sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

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A rica história da NFL nos mostra muitas vezes que nada é garantido, e que um desempenho monumental em uma temporada não é nenhuma garantia de sucesso nos anos seguintes – até mesmo no próximo ano em questão. Para quem acompanha há um pouco mais de tempo, são inúmeros os times que apresentam um bom desempenho em alguma(s) temporada(s) mas que rapidamente volta ao ostracismo característico. Na era moderna da NFL regida pelo teto salarial (a partir de 1992) então, nem se fala. O fato do melhor e pior time terem exatamente a mesma quantidade de dólares disponíveis para gastar com seus jogadores denota que a liga foi feita para a paridade, mas não é bem isto que acontece.

Como em tudo nesta vida, há as exceções, e são elas os temas da coluna desta semana. Times que devido aos mais variados motivos desafiaram a história e impuseram a seus rivais anos de dominância e desempenho sólido – culminando obviamente em diversos títulos ao longo da gloriosa caminhada. Seja em uma época mais romântica ou tão atual quanto o domingo passado, a NFL sempre teve que conviver com as dinastias e todo o sentimento antagônico que geram – amor em seus fanáticos torcedores e ódio e inveja dentre os rivais. É algo natural e esperado, mas que não vem sem um grande trabalho daqueles que tomam as decisões, e porque não um pouco de sorte, que sempre acompanha os campeões.

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Importante: esta lista não está em nenhuma ordem exata de classificação. 

Miami Dolphins de 1970 à 1974

Aparições em Super Bowls: 2
Vitórias em Super Bowls: 2
Percentual de vitórias no período: 81,4% (57 – 12 – 1)

A década de 1970 foi marcada por verdadeiras dinastias na NFL (algumas citadas abaixo), mas começou com o lendário time do Miami Dolphins comandando por Don Shula. O potente jogo terrestre e a dominante “no name defense” da equipe foram os responsáveis por temporadas memoráveis para os mais antigos. Don Shula cravou seu nome na lista de grandes técnicos da história da NFL por comandar uma das grandes equipes que esta liga já viu: após perder para o Dallas Cowboys no Super Bowl VI em 1971, o Dolphins de 1972 é até hoje o único a ter tido uma temporada invicta – o que pesou para incluir a equipe nesta lista. Na temporada de 1973, foram apenas duas derrotas e o título contra o Minnesota Vikings – sendo apenas a segunda equipe na época a vencer dois títulos consecutivos. Para o Dolphins ficará sempre o “e se” marcado para esta base, afinal foi em 1974 que surgiu o Pittsburgh Steelers e também a WFL – uma liga rival à NFL na época que acabou recrutando alguns dos melhores jogadores daquele time, terminando precocemente o que poderia ter sido uma dinastia ainda maior.

Cleveland Browns de 1946 à 1957

Aparições em finais: 11
Títulos: 7 (sendo 4 na AAFC e 3 na NFL)
Percentual de vitórias no período: 79,3% (119-26-5)

Esta é talvez a dinastia mais inapreciada em toda a história dos esportes norte-americanos, isto mesmo, não apenas na NFL. O começo dela pode até ter sido na AAFC, uma liga inferior à NFL é verdade,  (inclusive com dois títulos invictos) mas a equipe conquistou o título na NFL em seu primeiro ano nesta liga, provando tamanha dominância daquela equipe. O Quarterback Otto Graham era o grande atleta desta equipe e o lendário HC Paul Brown comandava as ações na lateral do campo, provando ser a grande combinação de HC-QB até que Bill Walsh e Joe Montana apareceram algumas décadas depois. Foram simplesmente dez finais para Graham entre as duas ligas e um ótimo recorde de sete vitórias nestas partidas. Para quem acompanha a NFL há pouco tempo, fica difícil imaginar que o Cleveland Browns, marcado por decisões questionáveis de sua alta direção que se refletem em campo, tenha tido épocas tão gloriosas ao longo de sua rica história mas não se deixe enganar – a equipe de Ohio (berço do futebol americano) é uma das mais antigas e igualmente tradicionais, mesmo que tenha sido refundada ao longo dela.

