segunda-feira, 6 de julho de 2020

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A partir de 2020, o Washington Redskins será rebatizado para disputar a nova temporada da NFL. Ao menos é isso o que o comunicado oficial divulgado pela franquia na última sexta-feira (03) deixa implícito, com o time decidindo debater internamente a mudança do seu nome já a partir deste ano. Pressionada há décadas sobre o assunto, a equipe viu a situação ficar insustentável financeiramente na última semana, quando alguns dos principais parceiros comerciais de Washington passaram a exigir a mudança, evidenciando a possibilidade de se distanciar da franquia e causar ainda mais danos ao time. Mesmo sem uma data oficial para definir as mudanças, o comunicado divulgado pelo Redskins deixa claro que pela primeira vez em sua história a equipe está debatendo de forma intensa sobre o assunto e a modificação parece inevitável. Mas afinal, por que o Washington Redskins pretende mudar o seu nome?

Para responder essa pergunta, é fundamental entender a origem do termo “Redskins”, que em 1933 foi usado para denominar o antigo time de futebol americano de Boston, que quatro anos depois se mudaria para Washington. Segundo pesquisadores, o primeiro registro oficial do termo é de 1769, quando colonizadores britânicos traduziram uma carta de um chefe indígena usando a palavra para se referir aos índios norte-americanos durante o período de colonização. Desde então, termo é usado culturalmente de forma depreciativa quando associado ao povo indígena e gera bastante controvérsia. A decisão de batizar a franquia como “Redskins” foi defendida pelo ex-dono da equipe, George Preston Marshall, como uma forma de homenagem à um ex-treinador do time na década de 30, assim como aos jogadores de origem indígena do elenco.  Marshall ficou conhecido por ser o último dirigente da NFL à promover a integração de jogadores negros ao esporte, já em 1961.

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As reclamações sobre o controverso nome da franquia não são uma novidade, muito pelo contrário. Em março de 1972, um grupo de nativos norte-americanos se encontrou com o Presidente do time na época para pedir a exclusão do termo “Redskins” do nome oficial, mas a equipe optou por mantê-lo e modificar algumas letras de canções e também as fantasias usadas pelas cheerleaders, ignorando o principal pedido do grupo. Desde então, Washington vinha contando com a apoio velado da NFL para manter o seu nome original, com a liga fazendo pouco caso de uma possível mudança e deixando a decisão nas mãos dos dirigentes da franquia. Em 2013, o atual dono do time, Dan Snyder, chegou a dizer em entrevista que Washington jamais mudaria o seu nome, reacendendo novamente a polêmica em relação ao assunto.

Após a declaração de Snyder há 7 anos, diversas pesquisas de opinião foram realizadas com pessoas de origem indígena para entender como o termo “Redskins” no nome de uma franquia da NFL as fazia se sentir desrespeitadas ou ofendidas. Embora os resultados apresentem uma divisão de opiniões sobre o assunto, as pesquisas mais recentes, impulsionadas também pelas ondas de protesto contra a violência policial causada pelo racismo contra os afro-americanos nos EUA, colocaram o tema de volta nos holofotes, desta vez resultando em uma resposta positiva da franquia sobre a mudança do nome.

QUESTÃO FINANCEIRA INTERFERIU NA DECISÃO DO REDSKINS

Embora a retirada do termo tenha justificativa social, é inegável que a questão financeira da decisão de não ceder aos pedidos pela modificação no passado acabaram interferindo diretamente no novo posicionamento de Dan Snyder e da franquia. No final de junho, alguns dos principais parceiros comerciais da equipe, entre eles a FedEx, que dá nome ao estádio do time, a Nike, fornecedora de materiais esportivos do Redskins, e a Pepsi, demonstraram seu descontentamento com a forma como os dirigentes abordavam o tema em um período de protestos e reivindicações sociais, dando sinais claros de que poderiam se afastar da franquia caso não fosse conduzido um debate sério sobre a mudança do nome. Sem arriscar possíveis perdas financeiras, Washington optou por finalmente dar início ao processo de modificação, que deve acontecer ainda em 2020.

A partir de agora, cabe à franquia mostrar que a mudança não ficará apenas no papel para diminuir prejuízos financeiros e amenizar os protestos que voltaram a fazer parte do dia a dia da equipe. Se esportivamente uma mudança de nome não tem o poder de afetar o desempenho de um time, a chance de um recomeço impulsionado por uma causa nobre e com raízes sociais pode trazer de volta a torcida para caminhar ao lado da franquia, que nos últimos anos passa por uma reconstrução e vem colecionando resultados ruins dentro de campo. Washington, que ainda não sabe qual nome irá utilizar no futuro após a mudança, tem em suas mãos a chance de iniciar um novo capítulo da sua história da forma mais digna possível e, caso saiba aproveitar esse momento de modificações e evolução, voltar a figurar entre as equipes mais Importantes da NFL, desta vez pelos motivos corretos.


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