segunda-feira, 26 de novembro de 2018

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Na próxima semana estaremos em Dezembro, e 75% da temporada regular já terá sido jogada nesta altura. Ao mesmo tempo que temos praticamente definidos os times que brigam pelas escolhas mais altas no Draft de 2019, aqueles que já não tem grandes aspirações e os que começam a se preparar para as batalhas de playoff em Janeiro – e quem sabe o Super Bowl no primeiro Domingo de Fevereiro, os candidatos aos mais variados prêmios da temporada regular também começam a destoar do restante dos atletas da NFL.

Os atletas mais badalados – principalmente as jovens estrelas que chegam do College Football e tomam a NFL para si com uma injeção de juventude e talento dentro de seus respectivos times parecem fadados à ganharem as manchetes semanais e compilares dois ou três prêmios individuais nesta situação. Jogadores mais veteranos, por sua vez, encaram com certa naturalidade esta “sucessão de trono”, afinal a torcida está ansiosa para ver as novas faces que guiarão seus times na próxima década, o que é compreensível. Mas para tais veteranos em estágio final de carreira e suas equipes, o tempo é sempre agora.

Uma das equipes que começará a respirar pós-temporada daqui alguns dias é o Los Angeles Chargers. Comandado pelo veteraníssimo Quarterback Philip Rivers, a equipe chegou à oitava vitória em onze jogos e, graças a um desempenho descomunal do Kansas City Chiefs que provavelmente extirpará as chances de título de divisão, uma vaga no jogo de Wild Card parece estar no horizonte dos comandados de Rivers, que completará 38 anos daqui duas semanas.

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Mas, como um bom vinho, o melhor desempenho de Rivers aflora nesta parte final de sua boa carreira – embora possivelmente marcada por nunca ter conseguido um título no Super Bowl. Na vitória acachapante de sua equipe contra o Arizona Cardinals por 45 x 10 na última rodada, Rivers reescreveu o livro dos recordes da posição em diversos quesitos, inclusive alguns que perduraram por décadas até a tarde do Domingo. Rivers foi perfeito por 25 passes consecutivos – a maior marca na história da NFL. Na última campanha de sua equipe, o QB tentara evitar um sack na tentativa de passe para o RB Austin Ekeler e acabou por lançar um passe incompleto – o seu único na partida. Foram 28 de 29 passes conectados com seus recebedores ao longo da tarde, a nova melhor marca de porcentagem de passes completos com 96.6%.

Pareceu o melhor Rivers que já vimos ao longo de sua carreira, naquele Chargers do meio da década passada com LaDaniam Tomlimson, Antonio Gates e Vincent Jackson, em que a equipe era a “intrusa” dentro de uma conferência dominada pelo Colts de Peyton Manning e o Patriots de Tom Brady.

Mas será que é mesmo a melhor fase da carreira de Rivers? Os números dizem que sim.

Partindo do Thanksgiving da temporada passada contra o Dallas Cowboys, em que Rivers completou 82% dos passes para 434 jardas, é a melhor sequencia da longa carreira do QB – datada do ano de 2004. Nas 17 partidas à partir do Dia de Ação de Graças do ano passado (até a última vitória), os números dele são: 5120 jardas aéreas (9.08 de média por passe), 68.2% de sucesso nas conexões de passe com 37 passes para TD e apenas nove interceptações lançadas.

É uma coincidência incrível que Rivers e o atleta que foi preterido em função dele no começo da carreira (Drew Brees) estejam jogando em altíssimo nível no estágio final de suas respectivas carreiras. Em pouco mais de um mês Brees terá 40 anos e Rivers terá as citadas 37 primaveras. Rivers lidera seu time, bem encaminhado para os playoffs como Wild Card, a um jogo no horário nobre contra o Steelers no próximo domingo, um ótimo teste para as ambições desta equipe que, desde o citado confronto contra o Cowboys, tem o recorde de 13-4 e compila ótimos números ofensivos e positivos.

É praticamente impossível que, em meio a tantas jovens estrelas em ascensão (Patrick Mahomes, Jared Goff e Todd Gurley) combinados com atletas fantásticos já estabelecidos como o próprio Brees e Ben Roethlisberger, um veterano que teve a carreira marcada pela regularidade (e igual falta de holofotes sobre si) consiga uma virada de mesa na parte final da temporada regular. Lê-se: Philip Rivers não será o MVP da temporada de 2018.

Mas ele merece ser citado com mais carinho.

As vezes, ao pensarmos no fato que ele sempre esteve lá no Chargers, com suas temporadas seguidas de 4000 jardas aéreas e 30 TDs de passe em uma época (não tão distante, é verdade) com muito mais dificuldades para os ataques do que esta “pass-happy” fase da NFL, isto é, com os ataques levando ampla vantagem sobre as pobres defesas – talvez não damos o citado valor em um desempenho tão sólido que se arrasta por mais de uma década e meia. Rivers é muitas vezes lembrado pelo famoso “jogo do ligamento cruzado rompido” nos playoffs de conferência – quando atuou contra o Patriots de Tom Brady com os ligamentos do joelho rompidos e ainda assim quase conseguiu guiar o então San Diego Chargers para o Super Bowl, do que pelo seu ótimo desempenho ao longo das temporadas, e neste ano temos a prova real disso.

Rivers é sim um dos cinco melhores Quarterbacks desta temporada e além dos números provarem isso (as vezes mentirosos) quem se dedica minimamente à análise dos atletas da posição neste ano também concordará com isso.

Devido à alta competitividade que fora obrigado a enfrentar ao longo de suas temporadas em San Diego e agora em Los Angeles, talvez Rivers se aposente em breve sem nenhum grande título individual em sua carreira a não ser as seguidas seleções para o Pro Bowl e claro, virtualmente todos os recordes de passe da franquia que defende desde 2004, o que realmente é uma pena.

Philip Rivers é o candidato à MVP que ninguém fala a respeito.


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