Pittsburgh Steelers de 1972 à 1979

Vitórias em Super Bowls: 4
Aparições em Super Bowls: 4
Percentual de vitórias no período: 75,9% (88-27-1)

Qualquer time que fique marcado como “cidade dos campeões” ao longo de uma trajetória merece destaque dentre as grandes dinastias da história. Ter, ao longo dela, um total de nove atletas e dois dirigentes imortalizados no Hall da Fama do esporte (até agora) também corrobora para isto. Tido por muitos como a maior dinastia de todas, o Steelers da década de 1970 era simplesmente surreal com a “cortina de ferro” – alcunha que a dominante defesa ganhou no período. A competição era ferrenha (Dolphins comandando por Don Shula, Cowboys por Tom Landry, Raiders por John Madden e Vikings por Bud Grant), mas o Steelers conta com um respeitável recorde de 2 – 0 contra o Cowboys em Super Bowls e 3 – 2 contra o Raiders nos playoffs da AFC – incluindo duas vitórias consecutivas no AFC Championship Game. A defesa comandada pelo lendário LB Chuck Noll dominou ataques adversários – os quatro títulos vieram em um espaço de oito temporadas e se não fossem tantos rivais talentosos ao longo desta década, talvez a equipe tenha conquistado até mais títulos no período. Após uma entrada na NFL marcada pelo ostracismo, o Steelers se tornara uma das franquias mais tradicionais – o que permanece até hoje.

San Francisco 49ers de 1981 à 1998

Vitórias em Super Bowls: 5
Aparições em Super Bowls: 5
Percentual de vitórias no período: 73,9% (207-72-1)

O San Francisco 49ers teve discutivelmente a maior transição de Quarterbacks da história da NFL ao ver Joe Montana passando a tocha para Steve Young e aproveitou o auge dos dois maiores QBs da história da franquia para construir um domínio que se estendeu por quase vinte anos. Mesmo ganhando apenas um título durante toda a década de 1990 (quando o Dallas Cowboys dominou o cenário) os quatro títulos conquistados durante os anos de 1981 e 1989 corroboram para colocar a franquia entre as maiores da história. Liderados pelo HC Bill Walsh e a popularização da West Coast Offense, o QB Joe Montana se tornou o primeiro atleta a ser três vezes eleito o MVP do Super Bowl, ajudando a equipe à ganhar a alcunha de “O Time de 1980). Bem no meio da fase em que o ataque aéreo ganhou mais importância que o terrestre, esta base tem grande participação na construção do modo que o jogo é nos dias de hoje, com amplo domínio do passe. Foram seguidas temporadas com mais de dez vitórias e múltiplas vitórias em playoffs, mesmo trocando de Quarterback no período. De algum jeito, o 49ers sempre saía vitorioso dos embates e isto é suficiente para os colocarem entre as grandes dinastias da história da NFL.

Green Bay Packers de 1960 à 1967

Títulos: 5 (3 da antiga NFL e 2 Super Bowls)
Aparições em finais: 6
Percentual de vitórias no período: 74,3% (82-24-4)

Treinados pelo lendário Vince Lombardi (tido como o maior HC da história) esta equipe perdeu apenas um jogo de playoff no período – o então NFL Championship Game de 1960 para o Philadelphia Eagles. A grande caminhada culminou com o nascimento do Super Bowl (resultante da fusão da antiga NFL com a AFL, criando a “nova NFL) em que venceram os dois primeiros títulos com o tradicional nome, representando um domínio inicial da antiga NFL com relação à AFL, então grande rival na época (o texto linkado explica bem esta divisão e rivalidade).  Acumulando as funções de HC e GM desta equipe, o que Lombardi impôs ao restante da liga é não apenas impossível de ser copiado mas também injusto de ser comparado. Um verdadeiro esquadrão que conta com nada menos que quatorze atletas imortalizados no Hall da Fama em Canton, Ohio – com mais alguns batendo na porta para conseguirem tal feito. Dono de frases marcantes como “se você não está incendiado pelo entusiasmo será queimado com entusiasmo”, Lombardi conquistou cinco títulos em um espaço de sete anos (incluindo os dois citados Super Bowls) em uma época romântica do esporte, em que a união das duas ligas mais fortes do período resultou no início da popularização da NFL, tida hoje como a mais rentável de todo o mundo. A dinastia construída por Lombardi e o Packers tem papel crucial nisto.

