quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

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Hoje é dia de olhar para as franquias que não recebem a mesma atenção das que brigam pelo título todo ano. As quatro equipes citadas no título foram as donas das piores campanhas da NFL no ano passado e estão longe dos playoffs há um bom tempo. Além disso, todo ano elas figuram entre as escolhas de topo do Draft. Porém, após processos frustrados de renovação, parece que finalmente o quarteto entrou nos trilhos das vitórias, mesmo ainda não se classificando para a pós-temporada nesse ano.

“Como você está falando que eles não são mais times perdedores se nenhum deles está em uma temporada com mais vitórias do que derrotas?” É uma pergunta que faz sentido, mas o que estamos vendo de Raiders, Jaguars, Buccaneers e Titans na atual temporada é uma mudança de espírito não só dos atletas, mas também dos torcedores que sofreram por muitos anos com seus times. Está mais do que na hora de começar respeitar essas equipes, o que no início da década era uma vitória garantida para os adversários, agora é uma partida equilibrada. Mais do que isso, recheada de jovens atletas talentosos, o futuro parece ser bastante promissor para essas equipes.

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O Oakland Raiders é uma das equipes mais tradicionais da liga profissional de futebol americano. Com três títulos de Super Bowl (1976, 1980 e 1983), o time já foi a casa de lendas do esporte como Marcus Allen, Bo Jackson, Tim Brown, John Madden e Al Davis, mas desde 2002 – quando foi ao Super Bowl contra o Buccaneers – os torcedores não conseguem comemorar uma classificação para a pós-temporada. Desde então são inúmeras escolhas de Draft para serem esquecidas pelo Raiders, como o QB JaMarcus Russell em 2007 e o WR Darrius Hewyard-Bey em 2009.

Porém, o que estamos vendo nas temporadas recentes são jovens jogadores ganhando a titularidade, assumindo a responsabilidade e rendendo tudo o que era  esperado ou até mais do que isso. O RB Latavius Murray e o TE Mychal Rivera, escolhas de 6ª rodada em 2013, são os titulares hoje em dia e, ao lado do QB Derek Carr – escolha de 2ª rodada em 2014 – e do WR Amari Cooper – escolha de 1ª rodada em 2015 -, formam um dos ataques mais promissores de toda a NFL. Isso sem falar no WR Michael Crabtree, de 28 anos, contratado esse ano, mas que já teve seu contrato renovado por causa de suas ótimas atuações na temporada. A linha ofensiva também está fazendo um ótimo trabalho graças ao OG Gabe Jackson, escolha de 3ª rodada em 2014, e o experiente OT Donald Penn, de 32 anos.

Mas não é só ataque que ganhou novas peças nos últimos anos, a defesa tem como pilar o excelente DE Khalil Mack, atleta selecionado na 1ª rodada do Draft de 2014, que já pode entrar na lista dos melhores da posição, que ganhou a ajuda do DE Mario Edwards Jr. – escolha de 2ª rodada no Draft de 2015 – e do LB Malcolm Smith, de 26 anos, que foi contratado antes do início da temporada e vem correspondendo as expectativas. Toda a unidade é comandada dentro de campo pelo FS Charles Woodson, de 39 anos, futuro Hall da Fama, que ainda joga em altíssimo nível e passa toda a sua experiência para esses jovens atletas.

Na atual temporada são seis vitórias e sete derrotas, mas podemos destacar três jogos onde a equipe mostrou atitude: na vitória sobre o New York Jets por 34 a 20 na semana 8, na derrota para o Pittsburgh Steelers por 38 a 35 e no triunfo sobre o Denver Broncos na última semana por 15 a 12. Com Green Bay Packers, San Diego Chargers e Kansas City Chiefs ainda pela frente, uma classificação para os playoffs é improvável, mas terminar a temporada com sete ou oito vitórias será um grande feito para o Oakland Raiders.

