terça-feira, 2 de julho de 2019

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Nessa semana, em especial no dia de ontem, há uma espécie de “celebração” de contratos ruins nos esportes dos Estados Unidos. No domingo tivemos a frenética abertura da Free Agency da NBA, com vários contratos pra lá de polpudos sendo distribuídos para grandes estrelas, e outros acordos meio duvidosos que, muito provavelmente, farão vários GMs perderem os cabelos (e talvez os empregos) nos próximos anos. Mas frisei o dia de ontem porque o 1º de julho é a data em que a comunidade do beisebol “celebra” o Bobby Bonilla Day.

Bonilla, outrora um All Star na MLB no começo da década de 1990, vivia já um declínio em sua carreira e foi dispensado pelo New York Mets no final de 1999. No entanto, a franquia novaiorquina ainda devia cerca de US$ 5,9 milhões a ele no momento da dispensa. Foi aí que o seu empresário propôs o acordo que virou uma lenda: o jogador abriria mão de pagamentos por uma década, e em troca receberia anualmente montantes de US$ 1,19 milhões entre 2011 e 2035. Nem precisa ser muito bom em matemática pra entender que a conta não fecha. O dono do Mets aceitou a proposta porque estava pesadamente envolvido em um esquema de pirâmide, e acreditava que seu lucro com as operações fraudulentas superaria por muito a grana devida a Bonilla. Mas em 2008 o esquema foi desmontado, e o acerto com Bonilla virou piada.

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Bem, de volta a NFL. No futebol americano nunca tivemos algo tão bizarro quanto o ocorrido com Bonilla. Mas contratos horríveis que comprometem o teto salarial dos times estão longe de ser uma raridade. O Houston Texans deu um valor tão absurdo para Brock Osweiler que um ano mais tarde acabou pagando uma escolha de segunda rodada ao Cleveland Browns para se livrar do contrato. O Seattle Seahawks se encantou com uma grande atuação de Matt Flynn, então reserva de Aaron Rodgers no Packers, contra o Lions e lhe deu grana de QB titular para os padrões da época. Mas ele nunca iniciaria um jogo pelo novo time. Só que nada, nada, se compara ao contrato dado pelo Washington Redskins ao defensive tackle Albert Haynesworth.

Escolha de primeira rodada no draft de 2012 pelo Tennessee Titans, Haynesworth chegou na NFL como uma grande força contra o jogo terrestre. Ao longo dos anos, ele também aprimorou seu jogo pressionando o quarterback, tornando-se um dos mais completos jogadores de linha defensiva em toda a Liga. Ele viveu seu auge nas temporadas de 2007 e 2008, sendo eleito para o Pro Bowl e para o primeiro time All-Pro nas duas temporadas. 2008 também era o último ano de seu contrato de calouro com o Titans (naquela época os contratos de calouro não eram padronizados como são hoje em dia), e ele chegaria na Free Agency de 2009 como um dos nomes mais badalados.

O Titans tentou mantê-lo com uma oferta que foi reportada na época ser de 4 anos e US$ 34 milhões. O que Tennessee não esperava é que sua tentativa não chegou nem perto do que outras equipes ofereceram. Haynesworth aceitou uma proposta estratosférica do Washington Redskins de 7 anos e US$ 100 milhões, com 41 milhões garantidos. O próprio Haynewsworth disse na época que o Tampa Bay Buccaneers lhe propôs um acordo que poderia passar dos US$ 120 milhões totais, mas ele optou por Washington por ser uma franquia com mais torcida e atenção da mídia.

Pensando em um eventual declínio por idade, o Redskins colocou a maior parte dos valores para serem pagas nos primeiros anos do vínculo. O que resultou em um impacto absurdo de US$ 27,7 milhões no teto salarial em seu segundo ano de contrato, segundo o Over The Cap. Contextualizando o valor com os contratos de outros grandes jogadores da época, Peyton Manning impactou US$ 19,2 milhões no teto salarial do Indianapolis Colts em 2010. No mesmo ano, Tom Brady custou US$ 17,4 milhões ao New England Patriots. O New Orleans Saints gastou US$ 12,2 milhões com Drew Brees. O líder em sacks daquela temporada seria DeMarcus Ware, que custou US$ 13,2 milhões ao Dallas Cowboys. Mesmo transferindo a comparação para os valores atuais, esse dinheiro ainda seria surreal para um jogador de defesa. Aaron Donald, em seu contrato de US$ 140 milhões com o Rams, só vai receber mais que os 27,7 milhões em 2021. Khalil Mack, que assinou por mais de US$ 150 milhões totais com o Chicago Bears, não passará pelos 27,7 milhõs de Haynesworth em nenhum ano.

Com tanta grana para um jogador só, era esperado pelo menos que o retorno em campo fosse de elite. Mas não foi isso o que aconteceu. Haynesworth já chegou em Washington completamente fora de forma e brigando com a comissão técnica. Uma das suas reclamações era por ter que atuar como nose tackle em um esquema 3-4, sendo que ele vinha de um 4-3 em Tennessee. Seus números despencaram de 41 tackles e 8,5 sacks em 2008 para 29 tackles e 4 sacks em 2009. No ano seguinte, aquele em que ele ganhou mais dinheiro, continuou brigando com a nova comissão técnica do time (agora chefiada por Mike Shanahan) e participou de apenas 8 jogos, com pouquíssimo destaque. Até que a gota d’água veio em dezembro daquele ano. Haynesworth faltou a um treino e alegou estar doente. A desculpa não pegou com Shanahan, que o afastou por conduta prejudicial ao time.

Haynesworth foi trocado para o New England Patriots antes do training camp de 2011, por uma escolha de quinta rodada no draft de 2013 (!). Sua passagem sob a tutela de Bill Belichick foi curta, sendo dispensado em novembro do mesmo ano. Logo depois assinaria com o Tampa Bay Buccaneers, mas foi dispensado ao final da temporada, e não voltaria mais aos campos. Seu nome já estava consolidado como o maior bust da história da Free Agency da NFL.


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