Oakland Raiders de 1973 à 1985

Vitórias em Super Bowls: 3
Aparições em Super Bowls: 3
Percentual de vitórias no período: 70,7% (135-55-1)

É até difícil definir o início e final desta trajetória épica do Raiders pois foi uma sucessão de grandes técnicos e Quarterbacks que passaram pela equipe – que sempre mantiveram o time nos playoffs e disputando com as outras grandes equipes do período). A dinastia começou com o QB Daryle Lamonica, passou pela combinação entre John Madden e Ken Stabler e encontrou sucesso também com Tom Flores e Jim Plunkett como HC e QB respectivamente,  inclusive rendendo o prêmio de MVP da temporada para Plunkett. As derrotas para o Steelers por alguns anos foram esquecidas em 1976, quando finalmente venceram Pittsburgh e depois dominaram o Vikings no Super Bowl XI. Este Raiders foi a primeira equipe à vir do Wild Card e vencer o Super Bowl em 1980 – quando também dominou o Eagles no Super Bowl XV. A tríplice coroa da geração veio três anos depois ao desmanter o então campeão Washington Redskins em uma das grandes zebras da história dos Super Bowls – o Redskins que defendia o título era o grande favorito e virtual campeão naquela temporada. A equipe se manteve no topo por vários anos e o mais difícil – trocando algumas vezes de Quarterback e Head Coach, mas nunca deixando o nível cair. Quando a NFL se tornou o esporte favorito dos americanos, o Raiders era a equipe da moda e isto colaborou para a imensa base de fãs espalhadas por todo o território.

Dallas Cowboys de 1991 à 1999

Vitórias em Super Bowls: 3
Aparições em Super Bowls: 3
Percentual de vitórias no período: 65,3% (94-50)

O Cowboys foi responsável pela quebra da hegemonia do 49ers no período e tomou para si a década de 1990. Liderado pelo triplete composto pelo QB Troy Aikman, RB Emmitt Smith e WR Michael Irvin, eles se tornaram a primeira franquia a vencer três Super Bowls em um espaço de quatro anos, se tornando o “America’s Team”, ou o time favorito dos EUA na popularização em massa da liga nesta década. Para alcançar a hegemonia máxima foi necessário destronar o QB Steve Young em dois NFC Championships Games consecutivos e vencer o Buffalo Bills de Marv Levy em dois anos seguidos no Super Bowl. O auge da dinastia foi alcançado no Super Bowl XXX com a dominante vitória por 27 x 17 contra o Pittsburgh Steelers. Poucas vezes na história houve uma combinação tão letal em um ataque quanto o trio citado acima, que é tido por muitos (inclusive o que vos escreve) com o maior de toda a história. Liderados pelo lendário HC Jimmy Johnson, a defesa não tinha nenhum nome significativo de impacto, mas o ataque era simplesmente letal e impossível de ser parado. Emmitt Smith se aposentou como o líder histórico em jardas terrestres com incríveis 18.355 jardas acumuladas pelo chão e é virtualmente impossível imaginarmos que tal recorde será quebrado um dia: dos atletas em atividade, o RB Frank Gore tem 14.748 e Adrian Peterson tem 13.318 e estão longe de ameaçarem Smith no quesito.

New England Patriots de 2001 até o presente

Vitórias em Super Bowls: 6
Aparições em Super Bowls: 9
Percentual de vitórias no período: 76,8% (209-63)

Ok, vamos deixar claro: o Patriots construiu a maior dinastia da história da NFL. Se manter relevante por praticamente duas décadas em uma época marcada pela paridade de montagem de elencos é simplesmente surreal. Dos times citados aqui, a grande maioria foi dominante por quase uma década e poucos passaram disto – o que é absolutamente normal, mas o que o Patriots faz até hoje não deve ser comparado com nenhum deles em quantidade e qualidade. Nesta época regida pelo teto salarial, a equipe simplesmente venceu seu sexto título e mais incrível ainda é pensarmos que pela segunda vez a equipe venceu três títulos em quatro anos. Na época em que a NFL é regida pelo teto salarial, nenhum time chegou perto de fazer isto até hoje.

Soma-se ao fato da equipe deter o recorde de 21 vitórias consecutivas em temporada regular e ser a única a vencer os 16 jogos durante esta fase, em 2007, a dominância da equipe ano após ano é algo que não pode ser emulado, mas que precisa ser admirado. Nem a derrota chocante para o New York Giants no Super Bowl XLII, ou a segunda derrota para os comandados de Eli Manning no Super Bowl XLVI e o tiroteio perdido contra Nick Foles e o Eagles no Super Bowl LII apagam o que este time fez e faz ao longo dos anos.

Ao começar uma temporada como o favorito ao Super Bowl por mais de uma década, o Patriots se coloca em uma categoria única na prateleira de grandes dinastias do esporte. De algum jeito, a equipe acaba encontrando o perfeito equilíbrio com o talento disponível no elenco e mesmo com perdas significativas nunca deixa de apresentar um desempenho minimamente sólido na temporada regular. Ao pensar que isto foi alcançado com apenas um QB e um HC em todo o período, nós temos a sorte (ou não) de acompanhar uma das grandes equipes de todos os tempos.


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