terça-feira, 23 de janeiro de 2018

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Que o técnico Doug Pederson é um dos principais responsáveis pela incrível temporada do Philadelphia Eagles ninguém tem dúvidas. O treinador transformou completamente o time no decorrer de suas duas temporadas no comando da franquia, sendo querido por jogadores, torcida e mídia local. No entanto, não custa lembrar que nem sempre o HC foi o queridinho da torcida mais empolgada da NFL no momento.

Quando foi contratado, no início de 2016, Pederson chegou à Filadélfia com grande desconfiança. O treinador era apenas a 2ª opção da franquia apara ocupar o cargo, uma vez que Ben McAdoo era a bola da vez entre os dirigentes, que acabou sendo promovido no rival New York Giants, no que se comprovou futuramente como sendo uma aposta fracassada. Diante de um cenário não tão promissor, Pederson tomou as rédeas do vestiário dos Eagles aos poucos e foi moldando o time à sua maneira.

A equipe vinha de uma experiência frustrada em Chip Kelly, que até rendeu alguns frutos no início da parceria, mas por conta da megalomania do antigo técnico, acabou se tornando um desastre com o passar do tempo. Pegando um elenco desmantelado e um clima de completo caos no vestiário, Doug Pederson conseguiu transformar essa zona em pouco tempo num time que está de volta ao Super Bowl após 13 anos e mantém viva a esperança de uma fanática base de fãs finalmente ver a equipe levantar o troféu Vince Lombardi pela primeira vez.

Uma das alterações trazidas por Pederson foi a experiência de ex-jogador (atuou profissionalmente como QB), que melhorou de forma considerável a gestão do grupo. O que antes era um vestiário desunido agora se transformou num time com uma mentalidade vitoriosa, aonde todos têm sua voz. Os méritos das vitórias são compartilhados e a comunicação entre comissão técnica e elenco melhorou da água para o vinho. Os corredores do complexo de treinamento do Eagles também estão recheados de frases motivacionais para que os atletas permaneçam inspirados e focados no trabalho, algo que ficava em segundo plano anteriormente.

O grande desenvolvimento do roster é outro fator que entra na conta de Doug Pederson. A transformação de Carson Wentz num real candidato a MVP enquanto se manteve saudável, a recuperação de Nelson Agholor (que já parecia estar se acostumando com o rótulo de bust) e o belo trabalho realizado pela linha ofensiva são alguns pontos que merecem destaque e que são méritos do treinador. A defesa, ainda que não passe diretamente pelas mãos do HC, é outra que sempre corresponde quando é necessário.

O que tem desequilibrado a favor dos Eagles, porém, foi como esse time foi moldado para não ser dependente de seus titulares. Enfrentando diversos problemas por lesões, a equipe conseguiu se reinventar e dar a volta por cima. Wentz saiu e entra um Nick Foles, que mesmo longe de ser brilhante, consegue ser o game manager que Philadelphia precisava. Nessa leva entram outros jogadores que poucos esperavam que fossem render, mas que deram conta do recado, entre eles Halapoulivaati Vaitai, Joe Walker, Corey Clement e Rasul Douglas.  Pederson deu condições para que todos entrassem num sistema e conseguissem manter o nível dos titulares, algo que dificilmente se vê numa liga em que uma lesão pode determinar o fim de temporada para várias organizações.

Indo especificamente para o ataque, todas as peças são relevantes. LeGarrette Blount e Jay Ajayi dividiram suas corridas e tiveram sua importância. No jogo aéreo, Alshon Jeffery, Torrey Smith e Zach Ertz são peças fundamentais e que se complementam para dar força ao setor ofensivo. O que todos tem em comum é que em algum momento do campeonato tiveram suas funções diminuídas para outro companheiro pudesse brilhar e não se viu problemas quanto a isso.

Por fim, suas chamadas de jogadas parecem cada vez mais afiadas. Elas foram essenciais para a vitória contra o Atlanta Falcons nas semifinais de Conferência e deixaram a defesa do Minnesota Vikings, comandada pelo competente Mike Zimmer, em maus lençóis na final da NFC. Tanto que Nick Foles veio a público elogiar como seu HC tem o comando da partida em mãos: “Ele (Pederson) sente o momento do jogo e consegue sempre nos manter como um bom ritmo, sabendo chamar as jogadas certas para deixar o ataque em boas condições.”

O belo trabalho de Doug Pederson agora enfrenta alguém que realiza algo semelhante, porém há muito mais tempo na liga. O Super Bowl LII reserva o embate contra Bill Belichick, o mestre dos ajustes, que sabe anular as principais armas de seus adversários como poucos, no que será um grande confronto entre dois técnicos que souberam minimizar os problemas enfrentados durante a temporada. O Philadelphia Eagles certamente vai para o jogo decisivo como azarão, não é bom duvidar de um time que vem respaldado por um trabalho tão sólido.


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