sexta-feira, 31 de maio de 2019

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O grande assunto do momento no mundo dos esportes americanos é a final da NBA. O Toronto Raptors venceu o primeiro duelo contra o Golden State Warriors e sua cidade demonstrou uma atmosfera incrível para sufocar os adversários e a dinastia que carregam.

Não há país que não seja apaixonado por esportes. O Canadá não é diferente. Há uma certa tradição olímpica, uma seleção muito vitoriosa no hockey sobre o gelo e franquias em quase todas as grandes ligas norte-americanas: NBA, NHL, MLB, MLS… falta apenas a NFL.

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Mas isso não significa que o futebol americano não é popular na terra ao norte dos Estados Unidos. Além de possuir a CFL (Canadian Football League), uma grande porcentagem da base de fãs do Buffalo Bills, franquia muito próxima à fronteira, vem de lá. Tanto que já aconteceu em muitas temporadas da equipe mandar um jogo de temporada regular em Toronto. Considerando tudo isso, temos que nos perguntar: por que não há uma franquia da NFL em terras canadenses?

O Toronto Argonauts, da CFL.

Para começar, precisamos entender que o futebol americano e o futebol canadense, apesar de muito parecidos, são diferentes. Se você já assistiu a uma partida da CFL, com certeza notou isso. Ambos derivam do rugby e tiveram suas regras basilares decididas aproximadamente na mesma época. Desde então, tomaram caminhos paralelos, mas separados.

Essa diferença entre o jogo praticado nos Estados Unidos e o jogo praticado no Canadá foi uma pedra no caminho de uma expansão para o norte. E especulações e namoros nunca faltaram. Afinal, Toronto é menor apenas do que Nova York e Los Angeles. Seria uma adição de mercado muito valiosa para a NFL.

Desde a década de 1950 existem tentativas de levar a NFL para o Canadá. A primeira foi quando o Dallas Texans (não confundir com a franquia da AFL que se tornaria o Kansas City Chiefs – não existem relações entre os dois) precisava sair da cidade para parar de disputar o mercado com o Cowboys. Houve uma série de negociações e por muito pouco o martelo não foi batido. Problemas financeiros impediram o negócio e o time acabou extinto.

Sempre houve uma relação de amizade entre NFL e CFL. Por isso, muitos dos comissários que lidaram com as possíveis realocações para Toronto ou outras cidades canadenses sempre trataram o assunto com cautela. Eles não queriam que a soberania da liga local fosse ameaçada no país, o que fatalmente aconteceria com a chegada da maior entidade esportiva do planeta.

E o próprio congresso canadense tentou proteger o seu esporte. Em 1974, foi proposto o Canadian Football Act, que daria um monopólio protegido pelo governo à CFL, impedindo que qualquer outra liga de “football” pudesse se estabelecer por lá. Por mais que tal lei não tenha sido aprovada, a sua discussão motivou a mudança do Toronto Northmen, da extinta World Football League, para Memphis.

Portanto, o futebol canadense sempre foi o elefante atrás da porta para a ida da NFL ao Canadá. Tanto pela amizade entre as ligas dos dois países (a norte-americana inclusive já fez doações em dinheiro para ajudar a CFL em tempos de vacas magras), como pela resistência de certos setores da população do país nortenho ao que poderia ser predatório à cultura local.

Isso não significa que tentativas não aconteceram. Nem que a chegada da NFL ao Canadá não esteve muito próxima de acontecer em ocasiões recentes. Na última expansão, que resultou na entrada do Houston Texans na liga, Toronto foi destino finalista ao lado da cidade texana e de Los Angeles (na época, sem nenhuma franquia). Na época, começou a haver declarações de autoridades canadenses de que “a CFL pode sobreviver mesmo com uma franquia de outra liga por aqui”.

Mas nunca houve uma chance tão grande da NFL chegar a Toronto como em 2014. A morte de Ralph Wilson fez com que o Buffalo Bills fosse colocado à venda. Um dos grupos interessados na compra, que contava inclusive com o astro do rock Jon Bon Jovi entre os acionistas majoritários, tinha a intenção de levar a franquia para o norte.

Torcedores do Buffalo Bills protestam contra a possível compra da franquia por Jon Bon Jovi

A proposta de 1.05 bilhão de dólares feita por esse grupo foi a segunda maior, perdendo para os 1.4 bilhões dos vencedores, liderados pelo dono do Buffalo Sabres, da NHL, Terrence Pegula. Os novos donos se comprometeram a manter a franquia em Buffalo ao assumir o controle.

Com a NFL sendo um negócio cada vez mais forte e levando sua marca para o mundo todo, parece improvável que ela não chegue a Toronto em algum momento e que ela não sufoque a CFL. Mas, no momento, não existem planos reais de expansão.

Deve demorar mais uma boa quantidade de anos para que a NFL tenha um time no Canadá. As melhores oportunidades na próxima década estarão nas possíveis realocações de Jacksonville Jaguars, Carolina Panthers e Tampa Bay Buccaneers, equipes que têm sofrido com o pouco apoio de seus mercados locais. Mas tudo isso, atualmente, é mera especulação.

O Canadá continua recebendo jogos eventualmente: em 2019, acontecerá por lá uma partida de pré-temporada entre Oakland Raiders e Green Bay Packers. E a CFL continua viva, com nove franquias e planos de expandir a sua marca para Europa e México.

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