segunda-feira, 30 de julho de 2018

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Com os Training Camps acontecendo a todo o vapor e há poucos dias do Hall of Fame Game (que será realizado na próxima quinta-feira) já entramos de cabeça na temporada de 2018. Os olhos estão voltados agora as brigas por posições, aos possíveis cortes e principalmente ao desempenho dos calouros nos primeiros treinos mais fortes com o restante do time. Mas à poucos dias do início da pré-temporada ainda temos duas escolhas de primeira rodada do Draft sem contrato assinado com seus respectivos times e, consequentemente, ainda sem participação nos training camps.

Antes de entrar nelas, vale ressaltar que essa situação não é incomum na NFL. Em um passado bem recente, Joey Bosa ficou quase um mês sem participar do training camp do Chargers devido a divergências na assinatura do contrato,especificamente em um valor de compensação que o jogador poderia receber (ou não) caso fosse dispensado depois do seu terceiro ano na liga. O contrato da franquia com Bosa (terceira escolha do draft de 2016) foi assinado apenas no final de agosto com o então maior bonus de assinatura na história do Chargers. Hoje poucos lembram do fato, especialmente pelo desempenho que o atleta tem demonsntrado jogando pela franquia.

O linebacker Roquan Smith foi a escolha de primeira rodada do Chicago Bears (oitava geral no Draft). Cotado como melhor calouro na posição, sendo voraz em seus tackles e com habilidade de se movimentar de lateral a lateral, o atleta não saciou a vontade dos fãs da franquia de vê-lo completamente equipado e treinando com seus companheiros. Boa parte da discussão sobre o contrato entre o calouro e o time tem como base uma frase: “É uma falta se o jogador abaixar sua cabeça para iniciar e fazer contato com seu capacete contra um oponente”. Exatamente, tudo está girando ao redor da nova e pouco explicada regra de contato incial com o capacete.

Por essa nova regra, uma falta cometida assim será uma penalidade de 15 jardas e ainda poderá ser revisada pela comissão de arbitragem com penas maiores para o jogador, como exclusão dele do jogo ou até mesmo uma suspensão do jogador. Dadas todas as incertezas que ainda rondam essa regra e como será aplicada na prática, os representantes de Smith querem uma cláusula no contrato que garanta que o jogador não irá perder nada de seu dinheiro garantido caso seja suspenso por esta nova regra. Já o Bears está receoso em colocar esse trecho no papel, tendo ao invés disso assegurado informalmente que serão razoáveis caso a liga aplique qualquer ação disciplinar ao jogador. Enquanto o impasse continua, o que é certo é a ausência do linebacker no Hall of Fame Game contra o Baltimore Ravens na próxima quinta feira.

Já na costa leste, o quarterback Sam Darnold é outro que ainda não se apresentou aos treinamentos. Cotado por muitos para a primeira escolha geral do Draft, Darnold acabou saindo para o Jets na terceira escolha geral e tem em seus ombros a esperança de um futuro melhor para a franquia. Dado isso é estranho vermos essa demora na assinatura do contrato, a ponto do jogador estar perdendo o início do Training Camp. No caso de Darnold, a discussão está sobre dois pontos: cláusulas que regulam sobre cortes no pagamento em caso de lesões em atividades radicais fora do campo; e especialmente os offsets do contrato, cláusulas de garantia sobre o valor que o jogador pode ou não receber do time caso seja dispensado em seu quarto ano.

Desde que o novo acordo coletivo entre os jogadores e a liga definiu como funcionam os contratos de calouros selecionados na primeira rodada, poucas variáveis estão abertas para discussão, e cláusulas de offset é uma delas. Resumindo o funcionamento desse ponto, um contrato de um calouro de primeira rodada tem validade de 4 anos, com a opção do time extender para o quinto ano. No início do quarto ano do contrato, a franquia pode dispensar o jogador. Caso o contrato não tenha cláusulas de offsets, o time precisará pagar o valor integral ao jogador para aquele ano, mesmo o tendo dispensado. Pegando por exemplo um jogador que tenha um contrato de calouro de 10 milhões por temporada: se no quarto ano a franquia que o selecionou no draft o dispensar e ele assinar com outro time por esse mesmo valor, ele irá receber 20 milhões nessa temporada, 10 do time que o dispensou e 10 do seu novo time. Agora se o contrato possui cláusulas de offset, utilizando a situação acima apresentada, o time que dispensar o jogador está fora da jogada, sem precisar pagar nada ao jogador.

Resumindo, um contrato com cláusulas de offset é bom para o time, enquanto sem cláusulas de offset beneficia o jogador (que pode lucrar em dobro em uma temporada). Obviamente, o Jets querem offsets no contrato, enquanto Darnold não quer. Tentar achar sentido nessa relutância do Jets em pagar quem tem tudo para ser a futura cara da franquia é complicado. Afinal, estamos falando de uma organização que pagou 10 milhões de dólares nas duas últimas intertemporadas para Josh McCown.

ATUALIZADO: Sam Darnold e o NY Jets chegaram a um acordo no início da tarde. O contrato será de 4 anos (com opção para 5° ano) e 30,25 milhões de dólares totalmente garantidos.

 

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