quinta-feira, 5 de novembro de 2015

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Nos últimos anos, a NFC Leste se caracterizou por ser disputada, equilibrada e por quase sempre colocar dois times nos playoffs. Além do sucesso recente das equipes que compõem o grupo, os quatro times, somados, tornam a divisão uma das mais vitoriosas da história da NFL desde a criação do Super Bowl: Dallas Cowboys com 5 títulos, New York Giants com 4, Washington Redskins com 3 e Philadelphia Eagles com nenhum. Porém, o que estamos vendo na atual temporada regular é uma verdadeira bagunça onde as quatro franquias alternam grandes atuações com exibições que ficam longe de serem aceitáveis. Isso faz com que a divisão, infelizmente, seja nivelada por baixo e fica bem difícil prever o que pode acontecer nas próximas semanas. Mas vamos tentar entender como estão essas equipes até aqui e o que esperar delas daqui para frente, até porque na próxima rodada tem clássico de divisão entre Eagles e Cowboys.

Com oito semanas de partidas já realizadas, a situação na NFC Leste é a seguinte:
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O líder da divisão é o New York Giants com 4 vitórias – sobre Redskins, Bills, 49ers e Cowboys – e 4 derrotas – para Cowboys, Falcons, Eagles e Saints. A equipe é a 3ª que mais pontuou em toda NFL (215), mas, em compensação, é a 6ª que mais sofreu pontos até aqui (208), isso reflete bem a temporada do Giants em 2015. O time conta com um poderoso ataque, principalmente aéreo, mas a defesa está longe de ser boa (é a PIOR da NFL em jardas totais por jogo), se não existir um equilíbrio entre os dois setores da franquia, dificilmente o Giants chegará longe na temporada. Eli Manning comanda as ações ofensivas conectando os WRs Odell Beckham Jr. (líder da NFL em TDs recebidos), Rueben Randle, Dwayne Harris e ainda conta com algumas corridas importantes dos RBs Rashad Jennings e Andre Williams, enquanto a defesa tem problemas para pressionar os QBs adversários – 9 sacks em 2015, a PIOR marca entre as equipes da NFL – e na marcação aos recebedores. Além disso, a franquia teve baixas importantes ao longo das partidas no ano: o OT Will Beatty ainda não entrou em campo em 2015, o DE Jason Pierre-Paul voltou aos gramados há poucas semanas após sofrer um acidente com fogos de artifício, o DE Robert Ayers ficou fora de quatro jogos e o CB Prince Amukamara está fora de combate desde a semana 5.

E o que esperar de uma equipe que anota 49 pontos, mas toma 52 (exemplo da partida contra o Saints)? Até o final da temporada regular o Giants ainda vai enfrentar Buccaneers, Patriots, Redskins, Jets, Dolphins, Panthers, Vikings e Eagles. Pelo futebol americano demonstrado pela franquia em comparação ao que os adversários vem mostrando, na pior das hipóteses, o time de New York consegue terminar a temporada com 8 vitórias e 8 derrotas, um complicado recorde para vencer a divisão. Não adianta nada o ataque marcar pontos se a defesa sofre mais. Se o Giants pretende chegar à pós-temporada não pode esperar para melhorar a defesa, aí sim, pode conseguir 9 ou 10 vitórias até o fim do ano.

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O segundo colocado na divisão é o Washington Redskins com 3 vitórias – sobre Rams, Eagles e Buccaneers – e 4 derrotas – para Dolphins, Giants, Falcons e Jets. A situação da equipe é um pouco diferente do Giants; o ataque não consegue produzir regularmente e a defesa vem alternando bons e maus momentos na temporada até agora. A decisão de deixar o QB Kirk Cousins ser o titular no lugar de Robert Griffin III antes da temporada começar pareceu um pouco estranha para os fãs do futebol americano e a discussão vem à tona a cada partida ruim do novo QB. O grande motivo para a instabilidade do ataque do Redskins é a falta de alvos entre os recebedores e o fraco jogo terrestre que a equipe apresentou até agora. A linha ofensiva até está fazendo um trabalho aceitável, com méritos para o calouro OG Brandon Scherff. A lesão do WR DeSean Jackson, principal nome do ataque, fez com que o WR Pierre Garçon e o TE Jordan Reed fossem mais acionados, mas sem a mesma produtividade que Jackson mostrou em 2014. A dupla Alfred Morris e Matt Jones mostrou muito potencial nas primeiras semanas do ano, mas desde então os dois não conseguem repetir as boas atuações e isso tem deixado o QB Kirk Cousins sobrecarregado. Enquanto o ataque apresenta instabilidade, a defesa do Redskins vem fazendo um trabalho aceitável e ocupa a metade da lista na maioria de estatísticas entre as franquias da NFL.

A equipe de Washington ainda vai encarar pela frente o Patriots, Saints, Panthers, Giants, Cowboys, Bears, Bills, Eagles e Cowboys. Em uma projeção otimista, o time consegue terminar o ano com 7 vitórias e 9 derrotas, é difícil imaginar algo melhor do que isso. A menos que o ataque, principalmente o jogo corrido, melhore da água para o vinho, a pós-temporada vai ficar um pouco mais distante para o Redskins em 2015.

