terça-feira, 15 de setembro de 2020

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Sejam bem-vindos à nova coluna “Sobe e desce da rodada”! Às terças-feiras, vamos colocar em discussão quais foram alguns dos pontos de destaque (para o bem ou para o mal) dos jogos disputados entre quinta e segunda-feira: a produção individual de jogadores; quais foram as unidades de ataque, defesa ou times especiais que se sobressaíram; a influência da comissão técnica no resultado da partida, e o que mais de curioso acontecer. Como o futebol americano também é feito de jogadas que nos deixam boquiabertos, no final da coluna haverá a jogada da semana para as três fases do jogo: ofensiva, defensiva e times especiais.

Sobe: Para a surpresa de ninguém, Aaron Rodgers ainda é muito bom no que faz

Ao longo da intertemporada muito se falou sobre como Aaron Rodgers lidaria com a movimentação feita pela diretoria de Green Bay em selecionar um novo quarterback na primeira rodada do Draft de 2020. Falando nos microfones, ele foi muito receptivo ao calouro Jordan Love para ajudá-lo no que for necessário para melhorar o seu futebol. No domingo, dentro de campo, Rodgers mostrou que Love ainda terá que aguardar bastante tempo para ocupar o seu lugar como titular da franquia.

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Contra o Minnesota Vikings, Aaron Rodgers comeu com farofa, como diria o outro, a jovem secundária adversária, conectando 32 dos 44 passes lançados, sendo 4 destes para touchdown, além de registrar 364 jardas aéreas e 127,5 de rating, índice que leva em consideração essa e outras estatísticas para medir a efetividade do passador em campo.

Anotando 43 pontos e completando passes para sete diferentes jogadores, Aaron Rodgers deixou bem claro para todos na liga, especialmente para a diretoria do Packers, que ele ainda é muito bom no que faz. Eu é que não estou surpreso com isso.

Desce: gerenciamento de jogo de Mike McCarthy

Antes de mais nada, um esclarecimento: eu só coloquei a questão do gerenciamento de jogo do Mike McCarthy em sua estreia como algo negativo (desce) porque o resultado da jogada crucial da partida foi insatisfatório. A seguir, vou explicar os motivos que me levam a crer que o novo treinador do Dallas Cowboys fez certo em ousar nessa jogada específica.

Vamos aos fatos: no início do quarto período, o Cowboys perdia fora de casa para o Los Angeles Rams por 20×17. Depois de avançar 56 jardas em oito jogadas, a equipe estava na linha de 11 jardas com uma decisão a tomar: arriscar em uma quarta para três e tentar ganhar a primeira descida – ou até mesmo anotar um touchdown – ou se contentar com um field goal para empatar a partida?

Confiando no QB Dak Prescott e no trio de recebedores à disposição (Amari Cooper, Michael Gallup e CeeDee Lamb), Mike McCarthy decidiu escolher a primeira opção. Como explicou após a partida, a chamada feita por Kellen Moore, Coordenador Ofensivo da equipe, era um conceito chamado mesh, que busca dar ao passador opções baixas (mais próximas à marca da primeira descida) e altas, ou seja, afundando o campo.

https://twitter.com/NFL/status/1305337981629153280

Para quem gosta de seguir uma abordagem mais conservadora, a escolha natural seria colocar o kicker Greg Zuerlein para igualar o placar em um FG de 29 jardas. Particularmente, gosto de treinadores que se arriscam e confiam nos seus atletas para fazerem as jogadas nos momentos-chave da partida. Afinal, não há garantia de que o seu ataque novamente ficará na linha de 11 jardas, pertinho da end zone. E o ataque do Cowboys de fato não teve outra oportunidade tão boa para pontuar nas campanhas seguintes. Estou contigo nessa, McCarthy!

Sobe: Deixaram o Russell Wilson soltar o braço

Com 8 anos de liga, já tivemos a oportunidade de ver que Russell Wilson faz coisas com uma bola oval na mão que poucos na NFL conseguem replicar. Em Seattle, uma das principais discussões entre analistas e torcedores nos últimos anos tem sido qual é a melhor forma de aproveitar o talento do seu QB titular. Dar prioridade ao jogo terrestre nas primeiras descidas para abrir espaço para o passe? Confiar com mais frequência no potencial de Wilson em conectar com precisão os seus recebedores, principalmente nas rotas longas?

Independente de qual seja a sua preferência, Brian Schottenheimer, Coordenador Ofensivo do Seahawks, mostrou que a segunda opção é, sem dúvidas, uma excelente escolha para a unidade ofensiva da equipe.

https://twitter.com/Seahawks/status/1305219048695721985

Na vitória fora de casa contra o Falcons por 38×25, Wilson teve números absurdos: 31/35, 322 jardas e 4 TDs aéreos. Você não leu errado: a quantidade de passes incompletos foi a mesma daqueles conectados dentro da end zone. Com um desempenho assim, eu sou o primeiro na fila para endossar o pedido: deixem o Russell Wilson soltar o braço!

Desce: que drop miserável, D’Andre Swift!

O Detroit Lions arrumou uma nova forma de decepcionar o seu torcedor já na primeira semana da temporada. Jogando em casa, a equipe perdia para o Chicago Bears por 27 a 23 e precisava de um touchdown para virar o jogo.

Com 1:52 minutos restantes e nenhum tempo para pedir, o QB Matthew Stafford conduziu o time até a linha de 16 jardas do campo de ataque, deixando 11 segundos no relógio para tentar em duas ou três jogadas rápidas o passe na end zone. Eis que entra em cena o running back novato D’Andre Swift, escolha de segunda rodada do Draft deste ano:

Que mão de pau é essa, D’Andre Swift?!

Se vale de alguma coisa, a rota foi bem executada, com o ganho de separação do linebacker e Swift se colocou em uma situação favorável para fazer a jogada que definiria a partida. Porém, não dá para passar pano para o jovem jogador: a bola foi colocada no peito, então tem que agarrar!

Sobe: Gardner Minshew não é só um meme

Como nem só de cabelo hidratado e bigode na régua se faz um quarterback na NFL, Gardner Minshew deixou bem claro na vitória contra o Indianapolis Colts que ele não é apenas um meme ambulante, e sim  um passador capaz em liderar a franquia de Jacksonville no seu projeto de reconstrução.

Os números de Minshew foram tão bons que eu achei melhor consultar em três sites diferentes para ter a certeza do que li: 19/20, 173 jardas, 3 TDs aéreos. No domingo, ele se tornou o primeiro jogador na história da NFL a ter 95% de seus passes completados e lançar 3 vezes para os seus recebedores na end zone em uma única partida. O que mais você pode pedir dele?

As melhores jogadas da semana 1:

Ofensiva: rota Go perfeitamente executada pelo novato WR Jalen Reagor (Philadelphia Eagles) contra a secundária do Washington Football Team

https://twitter.com/NFL/status/1305197076238614530

Defensiva: LB Jerome Baker (Miami Dolphins) força o fumble e o touchback

Times especiais: Baltimore Ravens impede conversão de fake punt contra o Cleveland Browns

https://twitter.com/catchtheblitz/status/1305196574319030273

Para finalizar, uma breve constatação: o DT Aaron Donald, do Los Angeles Rams, é uma aberração da natureza. A habilidade atlética dele é tão grande que ele brinca de boliche humano com homens que têm mais de 130kg.


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