terça-feira, 19 de abril de 2016

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Houve uma época onde eles eram as maiores estrelas da liga. Jim Brown, Barry Sanders, Walter Payton, Erick Dickerson, todos grandes nomes de seus tempos, mas o jogo hoje é outro. Até 1980, em média, eram realizadas mais tentativas de corridas do que de passes por jogo na NFL. Desde então, a tendência mudou e a diferença só aumenta a favor do jogo aéreo. Outro exemplo: em 1976, 50,2% das jardas conquistadas na temporada foram obtidas por terra, enquanto em 2014 esse número foi só de 30,4%.

A mudança de foco para o jogo aéreo proporciona uma maior explosão ao esporte – média de jardas totais por time subiu de 282 em 1970 para 348 em 2014 -, o que muitos fãs e a própria liga veem como positivo. A consequência foi a valorização da posição de QB e a desvalorização de outras como RB. Além do tradicional carregador de bolas, outra posição que sofre nessa “nova” NFL” é a de FB, antigamente fundamental no jogo, muitas equipes atualmente nem contam com FBs em seus elencos.

A mudança de foco entretanto não foi gratuita e nos últimos anos tem se provado benéfica para as equipes. Por ficarem o tempo todo protegidos por linhas ofensivas, os QBs são muito menos propensos a lesões e tem carreiras mais duradouras. Outro problema é a questão do investimento: nos últimos anos diversos RBs escolhidos em posições altas no Draft não corresponderam às expectativas.

Não se pode negar o impacto de um bom RB para o time, vide as temporadas excelentes de Adrian Peterson em 2015 e Demarco Murray em 2014. Tendo em vista todos os problemas de durabilidade, confiabilidade e o reduzido impacto da posição, times tem investido cada vez menos em RBs. Prova disso foram os Drafts de 2013 e 2014, onde nenhum jogador da posição foi selecionado na primeira rodada.

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Isso mudou na temporada passada, quando as escolhas de Todd Gurley pelo Rams (10ª geral) e Melvin Gordon pelo Chargers (15ª geral) colocaram a posição novamente em evidência no Draft. Enquanto o primeiro foi eleito o “Offensive Rookie of the Year”, o segundo sofreu para se adaptar na NFL, correu para menos de 700 jrdas e não anotou nenhum TD sequer. A questão não é duvidar que jogadores da posição selecionados na primeira rodada possam contribuir muito, mas boa parte dos grandes talentos da atualidade foram encontrados na rodadas posteriores: LeSean McCoy, Le’Veon Bell, Eddie Lacy, Demarco Murray, Matt Forte, Jamaal Charles e Arian Foster, nenhum deles teve seu nome chamado na primeira noite do evento. Se é possível achar talento desse calibre em outros lugares, vale a pena arriscar uma escolha de primeira rodada e acabar com Trent Richardson ou Jahvid Best?

Podemos olhar para trás e ver se as franquias têm acertado na escolha de RBs na primeira rodada, vamos fazer uma revisão dos jogadores da posição selecionados na primeira noite do evento nos últimos 7 anos:

2015 – Todd Gurley (10ª escolha, Rams) e Melvin Gordon (15ª escolha, Chargers)
2014 – sem RBs na primeira rodada
2013 – sem RBs na primeira rodada
2012 – Trent Richardson (3ª escolha, Browns), Doug Martin (31ª escolha, Buccaneers) e David Wilson (32ª escolha, Giants)
2011 – Mark Ingram (28ª escolha, Saints)
2010 – C.J. Spiller (9ª escolha, Bills), Ryan Mathews (12ª escolha, Chargers) e Jahvid Best (30ª escolha, Lions)
2009 – Knowshon Moreno (12ª escolha, Broncos), Donald Brown (27ª escolha, Colts) e Beanie Wells (31ª escolha, Cardinals)

Dos nomes selecionados, apenas Doug Martin e Mark Ingram mostraram serviço e seguem com a confiança da diretoria e da torcida. Ryan Mathews e C.J. Spiller são jogadores de qualidade, mas não tem condições atuais para serem titulares absolutos em seus times. Excluindo os dois RBs selecionados ano passado, quantos pontos de interrogação temos aí? Richardson, Best, Wells, Moreno e Brown, nenhum apresentou consistência e impacto que se espera de um jogador de primeira rodada. Sem falar em David Wilson, que foi obrigado a se aposentar precocemente após uma lesão no pescoço.

Tem se mostrado extremamente difícil encontrar RBs de qualidade na primeira rodada do Draft. Os times estão preferindo gastar dinheiro em um veterano com talento comprovado do que uma escolha em um jovem talento. Para o evento de 2016, apenas Ezekiel Elliott está cotado para ser selecionado na primeira noite. A tendência é que anos como 2013 e 2014 se tornem cada vez mais comuns. Na direção que liga está caminhando, RBs brilharão cada vez menos no Draft e terão que comprovar em campo o porquê merecem estar na NFL.

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