draft que não foi muito bem avaliado por especialistas em geral trouxe uma expectativa muito negativa para a temporada do Seahawks. É nesse momento que o grande trabalho de Pete Carroll merece destaque.

Um treinador de qualidades motivacionais acima da média e um grande talento para desenvolver talentos, Carroll viu seus principais atributos sendo usados de maneira abaixo do ideal com um elenco de veteranos que não tinham muito mais como evoluir e talvez não tivessem mais a mesma fome de antes para buscar resultados. Assim, foi promovida uma alteração radical nos nomes envolvidos no dia-a-dia da comissão técnica e em campo, mas o mais importante foi que a cultura se manteve e as palavras do treinador encontraram novos atletas, com mais fome e vitalidade para brigar e escreverem seus nomes.

Obviamente o projeto de substituir quase metade da defesa e diversos dos melhores jogadores da defesa se provou complexo e nem sempre foi bem sucedido. No entanto, nomes como o DE Frank Clark e o S Bradley McDougald entregaram grandes saltos de qualidade e ajudaram no processo, enquanto outros como o LB Bobby Wagner seguiram jogando em patamar de elite. O DT Jarran Reed e o FS Tedric Thompson cresceram de produção e o DT Poona Ford se mostrou um achado interessante nas últimas semanas. Além deles, vale destacar o CB Tre Flowers que parece estar se encontrando após um começo difícil e o CB Justin Coleman, que seguiu em bom nível como defensor do slot. Na semana 16, a equipe ainda teve o retorno do ótimo LB KJ Wright, que passou a maior parte da temporada lesionado. Por outro lado, o CB Shaquill Griffin não mostrou a evolução esperada e tem sido atacado constantemente pelos adversários.

No ataque, o que se vê é a decisão de tomar uma postura de ir contra a cultura da NFL. Em uma época na qual ataques aéreos dominam a liga e pontuações estão em alta, o Seahawks é o único time da NFL até o momento que tentou mais corridas do que passes na temporada. Com um trio de RBs formado por Chris Carson, Mike Davis e a escolha de primeira rodada Rashaad Penny, o time tentou cerca de 33 corridas por partida com mais de 150 jardas terrestres por jogo em média. Para melhorar a situação, quando tem dificuldades para estabelecer o ataque terrestre, a equpe ainda conta com um dos melhores QBs da liga para vir ao resgate. Russell Wilson está a apenas um TD lançado de conquistar sua melhor marca na carreira e se encaminha para terminar com seu melhor rating, o que tem ajudado muito o sistema ofensivo de Seattle a produzir em bom nível.

Com uma nova identidade ofensiva, um QB que está próximo do mais alto nível da NFL, uma linha ofensiva que teve evolução gritante e uma defesa que pode não ter o mesmo desempenho de outrora, mas ainda é uma unidade sólida, o Seahawks conseguiu reverter a situação adversa encontrada antes da temporada com um elenco que comprou o discurso de Pete Carroll. Agora classificado para os playoffs, o time tem tudo para ser um adversário duro para qualquer campeão de divisão. De qualquer forma, entrará nos playoffs desacreditado por muitos, mas a história já mostrou que não é tão prudente subestimar o trabalho de Carroll.


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