segunda-feira, 1 de junho de 2020

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Ir para o draft sem escolha de primeira rodada é um desafio para qualquer franquia, algo que se torna ainda mais complicado se sua primeira seleção for fora do top 50, pois em todos os recrutamentos, por melhor que seja a classe, reconhecidamente há um hiato considerável de talento após as cinquenta primeiras seleções. Ainda assim, tal fator não impediu que o Buffalo Bills, sob o comando de seu GM Brandon Beane, pudesse fazer um bom trabalho no draft de 2020 e obter bons valores, principalmente em suas quatro primeiras seleções, algo crucial para um time nessa posição.

Merece ser ressaltado que a equipe de Buffalo não contou com sua escolha de 1ª rodada em razão da negociação pelo WR Stefon Diggs, onde também foram enviadas picks de 5ª e 6ª rodada de 2020 e uma 4ª rodada de 2021, num pacote que acabou ficando um tanto quanto caro, mas que a equipe se sentiu à vontade para pagar e dar ao QB Josh Allen a possibilidade de contar com um recebedor de grande nível pela primeira vez na carreira. Assim, aquela que era a grande necessidade, foi sanada antes mesmo do draft, mas com o auxílio desse capital que o Bills contava e que foi manejado de maneira inteligente, para adquirir um jogador de qualidade incontestável, ainda jovem (26 anos) e no auge de sua forma, tendo tudo para ser o WR1 da franquia pelos próximos anos.

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A partir de então, as atenções puderam ser depositadas para outras áreas de carência do elenco, mas muito mais do que apenas atender uma necessidade, a escolha de A.J. Epenesa (Iowa), com a pick número 54, foi uma excelente oportunidade de adquirir um valor que caiu e foi muito além na board, do que aquilo que seu potencial e capacidade verdadeiramente apresentam. Ele pode não ser aquele EDGE speed rusher clássico, que ganha na velocidade e explosão, porém, consegue bater os OLs, chegar no QB e colapsar o backfield de outras maneiras, principalmente valendo-se de seu ótimo trabalho de mãos, mostrando muita potência para desestabilizar os adversários, assim como utilizando seu tamanho, normalmente com um bom plano de pass rush que deixa nítido seu alto QI de futebol e bom processamento mental. Jerry Hughes e Mario Addison são bons jogadores, ainda produtivos, mas já veteranos, a chegada de Epenesa traz um elemento novo nessa rotação e já garante o futuro dá posição para a defesa.

Mesmo antes da saída de Frank Gore, já era esperada uma busca para outra peça no grupo de running backs, com a saída do veterano, essa necessidade se intensificou ainda mais e culminou com a escolha do RB Zach Moss (Utah) no 3º round. Titular por 03 anos no College, Moss foi extremamente produtivo em Utah, mostrando um ótimo controle de corpo e boa capacidade para quebrar e forçar tackles perdidos. Com pés ágeis e bons cortes curtos, tende a ser um ótimo complemento a Devin Singletary no backfield e pode até mesmo ganhar mais toques na bola do que seu companheiro, já que tem potencial e características para liderar um comitê de RBs. A desconfiança que paira sobre o atleta é quanto a sua durabilidade e alguns problemas com lesões que já teve, contudo, não dá para deixar de expor que o bom ataque terrestre do Bills ganha mais uma arma versátil e dinâmica arma.

RB Zach Moss

A escolha de Gabriel Davis (UCF) na 4ª rodada é ótima tanto para o time, como para o jogador, pois por mais potencial e ferramentas que o jovem recebedor tenha, ainda carece de um maior trabalho e evolução em vários aspectos de seu jogo, como no aperfeiçoamento de corrida de rotas e diversificação dessa árvore, trabalho contra marcação no press e desenvolvimento da parte física. Com o depth de WR contando com Stefon Diggs, John Brown e Cole Beasley, Davis não terá obrigação de produzir muito imediatamente e poderá ter seu desenvolvimento bem trabalhado. Titular desde o início da carreira em UCF, é um protótipo de “X receiver” muito interessante, com bom porte físico e tamanho, tendo boa capacidade de YAC e que saber fazer bons cortes e quebrar tackles, podendo gerar um ótimo e promissor retorno no futuro.

A seleção do QB Jake Fromm (Georgia) pode ter desagradado fãs e até mesmo alguns analistas, mas é totalmente compreensível na altura em que foi feita, já no 5º Round. Fromm chega para exercer o papel de backup de Josh Allen, que é justamente o cenário que imagino para sua carreira na NFL, o de se estabelecer como um bom e seguro QB backup, que pode segurar a onda nos momentos em que for chamado/solicitado, fazendo rodar sistemas simples e principalmente focados no jogo terrestre, com capacidade, inclusive, para ganhar jogos. Caso, por ventura, ele surpreenda e tenha um desenvolvimento além do esperado e das ferramentas que mostrou até aqui, bom para o Buffalo Bills, que de alguma forma terá um retorno maior do que o investido nessa escolha praticamente sem riscos.

WR Gabriel Davis

Selecionar jogador de special teams sempre é um ponto passível de questionamentos, já que historicamente e rotineiramente se consegue bons valores nessas posições através de undrafted free agents, porém, mesmo assim o time buscou o kicker Tyler Bass (Georgia Southern) na sexta rodada e com isso passa uma importante mensagem de risco para o experiente kicker Stephen Hauschka, que em 2019, embora tenha mantido o aproveitamento da temporada anterior, de perto de 80% nos chutes, caiu muito de rendimento nos field goals mais distantes, de mais de 50 jardas. Assim, Hauschka terá que vencer uma dura batalha com o calouro no training camp para manter seu emprego salvo.

WR Isaiah Hodgins (Oregon State) e o CB Dane Jackson (Pittsburgh) foram os dois últimos jogadores selecionados e chegam sem muito holofote ou expectativas, embora Hodgins tenha uma real chance de fazer parte do elenco final e até de conseguir jogar, dada a falta de profundidade no elenco e também dá sua consistência como bom corredor de rotas e de ter ótimas e seguras mãos. O fato de ter vindo um cornerback apenas no último round, é um forte indicativo de como o head coach Sean McDermott confia e conta que Josh Norman ainda possa desempenhar em alto nível e reviver os bons tempo de Carolina Panthers, quando trabalharam juntos.

Diante de todo o cenário exposto, não é que o Buffalo Bills tenha feito o melhor recrutamento de todos ou tenha a melhor e mais promissora classe de calouros, longe disso, mas é louvável o bom trabalho que o GM Brandon Beane e seu front office fizeram, maximizando o limitado capital de draft que tinham disponível e trabalhando em frentes diferentes para fortificar e qualificar um elenco que entra na temporada de 2020 com boas chances de desbancar o New England Patriots na divisão, tarefa que mesmo com o atual contexto, não será algo simples de se fazer.

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