sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

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No cenário da NFL, o céu parece ser destinado aqueles que tem a ganância de tomar um pouco de chuva até alcançá-lo. A habilidade de pensar “fora da caixinha” e fazer coisas que outros treinadores e diretores ficariam no mínimo receosos (e acabariam deixando pra lá) parece ser a grande diferente entre quatro ou quatorze vitórias ao longo da temporada regular – e a construção de dinastias na história deste esporte. Muitos são punidos pelo arrojo na tentativa de melhora do elenco e é até normal, afinal tanto no esporte quanto na vida nada é garantido, mas para quem sonha com o paraíso dentro da liga, estar decidido a se arriscar é fato crucial dentro deste sonho.

O GM Ryan Pace, do Chicago Bears, fez sua escolha arrojada dois anos atrás. Em vários anos como o diretor geral da franquia, recrutar Trubisky com a 2ª escolha geral do Draft de 2017 é com certeza a decisão mais difícil que ele precisou tomar – trocar três escolhas para subir da 3ª para a 2ª posição geral. O QB pode significar o início de uma era para o Bears e o mais importante para Pace: a garantia de mais alguns anos neste posto máximo, afinal nada dá mais vida à GMs do que recrutar um Quarterback talentoso e desenvolvê-lo. Trubisky, que teve um grande encaixe conta com uma grande capacidade atlética, precisa apenas aprimorar a consistência e pequenos detalhes ao longo de uma parte, até o momento tidos como normais para um jogador tão jovem e que fora recrutado com apenas treze jogos como atleta a nível universitário.

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Tal como manda o figurino, a direção se voltou ao jovem Quarterback na formação da nova comissão técnica. Matt Nagy chegaria um ano depois para substituir John Fox, cuja falta de imaginação e ganância para montar o plano de jogo ofensivo era uma ameaça ao crescimento de Trubisy. Nada é mais importante neste momento que a química e o crescimento da dupla Nagy e Trubisky – o que era esperado desde aquele 27 de Abril de 2017 quando Pace tomou a decisão que pode ter mudado os rumos da história de um dos times mais tradicionais da história da NFL.

Quando o comissário anunciou que o Bears trocara duas escolhas de 3ª rodada e uma de 4ª rodada para subir da terceira para a segunda posição geral do Draft, foi possível ouvir algumas vaias dos torcedores de Chicago, e a própria mídia de lá não reagiu muito bem. Quando Goodell chamou pelo jovem QB de North Carolina e ele posou com a camisa do Bears então, nem se fala. Ele fez o que? Todos se perguntavam. Para o Bears, Trubisky representava a esperança e para Pace, a convicção de que faria tudo que estivesse a seu alcance para buscar o sol, mesmo que levasse a uma chuva de críticas e o natural arrojo de uma decisão deste tamanho. Para John Fox simbolizou o início do fim de sua era como técnico principal da equipe – já que se provou incapaz de maximizar o potencial do jovem, até preferindo Mike Glennon como titular no começo da temporada de 2017.

Praticamente todos os analistas que presenciaram a situação foram unânimes em afirmar: John Lynch (o GM do 49ers) assaltou Pace nesta troca. Uma pessoa de dentro da comissão técnica teria declarado que Pace trocara três escolhas intermediárias de Draft por um atleta que estaria disponível sem ter que fazer nenhum movimento naquela altura, mesmo que houvesse um burburinho que ao menos uma equipe teria feito uma oferta real pela 2ª escolha geral que pertencia à San Francisco naquele ano. O sentimento era mútuo: Pace estava aprendendo a duras penas.

Duas temporadas completas depois, parece que é o 49ers que tem mais a lamentar que o Bears.

Como deve se lembrar, o 49ers recrutou o DT Solomon Thomas de Stanford com a terceira escolha geral e ele ainda não mostrou todo o potencial descomunal que o credenciavam a um dos melhores prospectos defensivos desde Julius Peppers no começo da década. Como se não bastasse, o 49ers enviou uma escolha de 4ª rodada adquirida do Bears para o New Orleans Saints no final da primeira rodada para recrutar o problemático LB Reuben Foster, de Alabama. Como deve saber, Foster se envolveu em diversos problemas extracampo e já está fora da liga – sem nenhuma aspiração em voltar, ao menos no curto prazo de tempo.

A citada escolha de 3ª rodada também foi para o Saints em outra troca, em que a franquia de New Orleans simplesmente recrutou o RB Alvin Kamara, que floresceu atuando no esquema de jogo ofensivo do QB Drew Brees. Então, no final das contas, a outra escolha de terceira rodada resultou em três atletas para San Francisco: os S Adrian Colbert e DJ Reed e o WR Dante Pettis – este último apenas com um respeitável tempo de jogo e potencial elevado. De todos, a melhor escolha foi o LB Fred Warner, que liderou a equipe em tackles como calouro e parece ser o próximo grande LB da equipe, que fora recrutado com a escolha de 3ª rodada de 2018 também enviada por Chicago.

Para o Bears, terminar com Trubisky, apenas um atleta que teve um ótimo desenvolvimento em apenas uma temporada com uma grande mente ofensiva foi o suficiente para tornar a janela de competitividade um pouco mais aberta. Todos falam da ascensão defensiva da franquia (oriunda de outra supertroca, é verdade) como a grande responsável pelo ressurgimento do Bears e a subsequente conquista da NFC Norte – o que de certa forma tem sua grande parcela, mas a capacidade de Pace em maximizar o momento e conseguir trabalhar em trocas que outros pensariam duas vezes – o que fora criticado lá atrás, merece seu destaque neste momento que a equipe é uma das melhores de toda a conferência.

Obviamente, Pace e Trubisky terão que conviver para sempre com as comparações com outros dois QBs recrutados na 1ª rodada daquele Draft: Patrick Mahomes e Deshaun Watson. Mahomes vem de temporada que lançou para 5000 jardas e 50 TDs vencendo o prêmio de MVP em sua primeira temporada como titular e Watson foi colocado em uma situação perfeita para aflorar: um arsenal de armas ofensivas e uma defesa sólida em Houston com o Texans, ambos tem tido uma carreira melhor que Trubisky até agora e também vieram através de trocas ousadas de seus respectivos times.

O Chiefs encontrou uma futura estrela e o Texans recrutou um líder natural.

O Bears conseguiu seu Quarterback, não importando o quanto precisou abrir mão para o fazer, concorda?


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