segunda-feira, 16 de julho de 2018

Compartilhe

Ser indicado para o Hall da Fama do Futebol Americano Profissional é uma das maiores honrarias que um jogador pode receber. Dentre as conquistas individuais talvez nenhuma seja tão significativa quanto ir a Canton, em Ohio, para receber o paletó dourado e se juntar a lista dos melhores de todos os tempos. Parece impensável um atleta, treinador homenageado se recusar a comparecer a uma cerimonia deste porte, que honra sua carreira e seu desempenho como profissional, certo? Pois foi, de forma inédita, exatamente essa decisão que o ex-recebedor Terrell Owens tomou.

Leia mais: A história do Hall da Fama do Futebol Americano Profissional

Owens, independente de tudo, tem seu lugar reservado na história da liga: está entre os 10 melhores de todos os tempos em números de recepções (1.078), jardas recebidas (15.934) e touchdowns recebidos (153). Selecionado em 1996 pelo San Francisco 49ers estourou realmente apenas em 2000, para depois liderar a NFL em touchdowns recebidos nos próximos dois anos. Após sair da Califórnia, Owens se juntou aos Eagles onde quase alcançou um Super Bowl (perdendo para o Patriots na decisão). Ainda ficou mais um ano em Philadelphia antes de assinar com o Cowboys, já com 33 anos, tendo três temporadas espetaculares, com uma média de 1.196 jardas recebidas e um total de 38 touchdowns. Suas últimas aparições jogando na liga foram pelo Bills (2009) e pelo Bengals (2010).

Apesar de todo esse sucesso dentro de campo, Owens entrou apenas para a classe deste ano do Hall da Fama, após ser deixado de fora em seus dois primeiros anos como elegível a homenagem. As razões para isso tem relação direta com o extra campo do jogador. É consenso que o atleta era muito complicado de se ter como companheiro de equipe e que trazia problemas ao vestiário. Ele adorava estar nos holofotes da mídia e fazia de tudo para atrair a atenção para si. Suas saídas durante as trocas de times eram normalmente envoltas de polêmicas.

Se é por despeito aos responsáveis pela seleção (que deixaram-o de fora em duas oportunidades) ou para chamar atenção da mídia não se sabe, mas Owens anunciou que não irá participar da homenagem em Canton. Parte da declaração dada pelo jogador diz que: “Após visitar Canton no início deste ano, decidi que gostaria de celebrar um dos dias mais memoráveis de minha vida em outro lugar.” Este lugar citado na declaração foi divulgado no início deste mês. Owens disse que dará seu discurso na McKenzie Arena no campus da Universidade do Tennessee, em Chattanooga, onde ele jogou futebol americano e basquete pelos Mocs. O evento que se dará mais cedo no mesmo dia das homenagens em Ohio será grátis e aberto para o público.

Após pensar muito no assunto, Eu percebi o quanto quero comemorar o que inevitavelmente será o melhor fim de semana da minha vida em um lugar que significa muito para mim. (Terrell Owens)

Owens já recebeu diversas críticas pela sua atitude de não comparecer a Canton. O ex-astro da NBA Charles Barkley ressaltou que o discurso dado na cerimônia não é sobre o atleta, mas sim sobre todos os que o ajudaram a chegar lá. Thurman Thomas, antigo running back do Buffalo Bills e membro do Hall da Fama também o criticou, dizendo que não importa se você é escolhido no primeiro, segundo ou terceiro ano, você deve aproveitar quando acontecer. O ex-Cowboys e também membro do Hall da Fama Michael Irvin foi outro que criticou o jogador, dizendo que por mais que ele tenha direito de tomar essa decisão, fica decepcionado pela atitude.

Na última quinta-feira Joe Horrigan, diretor executivo do Hall da Fama, anunciou que Owens não será homenageado individualmente durante as celebrações. Ele será nomeado quando todo o grupo for anunciado e aparecerá nas fotografias dos membros da classe e só. O paletó dourado, que normalmente é presenteado aos indicados em um jantar na noite anterior à cerimônia, será enviado para Owens após as festividades. “Não há motivos para anunciá-lo individualmente. Ele não estará aqui”, disse Horrigan durante a declaração.

A atitude da comissão do Hall da Fama em relação a Owens é completamente compreensível. Owens merecia ser indicado já em seu primeiro ano? Talvez. Pelo seus números, com certeza. Por suas atitudes fora de campo, nem tanto. Mas ele foi indicado, mesmo que tardiamente e deveria aceitar esta honra. De todos os jogadores, técnicos, dirigentes ou pessoas que de alguma forma já se envolveram com o esporte na história apenas 318 estão no Hall da Fama. Destes, 165 estão vivos. Ser membro desse seleto grupo é algo espetacular e o tempo que levou para essa indicação sair não deveria ser tão importante. Além disso, manter o foco da homenagem em quem vai estar lá para recebê-la é uma atitude correta e respeitosa a estes homenageados. Além de Owens, a classe de 2018 terá Ray Lewis, Randy Moss, Brian Urlacher, Brian Dawkins, Bobby Beathard, Jerry Kramer e Robert Brazile.

 

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Leave A Reply