terça-feira, 16 de abril de 2019

Compartilhe

 

Head Coach Andy Reid, Tyrann Mathieu e General Manager Brett Veach na apresentação do jogador em Kansas City. (Foto: Tammy Ljungblad)

É interessante notar como o perfil de um time pode mudar após uma temporada. Conhecido nos últimos anos por ter uma defesa sólida que figurava entre as melhores da liga, o Kansas City Chiefs atualmente é um dos times que mais representa a explosão ofensiva que tomou conta da NFL. Entretanto, vale salientar que não importa quão excepcional seja o seu quarteback, ou quanto talento um time possui no corpo de recebedores, negligenciar o plantel defensivo pode ser a diferença entre uma ótima temporada e ter um Trófeu Vince Lombardi na galeria do time. Passando por uma mudança de sistema defensivo e com a necessidade de ter um líder em uma secundária jovem, a contratação do safety Tyrann Mathieu pela equipe de Kansas foi um grande acerto.

Estatisticamente, a defesa dos Chiefs deixou bastante a desejar na última temporada.  A equipe figurou entre as piores da liga em alguns quesitos como jardas cedidas ficando em 31º lugar (405.6) e pontos por jogo (26.3) ficando em 23º. Dos 51 touchdowns sofridos durante a temporada regular (7ª pior marca da liga), 30 foram anotados por jogadas aéreas (top 10 entre os piores). Todavia, liderada pelo trio DT Chris Jones, DE Dee Ford e LB Justin Houston, a defesa dos Chiefs liderou a liga em sacks no ano com a impressionante marca de 52 sacks anotados empatao com o Pittsburgh Steelers. Além disso, a unidade defensiva foi top 10 em turnovers com 27 roubos de bola (15 interceptações e 12 fumbles). Todos esses números mostram um pouco das duas faces de uma defesa que sabia pressionar o QB adversário e forçar turnovers, mas era uma presa fácil contra o jogo aéreo. Em 2019, Steve Spagnoulo chega para ser o novo coordenador defensivo e tudo indica que haverá uma mudança do sistema 3-4 para o 4-3. A troca de Dee Ford para o San Francisco 49ers, o corte de Justin Houston e do safety Eric Berry fazem parte do processo de reconstrução da unidade defensiva. O novo coordenador defensivo é famoso por orquestrar a grande perfomace defensiva do New York Giants no Super Bowl XLII contra o até então invicto New England Patriots e claramente o Kansas City Chiefs sabe que a equipe de Foxbourough é o principal adversário no caminho da time ao Super Bowl.

Leia Mais: Há poucos dias do draft, relembre uma das trocas mais infames da história da NFL.

Leia Também: Jammal Charles merece ser eleito para o Hall da Fama?

Para um grupo que perdeu referências importantes e para um time que provavelmente vai gastar muitas escolhas de draft na defesa, o safety Tyrann Mathieu deve cair como uma luva dentro e fora de campo. O jogador terá 27 anos quando a temporada começar, sendo um dos mais velhos do elenco. Fato que já o colocaria numa posição de tutor dos calouros, mas usar esta palavra não é exagero. Mathieu foi um promissor jogador quando atuava por LSU, contudo vários problemas extracampo acabaram por minar uma transição tranquila para a NFL. Embora tenha despencado no board do draft em 2013, entrou na liga sendo selecionado na 3ª rodada pelo Arizona Cardinals. Em Arizona, o jogador foi First Team All-pro e selecionado para o Pro-Bowl em 2015. Convivendo sempre com lesões e se negando a reestruturar o seu primeiro grande contrato o safety se despediu do time que o draftou e assinou com os Texans no ano passado. Com uma temporada livre de lesões e atuando em todos dezesseis jogos, Mathieu foi um dos poucos destaques defensivos da equipe do Texas. Muitos companheiros de time afirmam que o jogador era amado nos vestiários, principalmente pelos jogadores mais novos, com os quais se reunia para dar dicas e ajudar na evolução do jogo de cada um estabelecendo assim uma boa quimíca no vestiário da equipe.

Tyrann Mathieu discursando para os seus companheiros do antes do Thurday Night Football contra o Miami Dolphins na semana 8.

Tyrann Mathieu é conhecido por sua versatilidade e entrega. Embora possa atuar como nickelback ou free-safety, o jogador provavelmente deve ser usado como strong safety pela sua capacidade de derrubar jogadores maiores e mais fortes (característica que lhe rendeu o apelido de “The Honey Badger”, Texugo do mel em português). Os números dentro de campo não são absurdos 397 tackels, 7 sacks e 13 interceptações em seis anos de NFL, contudo a cultura de vestiário e o líder que a equipe de Kansas está trazendo para o seu elenco vai além de qualquer estatística. A equipe possui 8 escolhas no próximo draft e como deve ter um elenco recheado de novatos principalmente no lado defensivo da bola, nada mais importante do que alguém com o perfil de líder que apesar de ter passado por várias lesões sempre deu a volta por cima e deixou para trás um passado turbulento com episódios lamentáveis para se torna um dos maiores exemplos de caráter na NFL.

Os últimos dias na turbulenta offseason da NFL foram marcados por inúmeras polêmicas envolvendo mídia, jogadores renomados e franquias renomadas. Não irei citar nomes, pois não pretendo dar margem para algo tão negativo e repetitivo. Entretanto o que se observa é que a maior parte desses problemas foram causados por vestiários turbulentos e jogadores colocando o próprio ego acima do time. Há um consenso na NFL que para um determinado jogador se manter no time, ele precisa ser bastante talentoso ou ser amado no vestiário. Logo, os torcedores do Kansas City Chiefs podem ficar bem felizes, pois conseguiram ambos quando trouxeram o Honey Badger.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

 

Compartilhe

Comments are closed.