quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

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32 por 32 - L32

Você já parou para prestar atenção nos quatro quarterbacks que estarão em campo nesse domingo? São 3 presenças certas no Hall da Fama e um que pode vir a ser considerado (principalmente caso vença o Super Bowl) e que é o MVP da temporada, Matt Ryan. Dois desses QBs – Rodgers e Ryan – estão jogando em um nível que beira o máximo que já vimos qualquer um da posição atuar. Pelo lado da AFC, Tom Brady e Ben Roethlisberger chamaram menos atenção nos playoffs, um por ter tido dificuldades em boa parte do jogo contra o Texans e o outro por ter levado seu time a 6 Field Goals e nenhum touchdown diante do Chiefs.

A verdade é que os quatro provaram na temporada regular e chegando tão longe nos playoffs que a posição de quarterback é tão vital quanto muitos pregam. Isso parece óbvio, mas o lema “defesas ganham campeonatos” muitas vezes esconde o quanto tais jogadores são a alma de boa parte dos grandes campeões. Fizemos um texto desmistificando um pouco essa história de defesas garantirem Super Bowls, mas claro que está longe de ser suficiente para tirar isso do imaginário popular. Para ir longe, normalmente os deuses do futebol americano requerem a presença de um quarterback de bom nível no comando ofensivo.

Com a muito recente vitória do Denver Broncos, a tal ideia de que defesas ganham campeonatos ficou ainda mais forte porque Peyton Manning estava no final de sua carreira e quem liderou o time do Colorado ao título foi Von Miller e cia. O Seahawks de 2013 também contou com uma das melhores defesas da história, mas mesmo aqui havia um quarterback – Russell Wilson – jogando em alto nível. Consultando os últimos 10 vencedores do Super Bowl e seus QBs, temos Peyton Manning com o Colts, Eli Manning fazendo mágica nos playoffs – sem isso de nada adiantaria o esforço do pass rush do Giants -, Ben Roethlisberger em um lançamento espetacular para matar o Cardinals, Drew Brees conduzindo o Saints, Aaron Rodgers e seu Packers passando por cima do Steelers, e até mesmo Joe Flacco que é um QB de nível consideravelmente abaixo dos citados mas que nos playoffs da temporada 2012 voou e foi chave para a conquista.

Não estou querendo dizer que um grande quarterback vai vencer sozinho, mas a história recente mostra que é raríssimo chegar longe nos playoffs ou até vencer o Super Bowl sem um cara de respeito comandando o ataque. Ou mesmo que não seja um QB de renome, mas que tenha jogado demais na pós-temporada. Nos últimos 10 Super Bowls, o único que jogou abaixo do que se espera de um quarterback campeão foi Peyton Manning que ainda assim conseguiu descolar uns TDs contra o Patriots na final da AFC que foram fundamentais.

Esse ano vimos um Giants com uma excelente defesa, mas que ficou pelo caminho logo na fase Wild Card pelo que não conseguiu produzir com Eli Manning (descontados os drops). O Texans conseguiu passar pelo Raiders que depois que perdeu Derek Carr deixou de ser relevante, no entanto, mesmo com um desempenho excelente no lado defensivo da bola não foi capaz de fazer um jogo equilibrado com o Patriots até o fim por motivos de Brock Osweiler. Times que têm como titular Brock Osweilers, Ryan Fitzpatricks e Sam Bradfords da vida não chegam ao Super Bowl a não ser que uma defesa monstruosamente histórica como aquela do Broncos de 2015 apareça e resolva não só defender bem como também marcar pontos.

Nenhum dos quatro finalistas de conferência desse ano chegou até aqui com uma defesa top 10 em DVOA (métrica do Football Outsiders que usa estatísticas avançadas). No nosso Ranking L32, a melhor defesa dentre Packers, Falcons, Patriots e Steelers é a de New England que beliscou o top 10, mas na última posição com nota 119. Isso significa que essa temporada deixou ainda mais clara uma coisa que sempre foi muito óbvia na temporada regular, mas que ficava em segundo plano nos playoffs: quarterbacks não só te levam para a pós-temporada, mas te fazem chegar longe e, inclusive, vencer o Super Bowl também. De novo, soa óbvio mas é uma coisa que é pouco falada ou enfatizada.

O fato dessa conclusão – talvez óbvia para alguns – não ser tão enfatizada acontece não só em virtude da famosa frase sobre defesas e campeonatos, mas também porque fica na mente das pessoas uma queda de desempenho dos quarterbacks de uma maneira geral na pós-temporada em relação ao que fizeram na temporada regular. Porém, é algo natural com times que dependem muito do QB e que nos playoffs estão enfrentando defesas mais fortes em sequência do que na fase regular. Isso acaba dando a impressão de que quem faz a diferença são os setores defensivos quando, na realidade, a NFL moderna e voltada para o passe nunca deixou de ser estrelada pelos quarterbacks, em qualquer fase da competição e na maior parte das temporadas.

Os ratings de Matt Ryan (117.1), Aaron Rodgers (104.2), Tom Brady (112.2) e Ben Roethlisberger (95.4), somando para 135 TDs e 29 INTs são números dominantes de três dos melhores QBs da temporada. Big Ben está aquém do que poderia fazer, é verdade, mas é um futuro Hall of Famer, tem qualidade e muitas armas em um dos ataques mais talentosos da NFL. Até por isso, em Las Vegas as apostas sobre quantos pontos serão anotados em cada jogo partem de um número alto, principalmente Packers x Falcons, onde o apostador vai palpitar se serão anotados mais ou menos que 60.5 pontos. Aliás, 60.5 pontos é o número mais alto da história das apostas em Vegas para uma final de conferência ou Super Bowl. Potências ofensivas e defesas questionáveis geraram isso.

A grande verdade é que desde que o passe se tornou a maior arma do futebol americano, o quarterback tem uma importância demasiadamente grande no futuro da sua equipe. E sim, são os quarterbacks que ganham campeonatos. Jamais sozinhos, mas uma temporada de alto nível da sua parte contando com um mínimo de colaboração dos outros setores do time é capaz de fazer estrago da primeira fase dos playoffs até o Super Bowl. A história da NFL é prova concreta.

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