sábado, 6 de agosto de 2016

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Se você quer conhecer a realidade do futebol americano universitário, Last Chance U é a pedida ideal. Desde o primeiro momento, a série no formato de documentário lançada pela Netflix no último final de semana já mostra que não é só mais uma produção sobre esportes repleta de clichês. Ao contrário, deixa sua mensagem bem clara durante todo o seriado: A realidade nem sempre é bonita.

A série, que conta com seis episódios, acompanha a temporada 2015 do time de futebol americano da East Mississipi Community College (EMCC Lions), universidade localizada na pequena cidade de Scooba (Mississipi) que possui pouco mais de 700 habitantes. A equipe universitária compete na NJCAA, também conhecida como JUCO league. Nesse campeonato participam apenas Junior Colleges, que possuem elencos formados não só por recrutas locais como também por jogadores transferidos da primeira divisão pelos mais diversos motivos (notas baixas, problemas extracampo e etc). O Lions venceu as duas últimas temporadas anteriores à contemporânea da série (2013 e 2014) e vem de uma sequência de 24 jogos invictos. Naturalmente, a pacata região respira o College Football 365 dias por ano.

É neste cenário que acompanhamos o desenvolvimento de não apenas uma, mas várias histórias que possuem diferentes origens e consequentemente os mais variados personagens. Como o próprio nome da série define, a temporada pode representar a última oportunidade para muitos desses atletas. Ao contrário de alguns longas sobre esportes, o desafio não é apenas ganhar jogos, mas também superar problemas que vão muito além do Football.

Esses problemas são evidenciados na medida em que os personagens principais são apresentados. Apesar de seguir todo o time do Lions comandado pelo HC linha-dura Buddy Stephens, conhecemos de perto a história de jogadores como Ronald Ollie, DJ Law, John Franklin III e Wyatt Roberts. Estes dois últimos brigam pela vaga de quarterback titular e possuem histórias bem diferentes. Franklin foi recrutado por Florida State Seminoles , decidiu se transferir para EMCC atrás de oportunidades para ser titular e chamar atenção de outros times da D-I. Enquanto Roberts é um recruta local que não é tão badalado quanto Franklin, mas por estar na equipe há algum tempo, começa como quarterback titular. Ollie e Law são a personificação ideal da realidade de vários jovens que vêm de origem humilde e encontram no esporte uma forma de vencer na vida. Ambos compartilham características em comum: são muito talentosos, mas não possuem um bom aproveitamento acadêmico. No nível universitário, boas médias são necessárias para serem aceitos em times da D-I.

A real “MVP” do documentário é justamente a responsável pelo acompanhamento acadêmico desses jogadores, Brittany Wagner. No cargo de conselheira atlética, o trabalho dela é ajudar os jogadores a se formarem e terem o rendimento necessário para jogarem na D-I. Parece simples, mas não é. Por uma questão de raízes, muitos jogadores não dão a mínima para os estudos e notamos isso em cada episódio. São vários os jogadores que faltam aulas e testes, além de frequentemente irem sem o material escolar básico para estudarem. Apesar de ser muito difícil e requerer muito esforço da conselheira, Wagner sabe que o trabalho dela vai muito além do esporte. Ela quer ajudar a formar não só jogadores, mas seres humanos.

Mesmo focando de forma ampla no extracampo, o documentário não decepciona o fã do esporte. Vários lances dos jogos são mostrados, além dos treinamentos do time, reuniões privadas e discursos motivacionais. Tudo isso resultando em uma grande produção que abre os olhos para a vida de atleta-estudante. No fim das contas, é na pequena Scooba que sonhos são construídos e destruídos, garotos são transformados em homens e para muitos, de fato, é a última chance.

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