terça-feira, 16 de julho de 2019

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Não são raras as notícias sobre as tentativas da NFL de expandir a sua temporada regular. A última proposta enviada para a NFLPA, a associação de jogadores, é de deixar a temporada com 18 jogos, como o que costuma ser ventilado quando esse papo aparece na mídia. O diferencial dessa última ideia foi que haveria um limite de 16 participações por jogador.

Esta limitação era o que a NFL pretendia usar como argumento para os jogadores que a expansão não aumentaria o risco de lesões. A NFLPA, no entanto, já rechaçou a ideia. Mas essa discussão ainda deve ganhar novos capítulos. Evidentemente, não é nem um pouco difícil entender os motivos (o motivo, na verdade) que levam os donos das franquias a quererem aumentar o calendário: grana. Cada jogo da NFL representa uma fortuna em direitos de TV, sem falar na bilheteria e outras receitas menores durante as partidas. Nenhum bolso nunca está cheio o suficiente, e é natural que a Liga queira aumentar suas receitas.

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No entanto, expandir a temporada regular é algo muito complexo e delicado, e há diversos fatores que devem ser levados em conta antes de tal decisão. Fatores esses que, se não chegam a inviabilizar a ideia, deveriam pelo menos fazer pensar se valeria a pena, pensando no médio e longo prazo, sacrificar tanta coisa em troca de um ganho financeiro imediato. E se esses sacrifícios não acabariam se voltando contra a própria Liga posteriormente.

Primeiro, vamos pensar nos fatores logísticos. A limitação de partidas por jogador é definitivamente inviável com a formação dos elencos no molde atual, com 53 jogadores. Nas posições de especialistas (kicker, punter e long snapper), os times carregam apenas 1 jogador, sem reserva para eles. Como é impossível pensar na ideia de que algum time aceitaria o risco de dispensar um deles para algum dos jogos extras e não conseguir recontratar depois, só aí já seriam 3 vagas a mais para jogadores que atuariam somente 2 vezes por ano. E a limitação de jogos seria para todos, não apenas os especialistas, então seriam necessárias mais vagas (algo em torno de 10, creio eu).

E se a questão do dinheiro pega para os donos, também pega para os jogadores. Mesmo se a proporção da renda que já vai para os atletas for mantida a mesma com estes jogos extras, considerando as eventuais vagas extras nos elencos, a grana por jogador acabaria diminuindo. Teria que acontecer um aumento substancial no teto salarial.

E o que dizer então de escolher 2 jogos para jogar com o quarterback reserva? Claro que o esporte não é preto no branco, mas eu enxergo duas mensagens possíveis que um time passa quando um técnico escolhe um jogo para poupar seu QB titular: ou você está dizendo para seu adversário que esse jogo não é importante, podendo criar um fator extra de motivação, ou, pior ainda, passar essa mesma mensagem para sua própria torcida, o que poderia significar audiências menores mesmo na TV. Afinal, do mesmo jeito que temos a galera mais fanática, muita gente sintoniza os jogos só para ver um Tom Brady ou Drew Brees da vida, e esses fãs casuais podem perfeitamente desistir do jogo se perceberem que o astro não está em campo.

Outro efeito colateral seria para os torcedores de um time que moram longe da cidade em que a franquia atua. Por exemplo, imagine um torcedor do Green Bay Packers que reside em Miami. Pelo atual sistema de rotações entre as divisões na montagem do calendário, este torcedor só teria a oportunidade de ver seu Packers perto do seu lar para enfrentar o Dolphins uma vez a cada oito anos. Daí, quando finalmente ele tem a chance de ver um jogo no estádio, ao invés de Aaron Rodgers, entra em campo DeShone Kizer.

Aliás, o desnível técnico entre titulares e reservas não é algo exclusivo da posição de QB. Em posições de habilidade (RB, WR, TE) o nível ainda é parelho e diferenças de habilidade podem ser mascaradas até certo ponto com uma boa estratégia de jogo. Mas, por exemplo, nas linhas ofensivas, já vemos atualmente muita diferença no nível quando um jogador fica fora. Se esse rodízio for institucionalizado, o nível de jogo certamente cairá. Afinal, ter mais jogos com um nível técnico inferior é mesmo uma boa ideia?

Ainda ouviremos muito sobre a possível expansão da temporada conforme as notícias sobre o novo acordo trabalhista vierem (lembrando que o atual acordo expira em 2021). Pessoalmente, acho o sistema do calendário excelente do jeito que ele é, mas não sou completamente avesso a mudanças. No entanto, ainda não vi nenhuma que me fizesse achar que vale a pena. Essa última, certamente, não passou nem perto disso.


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