terça-feira, 27 de março de 2018

Compartilhe

Eric Reid foi selecionado na primeira rodada do Draft de 2013. O San Francisco 49ers, que possuía a penúltima escolha da primeira rodada, subiu até a posição do Dallas Cowboys e selecionou o jogador. Ele foi o segundo safety a ser selecionado naquele recrutamento.

Quase cinco anos depois, Reid está desempregado. Durante todo seu tempo jogando em San Francisco, o jogador acumulou boas atuações e até uma ida ao Pro Bowl, no seu ano de calouro. De acordo com o site Spotrac, especializado em contratos de jogadores de todas as grandes ligas americanas, o salário que Reid deveria ganhar seria por volta dos 8,6 milhões de dólares anuais. O valor foi alcançado levando em conta dados como a porcentagem de jogos do seu time que ele esteve presente, tackes por jogo, interceptações, rating cedido e sua idade, obviamente. Comparando tudo isso com outros jogadores da liga em sua posição, o valor foi atingido.

No entanto, um safety que vale 8,6 milhões de dólares não está nem sequer em um time da NFL no momento. Olhando o cenário da liga no momento, há duas hipóteses que podem explicar essa situação;

  1. Essa Free Agency mostrou uma desvalorização dos safeties. Jogadores como Kenny Vaccaro e Tre Boston também estão desempregados apesar de terem qualidade suficiente para serem até titulares em boa parte da liga. Tyrann Mathieu foi dispensado e viu seu contrato sair de uma média de US$12 milhões para um contrato de sete milhões de dólares apenas, quase a metade. Eric Reid não foge a regra;
  2. Eric Reid foi o primeiro jogador a apoiar o protesto de Colin Kaepernick, iniciado lá em 2016. Reid foi um dos primeiros a ajoelhar no hino nacional e desde então manteve seu protesto, que apesar de arrancar aplausos de uma parcela dos amantes da bola oval, também gerou enormes críticas do outro lado.

Sem dúvidas podemos dizer que ambas as hipóteses podem ter seu peso na situação atual de Reid. Para esquentar ainda mais, Reid chegou a dizer em entrevista que não havia sido contratado por ter protestado durante o hino nacional; palavras essas que foram repetidas pelo safety Malcolm Jenkins, do Philadelphia Eagles. Depois da polêmica (e da falta de propostas), Reid voltou atrás e disse que não irá mais ajoelhar no hino nacional, apesar de ainda se manter firme em suas convicções pessoais.

No momento, Reid optou em não fechar as portas para a rígida NFL em troca de abrir mão de um protesto pacífico. Para ele, parece ser claro que a medida foi uma opção desesperada em busca de não se tornar um novo Colin Kaepernick, que não deu o braço a torcer e hoje está longe de voltar para a NFL apesar de ter qualidade para isso.

Veja bem, não estamos falando do conteúdo do protesto em si. Não é o ponto que pretendo chegar com o texto. Estamos apenas vendo um jogador tomando uma atitude que vai contra a sua vontade em busca de se manter na liga profissional. Em suas convicções, Reid possivelmente tem certeza do que acredita, ou seria muito contraditório existir uma incerteza e o jogador manter os protestos por quase dois anos. Entretanto, nada está acima da sua sobrevivência, de não ser privado de fazer o que sabe de melhor.

Entre lutar pelo que ele acha correto, Eric Reid optou pelo que é adequado à NFL: reduzir ao máximo o número de distrações fora de campo. O que você faria nessa situação?


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Leave A Reply