quarta-feira, 18 de novembro de 2020

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Todos os brasileiros que acompanham esportes estão acostumados a ver uniformes de times repletos de marcas de patrocinadores. Isso porque o futebol é a modalidade mais presente no nosso cotidiano, e a relação do esporte com as marcas é muito próxima. Inclusive, várias camisas de times ficam marcadas por conta dos patrocinadores principais, que podem dar mais charme ao uniforme ou comprometer a beleza.

Por isso, muitos se perguntam por que os uniformes da NFL são tão limpos, sem nenhum patrocinador. A resposta para essa pergunta passa por diversos fatores, desde as características do próprio esporte, até a forma como a liga é gerenciada.

A NFL é a liga com maior arrecadação do mundo na atualidade. Em 2018, por exemplo, 8,78 bilhões de dólares provenientes das receitas foram distribuídos entre os times. Esses valores exorbitantes fazem com que o patrocínio nos uniformes seja completamente desnecessário. Para que uma parceria com uma marca fizesse algum efeito na arrecadação de um time, os valores deveriam ser astronômicos, o que não costuma ocorrer. No futebol, o maior patrocínio da atualidade é o do Manchester United, com 75 milhões de euros anuais pagos pela Chevrolet.

As regras e a característica do esporte ajudam a receita a subir. Novamente comparando com o futebol, é importante ressaltar que o futebol americano tem muito mais pausas durante uma partida. Essas lacunas permitem inserções pontuais durante as transmissões televisivas, que geram muito dinheiro para a liga, pois aumentam o potencial de exploração comercial das emissoras de TV. Com o tempo, até o draft foi transformado em um evento muito lucrativo.

A liberação ou não do patrocínio nos uniformes foi motivo de discussão entre os donos da franquia na década passada. O lado dos que não queriam as marcas nas camisas venceu, com vários argumentos: a preservação da tradição da identidade dos times e, principalmente, a manutenção do equilíbrio financeiro entre as equipes.

O ponto mais discutido é que a abertura para patrocinadores geraria uma disparidade muito grande. As equipes com maior potencial comercial arrecadariam mais dinheiro do que as outras, acabando com o conceito de divisão igualitária das receitas. Isso poderia causar desequilíbrio na própria liga, reduzindo a competitividade e, consequentemente, diminuindo o interesse da população na competição – o que também reduziria o valor das cotas televisivas.

Por todos esses fatores, a NFL não permite a exibição de marcas nos uniformes oficiais dos jogos. No entanto, isso não impede que alguns times estabeleçam parcerias para outros tipos de camisas, como as de treinos, o que não impacta tanto as receitas, já que a exposição é bem menor.

Fato é que o interesse dos brasileiros nos produtos da liga está em alta, após um longo período de queda durante a pandemia. De acordo com um levantamento do portal REVIEWBOX, o número de buscas na internet pelos uniformes da NFL subiu 200% do final do mês de setembro para o início de outubro.

Um dos motivos para essa procura pode ser justamente a falta de patrocínio, que torna os uniformes ainda mais marcantes e bonitos. Outro motivo, é claro, é o início da temporada da NFL, que apesar da pandemia, aconteceu normalmente, no mês de setembro.

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