sexta-feira, 26 de abril de 2019

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Todos os anos, após o término do Super Bowl, os rumores das montagens dos elencos se espalham pelo mundo da NFL. Uma das formas de se montar o elenco de uma franquia da NFL é através do draft, que é basicamente uma divisão de times do famoso “rachão” da aula de Educação Física, onde os times selecionam os jogadores vindos da universidade em ordem inversa das campanhas do último ano. Neste texto, trataremos de um assunto recorrente ao fã da NFL que não é expert: Por que nem todo quarterback superstar do College Football se torna um superstar na NFL?

Antes de tudo, vamos contextualizar a situação e considerar que o College Football não é categoria de base da NFL e muito menos uma divisão inferior, portanto, os times de College Football recrutam, treinam, planejam e jogam para serem campeões nacionais no College Football, que é um campeonato com universidades e técnicos badalados, muito dinheiro e status envolvidos e por isso, não importa se o jogador é senior e não conhece um ataque pro-style, desde que ele seja prolífico para o esquema que o time julga ser necessário para vencer no College Football.

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Jogadores como Ryan Leaf, Jamarcus Russell, Tim Tebow e Mark Sanchez eram superestrelas no College Football, mas quando chegaram na NFL não conseguiram o mesmo rendimento. A invasão da Spread Offense no College faz com que esses jogadores sejam recrutados mais a partir de aspectos físicos que se encaixam na Spread Offense do que qualquer outra coisa. Os treinadores facilitam ao máximo o Playbook, as chamadas, as leituras para que o jogador possa usar sua vantagem física sobre a defesa adversária. Já a defesa não é nem próxima de uma defesa da NFL, o que também colabora pro hiato de perfomance citado antes e também valida a narrativa onde em nenhuma hipótese, um time de College Football venceria um time da NFL, independente se são os Lions do 0-16 de 2008 ou os Browns do 0-16 de 2017. Jogadores considerados menos talentosos e com menor produção em seus anos de universidade (e por consequência, menos desejados no draft) podem ser exceções, onde jogadores se adaptam rápido ao ataque pro-style, por trabalho duro ou puro talento, mas isso nem sempre acontece, por essa dificuldade em se saber qual o nível do jogador no aspecto mental do jogo, ainda mais na posição de quarterback que esse aspecto é tão exigido.

Alguns jogadores de sucesso da posição de quarterback saíram na segunda, terceira ou quarta rodadas, eram menos badalados e desejados saindo do college, casos de Russell Wilson, Joe Montana, Roger Staubach, Rich Gannon e o caso mais emblemático, Tom Brady. Então, respondendo a pergunta inicial do texto, o jogo do College Football é praticamente outro, quando comparado ao nível Pro. As defesas são maiores, mais rápidas e mais complexas, os sistemas e a execução deles requer uma força mental muito grande e quando jogadores que não desenvolveram esse jogo mental e confiaram no seu físico em toda carreira universitária se deparam com isso, geralmente causam lancem épicos como o “buttfumble” (procurem no YouTube).

 

Já houveram e haverão muitos casos desses ao longo dos anos e o scout dos olheiros fica cada vez mais complexo a cada draft devido a tudo isso. Obviamente a parte física importa muito para jogadores da posição de quarterback, o exemplo desse ano é Daniel Jones, quarterback da Universidade de Duke, que tem um braço bem fraco e deixa a bola muito tempo no ar, favorecendo a defesa. Alguns times, consideram Jones um quarterback digno para ser titular, pelo seu processamento mental, mas eu nunca o escolheria na primeira rodada do draft por conta da falta de força no seu braço. Enquanto isso, em 2007, Al Davis, então dono e general manager dos Raiders, se apaixonou pelo atleticismo e pelo braço de Jamarcus Russell, então quarterback da Universidade de Lousiana State (LSU) e o escolheu com a escolha número 1 do draft, o que se mostrou um erro por Russell não conseguir acompanhar o ritmo mental do jogo profissional. O draft é um processo imprevisível, ainda mais para os quarterbacks, com várias surpresas e em 2019, veremos se as escolhas de quarterback foram acertadas ou não.

 

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