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Fundado em 1976, o Tampa Bay Buccaneers conseguiu uma conquista de Super Bowl em 2002, e desde então só foi para os playoffs em mais duas temporadas (2005 e 2007). A franquia já foi dona de uma das grandes defesas da NFL e tem Warren Sapp, Derrick Brooks, Lee Roy Selmon e Tony Dungy como os principais nomes da história da franquia. Nos últimos anos, a equipe vem convivendo com dificuldades tanto no ataque quanto na defesa, mas com a chegada de jogadores qualificados através do Draft, a franquia pode esperar um futuro de conquistas.

Após falhar com Josh Freeman em 2009 e Mike Glennon em 2013, o Buccaneers encontrou em Jameis Winston o grande QB que tanto procurava e agora pode construir uma equipe competitiva ao redor dele. Mesmo sendo calouro, o jogador já é considerado um grande líder para os companheiros e está provando dentro de campo que pode comandar a franquia para voos maiores. Ele tem a ajuda do RB Doug Martin, escolha de 1ª rodada em 2012, que finalmente explodiu e provou ser um nome confiável para a posição. Além disso, o ataque tem como recebedores o ótimo WR Mike Evans, selecionado na 1ª rodada em 2014, o WR Vincent Jackson, de 32 anos com contrato válido por mais duas temporadas, e o TE Austin Seferian-Jenkins, escolha de 2ª rodada em 2014. Em 2015, esse ataque tem sido um dos mais dinâmicos da NFL e consegue produzir com qualidade pelo ar e pelo chão, talvez o único setor que precise de uma melhora seja a linha ofensiva, que, mesmo com chegada do OT Donovan Smith e do OG Ali Marpet na 2ª rodada do último Draft, ainda não é uma segurança.

A defesa também ganhou nomes interessantes ao longo dos anos. Escolha de 1ª rodada em 2010, o DT Gerald McCoy talvez seja o melhor da posição hoje em dia, assim como o LB Lavonte David, selecionado na 2ª rodada em 2012, que também é um dos principais atletas de sua posição. A contratação do CB Alterraun Verner em 2014 e a escolha do LB Kwon Alexander na 4ª rodada do Draft de 2015 ajudaram a fortalecer essa defesa que por muitos anos não foi levada a sério.

Com seis vitórias e sete derrotas na temporada até aqui, o Tampa Bay Buccaneers corre por fora na disputa por playoffs, mas se olharmos para a vitória de 45 a 17 sobre o Philadelphia Eagles na semana 11 e para os dois triunfos contra o Atlanta Falcons, podemos esperar uma equipe bem competitiva já no ano que vem. Seria bom ver o time voltando a conquistar títulos. Para o resto do ano, com mais uma ou duas vitórias, os torcedores podem ficar orgulhosos do que viram em 2015.

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Uma das franquias mais jovens da NFL, o Jacksonville Jaguars tem pouco mais de vinte anos, nunca conseguiu vencer um Super Bowl, mas já chegou duas vezes ao “AFC Championship Game” (1996 e 1999). Porém, desde a saída do técnico Tom Coughlin e do QB Mark Brunell no início dos anos 2000, a equipe vem sofrendo na NFL. Em sua curta história, além dos dois já citados, o Jaguars tem Maurice Jones-Drew e Jimmy Smith como principais ídolos. Convivendo com escolhas muito ruins nas últimas temporadas, a equipe parece finalmente ter acertado e agora conta com um dos ataques mais jovens e igualmente promissores da NFL.

