quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

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Em meio a uma dinastia incrível e com um nível de domínio sem precedentes na AFC desde a virada do milênio, o New England Patriots chegou à sua décima quarta final de conferência nos últimos dezoito anos. Além disso, com a vitória sobre o Kansas City Chiefs nesse último domingo, a franquia alcançou o Super Bowl pela nona vez desde que Tom Brady se tornou o quarterback titular da equipe. No entanto, o time não chegou com a aura de invencível que já teve em temporadas anteriores e teve que superar diversos questionamentos, mas no fim das contas o Patriots mostrou sua força e atingiu o jogo mais importante do campeonato.

O principal motivo para a desconfiança veio do fato de que a equipe não estava mais no nível impressionante de outrora. Isto fez com que o Patriots parecesse vulnerável pela primeira vez em muito tempo. Contudo, ao analisar com calma, é possível perceber que ainda se tratava de um dos melhores times da liga, o que ficou representado no retrospecto de 11-5 na temporada e a segunda posição na AFC, que concedeu uma folga na primeira rodada dos playoffs para a franquia pela nona vez seguida, um recorde da NFL.

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O Patriots teve um desempenho impressionante atuando em casa, terminando invicto em suas oito partidas no Gillette Stadium ao longo da temporada regular. No entanto, o que deu a tônica questionável para o ano foram as atuações longe dos domínios. Nelas, a equipe teve uma campanha de 3-5, com derrotas para Jaguars, Titans, Lions, Steelers e Dolphins, todos times que ficaram de fora dos playoffs. Este retrospecto irregular deixou um gosto amargo na boca de torcedores e analistas e foi um dos fatores preponderantes para que o Patriots fosse o azarão nas casas de apostas para a final da AFC, o que marcou a primeira vez em 68 jogos com Tom Brady de titular que o time não foi o favorito.

Quando os playoffs chegaram, muitos apostaram no Chargers vencendo em Foxborough nas Semifinais de Conferência, mas o que se viu foi um atropelo inapelável. O resultado foi relativizado por outros, que disseram que foi fruto do tempo extra que a comissão técnica teve para estudar o time de Los Angeles ou que a atuação foi um ponto fora da curva e aconteceu dentro de casa. Entretanto, a final da AFC veio para mostrar que essa ainda se trata de uma equipe muito ameaçadora. O Patriots dominou o primeiro tempo nos domínios do Kansas City Chiefs e segurou uma recuperação fulminante de Patrick Mahomes e companhia para sacramentar a vitória na prorrogação. Assim, os comandados de Bill Belichick alcançaram o Super Bowl pela quarta vez nos últimos cinco anos.

Uma das primeiras razões que vêm a mente para o crescimento de produção do Patriots é o treinador Bill Belichick. Com seu time questionado, ele fez um ótimo trabalho de anular o ataque do Chargers e em seguida forçou o poderoso sistema ofensivo do Chiefs a ficar zerado no primeiro tempo. Além dele, o coordenador ofensivo Josh McDaniels fez um excelente esforço para explorar as fraquezas defensivas dos adversários e abusou das corridas para comandar o ataque a pontuações elevadas.

O maior nome entre os jogadores da equipe, Tom Brady não teve uma temporada regular no patamar com o qual acostumou a todos. Ele parecia estar menos saudável que o normal, mais receoso de ser acertado pelos defensores e menos confiante ao plantar os pés para realizar os passes, o que levou à crença de que a idade finalmente havia o alcançado. Todavia, ele foi um matador no jogo contra o Chargers e teve uma apresentação sólida diante do Chiefs, o que mostrou que ainda é fundamental para os planos do Patriots.

Com Brady fora de seu ápice, o ataque terrestre ganha ainda mais importância. Nesse contexto, Sony Michel, a segunda escolha de primeira rodada da equipe no último Draft, tem aparecido em grande estilo. Depois de uma temporada regular na qual teve bom desempenho e só não alcançou as 1000 jardas por causa de lesões, o calouro tem sido peça central nos planos de jogo do Patriots nos playoffs. Assim, acumula 53 carregadas para 242 jardas e 5 TDs nas duas partidas. Entre os RBs, também deve ser destacado o incrível papel de James White, que igualou o recorde de recepções em um jogo dos playoffs ao anotar 15 contra o Chargers e é muito valioso para manter o sistema ofensivo em movimento.

Tanto os elementos de passe quanto de corridas só são bem sucedidos graças a OL de alto nível. Em conjunto com um esquema de rotas rápidas e um Brady de mecânica de lançamento compacta e veloz e um processamento mental ágil e preciso, a proteção no ataque aéreo tem evitado que o quarterback seja atingido. Além disso, o interior da linha ofensiva composto por Shaq Mason, David Andrews e Joe Thuney merece destaque especial por abrir verdadeiras crateras para os RBs e dominar as trincheiras no ponto de ataque.

Por fim, a defesa, que estava entre as melhores atuando em casa e as piores fora dela, mostrou serviço no geral. Apesar de ter sofrido uma quantidade razoável de pontos, ela conseguiu ótimos desempenhos no primeiro tempo de ambas as partidas, o que foi o suficiente para que o time se mantivesse em boa situação para conquistar a vitória, por mais que a segunda metade contra o Chiefs tenha sido problemático. Entre os nomes que merecem atenção estão Stephon Gilmore, Kyle Van Noy e Trey Flowers.

Com toda essa conjuntura que envolve uma comissão técnica muito gabaritada e preparada para explorar deficiências dos oponentes, um QB que melhorou em relação à temporada regular, um ataque terrestre encaixado e uma defesa atuando em nível mais alto, o Patriots cresceu em janeiro, logo quando mais importava. Com esse “ressurgimento” no momento certo, a equipe se prepara agora para mais um Super Bowl, algo que já virou rotina para os jogadores e para os fãs da NFL. Veremos o que a partida contra o Los Angeles Rams reserva…


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