terça-feira, 7 de abril de 2020

Compartilhe

A sina do Cleveland Browns nas últimas temporadas tem sido investir em jogo ofensivo. Talvez única marca registrada no meio de tanta desorganização. Seja fazendo trocas bombásticas, escolhas de Draft ou mudanças de treinador. Tudo gira em torno do ataque. E a cartada para 2020 se encaixa, novamente, neste DNA.

Rumo seguido pela franquia não chega a ser novidade. Vários times tomaram o mesmo destino com sucesso. Chiefs e 49ers, que protagonizaram último Super Bowl, servem de exemplo. Em Cleveland, no entanto, tempos sombrios não dão sinais de melhora.

Leia Mais: A delicada situação de Yannick Ngakoue no Jacksonville Jaguars

Leia Também: O Bengals não tem pressa em definir o futuro do QB Andy Dalton. E com razão

A escolha por Kevin Stefanski faz sentido em uma análise superficial. O ex-coordenador ofensivo do Vikings abusou do jogo terrestre com RB Dalvin Cook e deixou o QB Kirk Cousins em situações claras de play action. E o resultado foi positivo. A equipe de Minnesota conseguiu fazer barulho na pós-temporada, venceu favorito New Orleans Saints e só foi parada na divisional round para 49ers. Mas, de fato, havia um diferencial tão grande neste ataque que justifica a contratação do jovem treinador?

Sobrou feijão com arroz. Faltou o molho especial. Para receita ser perfeita, cozinheiro precisa ser criativo. E Stefanski não conseguiu ser esse cara. Não havia variedade de jogadas. Nem mesmo de alvos. Stefon Diggs passou de 1.100 jardas na temporada. Abaixo dele vem Cook, que não chegou a 600. É verdade que Thielen passou boa parte da temporada machucado. Mas nenhum outro WR conseguiu ser a válvula de escape. O veterano Kyle Rudolph produziu apenas no trecho final do campo, anotando 6 TDs.

O jogo terrestre foi o diferencial. Linha ofensiva melhorou e Dalvin Cook se tornou o jogador que a torcida esperava. Caiu de produção sem o camisa 33 em algumas semanas. Sinal de falta de equilíbrio e imprevisibilidade. Atributos sentidos também em jogos decisivos, como contra Green Bay Packers, Kansas City Chiefs e Seattle Seahawks. Duelos que custaram o título de divisão e provável folga na primeira semana do Draft. 

Vale lembrar que nos corredores do U.S. Bank Stadium uma sombra auxiliava Stefanski. Gary Kubiak, campeão do Super Bowl com Denver Broncos na temporada de 2015. Na época, o time carregado pela defesa fenomenal, tinha uma ideia de ataque clara: O básico. Estabelecendo o jogo pelo chão e abrindo espaços para Manning, já em fim de carreira, no play action. Ou até mesmo Brock Osweiler quando o veterano estava lesionado. Exatamente o mesmo jogo de Minnesota em 2019. E continuaremos a ver nos próximos anos, já que Kubiak deixou a posição de conselheiro para voltar a pôr a mão na massa.

É claro que Stefanski tem seus méritos e se mostra promissor. Hue Jackson também se mostrava quando foi coordenador ofensivo na vizinha de estado Cincinnati. Freddie Kitchens parecia ser o nome certo após criar forte laço com QB Baker Mayfield em seu ano de calouro. E os três tinham um ponto em comum: falta de experiência como treinador principal. Mais do que isso, não estavam preparados para assumir o cargo.

Ser o número na linha de frente de uma equipe é bem diferente de chamar jogadas. Requer liderança para gerir o vestiário, controle total da equipe e virtudes do atletas, saber montar o esquema em cima das características do grupo. E idade pouco importa neste momento. Sean McVay se mostrou uma brilhante mente ofensiva e já levou o Rams ao Super Bowl. Kyle Shanahan tinha até mais destaque em Atlanta que o treinador principal Dan Quinn antes de chegar ao 49ers. Outro dessa nova safra que bateu na trave na busca pelo título. Kevin Stefanski, atualmente, está anos-luz abaixo de ambos.

O treinador de 37 anos pode queimar minha língua. Tem ferramentas para isso. Dois ótimos RBs, excelente dupla de WRs e linha ofensiva se reforçando com Austin Hooper e Jack Conklin. Ataque tem peças para estar entre mais produtivos da liga. Stefanski pode usar isso ao seu favor. Mas é bom lembrar. O ataque precisa ser equilibrado e imprevisível. 

Outras opções foram cogitadas e até procuradas. Inclusive Robert Saleh, coordenador defensivo do 49ers, que amassou Stefanski na segunda rodada dos playoffs. Mas o desejo de quem assina o cheque em Cleveland em ter outro treinador para mimar Baker Mayfield prevaleceu de novo. Stefanski tem qualidades. Contudo, ainda é uma incógnita. E a torcida do Browns cansou de ver mais do mesmo.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Comments are closed.