quinta-feira, 24 de março de 2016

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Na tarde desta quinta-feira, o Cleveland Browns anunciou oficialmente a contratação do QB Robert Griffin III (ex-Redskins) por dois anos e U$ 15M, sendo U$ 6,7M garantidos para o atleta. Esta é a grande chance do jogador recomeçar sua carreira e mostrar que muitos estavam errados quando disseram que ele não daria mais certo na NFL. Griffin encantou o mundo do futebol americano em seu ano de calouro, levou o lanterna da NFC Leste para os playoffs e, com suas 3.200 jardas aéreas, 815 jardas terrestres e 28 TDs totais, foi escolhido para o Pro Bowl daquele ano. Desde então, ele precisou conviver com as lesões e nunca mais foi o mesmo dentro de campo. Agora em Cleveland, o que o “Offensive Rookie of the Year” de 2012 vai precisar fazer em seu novo time para ter sucesso?

SER TITULAR

Logicamente, para tentar voltar a ser um protagonista na NFL, Robert Griffin III precisa entrar em campo. Sua contratação dificilmente deve mudar os planos do Cleveland Browns no Draft e, provavelmente, a franquia deve selecionar Jared Goff ou Carson Wentz com a 2ª escolha geral no evento. Geralmente, a paciência com QBs recém-chegados na NFL é um pouco maior do que o normal e, mesmo sendo uma bagunça de time, não deverá ser diferente no Browns. RGIII precisa ter paciência, assim como teve bastante em seus dois últimos anos em Washington, e aproveitar uma possível oportunidade como titular para mostrar que seu talento ainda está vivo. Outra opção possível, mas um pouco mais complicada, é Griffin simplesmente voar nos treinamentos, não errar praticamente nada para já iniciar a temporada regular como titular.

PERDER O MEDO

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É claro que é muito fácil falar de longe e não é uma tarefa tão fácil assim. Porém, a única forma de Robert Griffin voltar a ser pelo menos metade daquele atleta que impressionou a NFL é perdendo o medo das pancadas. Antes mesmo de virar profissional, ainda na universidade de Baylor, ele precisou fazer uma cirurgia de ligamentos no joelho esquerdo logo no início da temporada de 2009 e perdeu grande parte do ano por isso. Dois anos depois, em seu último ano de faculdade, o jogador esqueceu qualquer tipo de problema, levou para casa o Heisman Trophy (troféu dado ao melhor atleta da NCAA) e se colocou em posição para ser selecionado pelo Washigton Redskins com a 2ª escolha geral no Draft de 2012.

Na NFL, no final da temporada regular, ele já vinha sentindo dores e estava jogando -muito bem por sinal – no sacrifício. As coisas pioraram na primeira partida dos playoffs contra o Seattle Seahawks, quando uma pancada acabou de vez com os ligamentos do joelho direito. Para piorar, em 2014, ele teve uma fratura no tornozelo e nunca mais voltou a ser titular. Com 24 anos na época e cirurgias de ligamentos nos dois joelhos, não deve ser fácil voltar a atuar em alto nível em um esporte tão físico e que exige tanto dos atletas quanto o futebol americano. Tarefa difícil, mas não impossível. RGIII passou por uma situação de superação no futebol americano universitário e temos inúmeros exemplos de atletas que se machucaram seriamente, mas deram a volta por cima, como Peyton Manning, Adrian Peterson e Carson Palmer.

TER A CONFIANÇA DO TIME E DA COMISSÃO TÉCNICA

Um dos problemas que Robert Griffin III teve no Washington Redskins foi o relacionamento com os companheiros de time após sua grande temporada de calouro. Uma das histórias de bastidores da NFL é que os jogadores da linha ofensiva não gostavam de Griffin e jogavam de má vontade apenas para o QB ter mais dificuldade enquanto estava em campo. Além disso, Mike Shanahan (técnico da equipe na época) não hesitou em mandá-lo para o banco de reservas assim que teve a oportunidade e deixava muito clara a sua preferência pelo até então QB reserva Kirk Cousins. Mesmo com isso tudo, RGIII não saiu por aí revoltado e mostrou ser excelente fora de campo. Na temporada passada, era difícil olhar para o banco e não ver o apoio e empolgação do atleta fora do campo. Mesmo sem ser relacionado para os jogos, ele ficava no banco de reservas, participava das conversas e talvez era um dos que mais dava apoio para Kirk Cousins. Não podemos negar, Robert Griffin III mostrou ser um grande profissional.

No Cleveland Browns, RGIII terá novos torcedores, novos companheiros de time e um novo comandante. Hue Jackson foi contratado nesta temporada e se deu muito bem trabalhando com outros QBs jovens na NFL, como Andy Dalton e Joe Flacco quando eram recém-chegados na liga. O cenário para Griffin não poderia ser melhor e tenho certeza que Jackson fará de tudo para ver o atleta voltando a ter a importância que tinha antes, mas agora no Browns. O ataque da franquia não tem tanto talento, mas contar com Joe Thomas na proteção já é um grande avanço para Robert Griffin III voltar a ter confiança para fazer suas jogadas.

MUDAR SEU ESTILO DE JOGO?

Com os dois joelhos já operados, é quase impossível vermos o QB voltando a atuar como em 2012, quando usou e abusou do read option e teve mais jardas terrestres do que alguns RBs da NFL. Uma das alternativas é a adaptação. Já que ele não pode mais correr tanto assim com a bola, Griffin poderia adotar um estilo de jogo parecido com Aaron Rodgers e Andrew Luck, dois QBs que usam muito mais o braço, mas quando apertados conseguem sair da pressão, usar as pernas e de vez em quando ganham algumas jardas. Lógico que não é fácil assim, mas RGIII mostrou ter bastante força no braço e, com o treinamento adequado, pode fazer essa transição.

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