quarta-feira, 10 de abril de 2019

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Uma semana após a polêmica publicação do artigo de Tyler Dunne no Bleacher Report, que trazia as possíveis rusgas entre Aaron Rodgers e Mike McCarthy, relatando um problemático e difícil relacionamento entre eles, de modo a apresentar aquele como uma figura cheia de defeitos e falhas de caráter, principalmente enquanto líder e companheiro de time, algo que causou tanto alvoroço, comentários e muito ataques a figura do Quarterback do Green Bay Packers. O mesmo enfim se manifestou publicamente a respeito e não hesitou, chamando o texto de “um ataque difamatório”.

Durante a apresentação do elenco do Green Bay Packers para o início dos trabalhos visando a temporada 2019/20, o assunto central a dominar as entrevistas não poderia ser outro e o quarterback do time concedeu extensa entrevista à imprensa local esclarecendo alguns pontos e refutando boa parte daquilo que havia sido reportado no supracitado artigo.

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Aaron Rodgers tratou o artigo como um ataque difamatório de um jornalista que queria apenas ganhar os holofotes e alavancar sua carreira com seu nome e mexendo em cosias antigas. Segundo ele, o texto continha não só vários fatos mentirosos, como opiniões pessoais muito próprias sobre ele e que foram tratadas também como fatos verdadeiros e ocorridos, o que foge completamente da realidade e merecia ser devidamente esclarecido. Ao continuar criticando o artigo, o quarterback do Packers ressaltou dois pontos principais a serem refutados e que se tratavam de inverdades: A conversa com Mark Murphy (presidente e diretor executivo da franquia) sobre uma possível preocupação do time com seu papel de liderança e o relacionamento com o ex-head coach Mike McCarthy.

Rodgers afastou ambas as estórias com a questão de sua renovação contratual, selada no ano passado, onde jamais houve uma preocupação da franquia com seu comportamento ou mesmo uma conversa ou hesitação de sua parte em renovar o contrato pelo fato de McCarthy ainda permanecer como head coach da equipe. Mais do que isso, o jogador aproveitou a oportunidade para agradecer e enaltecer seu ex-treinador, assim como todas as façanhas que conquistaram juntos, sendo a maior delas a vitória no Super Bowl XLV. Fez ainda um pedido, para que todos os torcedores e fãs tivessem muito respeito por Mike McCarthy, o cumprimentasse e agradecesse por todas as memórias, vitórias e trabalho realizado.

 

 

Aaron Rodgers e Mike McCarthy

O fato é que o relacionamento dos dois nem sempre foi tão amigável e amistoso, algo totalmente compreensível quando se trabalha juntos por 13 anos em um ambiente tão competitivo. Ainda que com objetivos comuns, as diferenças sempre são expostas e ressaltadas quando não se alcançam tais objetivos e tudo escapa por detalhes, como foi com o Green Bay Packers por anos. Já foi possível ver o quarterback do time criticando abertamente chamadas de jogadas, assim como o head coach insatisfeito com tomadas de decisões e mudanças de jogadas de seu jogador, mas tudo dentro de uma normalidade dessa relação, dentro do campo. Tais fatos não são suficientes para encabeçar e dar margem de interpretação a um verdadeiro roteiro de novela mexicana, vomitada por muitos, que Aaron Rodgers jamais teria superado o fato de ter sido preterido a Alex Smtih como 1ª escolha geral no Draft de 2005 pelo San Francisco 49ers, ocasião em que McCarthy era o Coordenador ofensivo do time e influenciou na escolha, o que faria o jogador ter uma “raiva carnal” de seu ex-treinador.

Essa narrativa vem sempre acompanhada de uma carga opinativa de cunho pessoal muito forte de quem não gosta do jogador, seja por sua personalidade, seu estilo de jogo ou simplesmente pelo seu sucesso como um dos jogadores mais talentosos da posição. Importante destacar aqui que o próprio jogador enfatizou isso na entrevista, quando falou que a mídia e principalmente quem não gosta dele, simplesmente tomou como verdadeiros os fatos do artigo e ficou “batendo” no jogador por já, muito provavelmente, não gostarem dele.