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Na terceira colocação da NFC Leste está o Philadelphia Eagles, também com 3 vitórias – sobre Jets, Saints e Giants – e 4 derrotas – para Falcons, Cowboys, Redskins e Panthers. As loucuras do técnico Chip Kelly na Offseason ainda não vingaram como o esperado e a equipe não passa de um time mediano da NFL até aqui, mas mostra alguns avanços, principalmente no grupo de corredores, considerado o melhor da NFL antes da temporada começar. Após um péssimo início, o RB DeMarco Murray conseguiu voltar a forma que surpreendeu a liga profissional no ano passado e, nas últimas três semanas, conseguiu um jogo com mais de 100 jardas terrestres e 2 TDs pelo chão, enquanto o seu companheiro Ryan Matthews somou o mesmo número de TDs e jogos com mais de 70 jardas corridas.

Já o jogo aéreo não anda lá essas coisas. O QB Sam Bradford ocupa a 4ª posição entre os QBs que mais lançaram interceptações (10 em 7 jogos) e conectou apenas 9 passes para TD até agora. Além da falta de precisão, Bradford sofre com a falta de alvos confiáveis. Nelson Agholor, calouro escolhido na primeira rodada do Draft, ainda não teve uma boa atuação na temporada e, somado aos outros principais recebedores do time – Jordan Matthews e Riley Cooper – tem apenas 58 recepções, 708 jardas recebidas e 3 TDs; para efeito de comparação, quatro WRs sozinhos possuem números melhores na temporada. A defesa, de uma maneira geral, está conseguindo segurar os adversários e até agora é a 8ª que menos cede pontos aos adversários, com um destaque maior para o DE Fletcher Cox (5 Sacks e 3 Fumbles Forçados). A má notícia no setor defensivo é o CB Byron Maxwell, contratado antes do início da temporada por um valor maior que U$ 60M, que até agora tem apenas uma interceptação e cinco passes desviados no ano.

Até o final da temporada o Eagles vai jogar contra Cowboys, Dolphins, Buccaneers, Lions, Patriots, Bills, Cardinals, Redskins e Giants. Na teoria, a equipe da Philadelphia tem uma tabela menos difícil que os rivais de divisão; uma campanha com 10 vitórias e 6 derrotas parece bem realista e seria o necessário para o time levar o título da divisão. Para isso, a bagunça que é o ataque precisa se organizar o mais rápido possível, pois a defesa está fazendo a sua parte.

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Surpreendentemente na lanterna da NFC Leste está o Dallas Cowboys, com apenas 2 vitórias – sobre Giants e Eagles – e 5 derrotas – para Falcons, Saints, Patriots, Giants e Seahawks. Antes favorito claro para vencer a divisão, a equipe enfrentou problemas inimagináveis. A fratura no pé do WR Dez Bryant na primeira rodada e a lesão no ombro do QB Tony Romo na segunda semana podem ter comprometido seriamente a temporada do Cowboys. Antes de Romo ficar de fora das partidas a franquia tinha duas vitórias em dois jogos, mas desde então amarga cinco derrotas seguidas e a última colocação na divisão. A situação poderia estar menos pior se a comissão técnica tivesse dado sequência ao QB reserva Brandon Weeden, que atuou como titular nas semanas 3,4 e 5 e não foi tão mal assim, mas o técnico Jason Garrett resolveu testar o QB Matt Cassel na posição, o que acabou com a confiança de Weeden e jogou fora todo ritmo que ele tinha adquirido com o setor ofensivo. O resultado final dessa dança de QBs é o 3º pior ataque em número de pontos da NFL e o 9º pior ataque em jardas aéreas.

Além disso, o jogo terrestre sofre para se manter regular. Até agora, só Darren McFadden conseguiu uma partida com mais de 100 jardas, enquanto Joseph Randle se envolveu com problemas fora de campo e acabou dispensado. Porém, nem tudo é lamentação em Dallas, a linha ofensiva continua fazendo um trabalho fantástico e a defesa, grande questão em 2014, vai se tornando o grande destaque da equipe. Liderada pelos LBs Sean Lee e Rolando McClain, pelo DT Tyrone Crawford e pelo DE Greg Hardy, o Cowboys só está esperando a volta de Tony Romo para voltar a normalidade na divisão, mas será que vai dá tempo de chegar aos playoffs?

Voltando aos treinos essa semana, a expectativa é que Romo volte aos gramados na 11ª rodada, enquanto o WR Dez Bryant está recuperado e já até participou do último jogo. A franquia de Dallas tem pela frente Eagles, Buccaneers, Dolphins, Panthers, Redskins, Packers, Jets, Bills e Redskins. Com Romo de volta, é possível que a equipe vença 5 ou até 6 jogos a partir do confronto contra o Dolphins, o que ainda não seria suficiente para o título de divisão, ou seja, o Dallas Cowboys precisa vencer as duas próximas partidas sem seu QB titular se quiser ficar em uma situação “tranquila” na divisão.

Como vimos, as quatro equipes não conseguem estabelecer um equilíbrio entre ataque e defesa e isso resulta em um fraco rendimento de maneira geral. Sem dúvida nenhuma a NFC Leste está totalmente aberta e qualquer uma das franquias pode levar a divisão. A minha aposta é um final de temporada embolado entre os times e decidida no detalhe, com um favoritismo para o Philadelphia Eagles e logo atrás o New York Giants. Resta saber se o Cowboys consegue se virar sem Tony Romo e vai recuperar o tempo perdido quando ele voltar. Enquanto isso, Giants, Eagles e Redskins precisam aproveitar para abrirem uma vantagem na grande bagunça que é a divisão Leste da conferência nacional.

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