Sem muito sucesso com David Garrard como QB na última década, a equipe suou até achar um nome confiável para a posição. Blaine Gabbert e Chad Henne foram os que mais tiveram oportunidades, mas não mostraram capacidade para comandar o ataque. Todos os problemas foram resolvidos quando o nome de Blake Bortles foi chamado na 1ª rodada do Draft de 2014. Em seu segundo ano como profissional, ele já bateu o recorde de TDs aéreos da franquia em uma temporada e não deve demorar muito para ele se tornar o dono de todas as marcas do time para um QB. Junto com Bortles, a equipe trouxe os WRs Allen Robinson se tornou o primeiro jogador do time desde 2005 a passar das 1.000 jardas recebidas – e Marqisee Lee no Draft do mesmo ano e contratou Allen Hurns após o evento. A temporada atual também marcou a chegada do RB T.J. Yeldon, selecionado na 2ª rodada do Draft, e a contratação de Julius Thomas, um dos melhores TEs da NFL nos últimos anos, que passou a ser uma peça importante do time nas últimas semanas. Além desses atletas, o OT Luke Joeckel, 2ª escolha geral do Draft de 2013, demorou a entrar no ritmo profissional, mas tem se mostrado um bom valor da linha ofensiva. Ainda faltam alguns ajustes na proteção ao QB, mas não ficaria surpreso ao ver o ataque do Jaguars entre os melhores da NFL daqui a pouco tempo.

Talvez a defesa da equipe seja o que impediu o time de chegar mais longe em 2015. A falta de playmakers no setor é uma coisa que deve ser corrigida já no ano que vem, mas isso tem sido uma prioridade da franquia nas últimas temporadas. Com o LB Paul Posluszny sendo o grande líder dessa defesa, o Jaguars trouxe o DE Andre Branch no Draft de 2012, o SS Johnathan Cyprien em 2013, o LB Telvin Smith – faz uma temporada incrível até agora – em 2014 e DE Dante Fowler Jr., que se machucou antes do início da temporada, mas tem um grande potencial, em 2015.

Com cinco vitórias e oito derrotas no ano até aqui, o Jacksonville Jaguars ainda tem chances de ser campeão da AFC Sul, já que está a apenas uma vitória atrás de Colts e Texans. Mesmo se a classificação para a pós-temporada não vier, os torcedores podem ficar orgulhosos da temporada de 2015, principalmente após a vitória humilhante de 51 a 16 sobre o rival de Indianapolis. Além disso, a forma que Blake Bortles, T.J. Yeldon, Allen Robinson e Allen Hurns moveram o ataque ao longo do ano é algo para se exaltar. Como já foi falado, com alguns ajustes na linha ofensiva e reforços na defesa, a equipe pode sonhar com algo melhor no ano que vem.

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O Tennesse Titans talvez seja o time que tenha mais problemas para resolver entre os quatro desse texto. Com Earl Campbell, Warren Moon – ainda como Houston Oilers -, Eddie George e Steve McNair como principais nomes da franquia na história, a equipe não chega aos playoffs desde 2008, mas pelo menos já conseguiu arrumar um nome de confiança para a posição mais importante do futebol americano.

Depois de se frustrar com Jake Locker nos últimos anos, o Titans achou em Marcus Mariota o atleta perfeito para começar a construir uma equipe ao redor. A linha ofensiva e grupo de RBs ainda precisam de nomes de impacto, mas o grupo de recebedores se tornou interessante nos últimos anos (o que não quer dizer que ainda precisa melhorar). O TE Delanie Walker é o nome mais confiável do ataque e já tem um bom entrosamento com o QB calouro, enquanto Dorial Green-Beckham, escolha de 2ª rodada em 2015, tem um grande potencial para ser o principal WR dessa equipe nos próximos anos, já o WR Kendall Wright precisa mostrar o investimento que o Titans fez para selecioná-lo na primeira rodada do Draft de 2012.

A defesa não compromete e faz um trabalho mediano nessa temporada, um reforço no grupo de LBs ajudaria a levar o setor a outro nível. O DE Jurrell Casey (26 anos), o OLB Brian Orakpo (29 anos) e o OLB Derrick Morgan juntos formam um respeitável trio na pressão aos QBs adversários. E, na secundária, o CB Jason McCourty (28 anos) prova ser um atleta sólido, mas precisa da ajuda do CB Perrish Cox e do FS Da’Norris Searcy. Com apenas três vitórias na temporada e sem chances de playoffs, o Tenessee Titans precisa aproveitar a escolha alta que terá no Draft do ano que vem para resolver o que não está dando certo e tirar de uma vez por todas o rótulo de “time perdedor” que a franquia adquiriu nos últimos anos.

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