Questionado ainda sobre as “fontes internas” do jornalista autor do texto, ocasião onde foram levantados os nomes de seus ex-companheiros já aposentados, o TE Jermichael Finley e o WR Greg Jennings, o jogador foi enfático: “ Me incomoda que toda vez que há um artigo, são as mesmas duas pessoas “. Afirmou ainda que essa era a maneira de ambos ainda verem seus nomes sendo comentados e com algum destaque na mídia. Nesse ponto, o jogador citou vários casos e ocasiões onde fez-se presente como companheiro, apoiando, auxiliando ou estando presente com esses jogadores, razão pela qual não entende o fato do porquê ele seria um mau líder para eles.

Não é surpresa ou novidade que ambos, Jermichael Finley e Greg Jennings, não perdem uma oportunidade de sempre cutucar seu ex-companheiro de Packers. Ao longo dos últimos anos sempre tiveram seus nomes envolvidos em polêmicas, críticas ou mesmo comentários infelizes a respeito de Aaron Rodgers e até mesmo da franquia e coaching staff. Mesmo sendo de conhecimento de todos, surpreende o fato que ainda se dê tanta relevância e ouvidos a “relatos” dessa natureza. Em contrapartida, vários ex-companheiros deram inúmeras, declarações, entrevistas ou simples manifestações de apoio e em defesa ao quarterback do Green Bay Packers, dentre eles, John Kuhn, James Jones, Julius Peppers, Casey Hayward, Micah Hide e Jeff Janis, além de vários atuais companheiros que reiteraram a posição do jogador não só como líder, dentro e fora de campo, mas como exemplo de trabalho a ser seguido.

Gênios, geralmente, não são figuras fáceis de lidar, com Rodgers não é diferente, todos o colocam como uma figura obcecada pela vitória e extremamente competitivo, que trabalha sempre com uma carga grande de atenção e dedicação, o que naturalmente eleva o sarrafo e coloca seus companheiros nessa mesma posição de trabalho e empenho, algo nem sempre compreendido por todos, mas também distante daquilo que se tenta passar do jogador muitas vezes, assim como nesse episódio.

 

Nesse diapasão, vale olhar para o momento do time e de seu quarterback em especial, depois de muitos anos disputando diretamente o título da NFC e indo sempre aos Playoffs por muitas temporadas seguidas, o time de Green Bay vem de 2 anos atípicos na era do jogador, não indo sequer para a pós-temporada, enfrentando muitos problemas e passando por uma verdadeira reconstrução, iniciada na direção, passando pelo GM, coaching staff e chegando até o campo. Não fossem tais resultados recentes e uma queda de desempenho do atleta, dificilmente se estaria falando de algo assim a essa altura da offseason pelos lados do time, tais boatos, rumores e estórias são extremamente oportunistas pelo momento conturbado e difícil que passa a franquia, assim como o próprio Aaron Rodgers.

Por falar no seu desempenho, aspecto importante de ser falado é que o jogador revelou também agora as lesões que sofreu no jogo de abertura da temporada passada, quando teve que sair do jogo no início do 2º quarto e retornou no sacrifício, após o intervalo, para liderar a equipe a uma virada impressionante sobre o Chicago Bears. Ele sofreu uma fratura no planalto tibial (ruptura ou rachadura no topo do osso da cenla) e uma lesão muscular no ligamento medial do joelho esquerdo, danos sérios que são passíveis de tratamento até por cirurgia, o que obviamente não foi feito, já que o jogador atuou ainda assim durante toda a temporada, sem perder nenhum jogo por conta disso. Contudo, teve que lidar com muitas dores durante todo o ano e uma redução de sua mobilidade, fatores que sem dúvidas o atrapalharam e contribuiu bastante para uma queda de seu desempenho, sobretudo nas inúmeras vezes em que teve que “jogar a bola fora” para se livrar do contato, algo que pesou demais em sua taxa de passes completados.

Desse modo, para aqueles já crentes de que o declínio do jogador já tivesse chegado e a última temporada fosse uma amostra comprobatória disso, melhor esperar um pouco e rever essa ideia, o astro vem extremamente motivado, acompanhado de uma nova e boa mente ofensiva como head coach (Matt LaFleur), fato que inclusive já colocou que não serve de desculpa, a adaptação e habituação necessária, para que o time fosse se manter num limbo e afastado da disputa da divisão. Aaron Rodgers não só gosta e é motivado a vencer como sabe que isso talvez nunca tenha sido tão importante antes quanto agora. Alguém dúvida de que todo seu talento, magia e competência não estará presente em campo como o habitual na próxima season?

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