terça-feira, 2 de janeiro de 2018

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Depois de 5 anos consecutivos fazendo aparições na pós-temporada (e com vitórias em todas elas), o Seattle Seahawks ficou de fora dos playoffs pela primeira vez desde a temporada de 2011. O golpe final na dura temporada da equipe veio no último fim de semana, com uma derrota com requintes de crueldade para o rival Arizona Cardinals, com o kicker Blair Walsh errando uma tentativa de FG no minuto final do confronto (apesar de que a vitória pouco adiantaria para as pretensões de Seattle, uma vez que o Atlanta Falcons, concorrente direto pela vaga no mata-mata, venceu seu jogo no domingo).

O revés mais recente demonstra o quanto o Seahawks tem a lamentar nessa temporada. Três de suas sete derrotas no ano vieram por 3 pontos ou menos de diferença no placar e aqui parte da culpa recai sobre o já citado Walsh, que teve uma temporada ruim e seus FGs poderiam ter feito a diferença e colocado o time nas partidas de janeiro. A falta de disciplina da equipe também foi outro ponto negativo, cedendo jardas valiosas por simples falta de concentração.

Uma análise mais profunda demonstra que a defesa, carro-chefe da franquia na era Pete Carroll, regrediu em 2017. Mas vale ressaltar que o setor foi assolado por lesões e perder jogadores do calibre de Richard Sherman, Cliff Avril e Kam Chancellor, e com Michael Bennett e Bobby Wagner visivelmente fora da melhor forma, complica a vida de qualquer esquema. Dito isso, a defesa ainda tem talento para dar a volta por cima na próxima temporada, porém algumas situações terão que ser avaliadas pela comissão técnica (que pode contar com a aposentadoria do HC Pete Carroll) e pelo front office. A organização cogitou trocar Sherman na última offseason e a situação contratual de Earl Thomas e a condição física de Michael Bennett podem resultar numa reformulação da espinha dorsal dessa defesa.

No outro lado da bola é que reside o principal problema do time. O ataque comandado por Darrell Bevell deixou a desejar e se mostrou ineficiente. Chamadas ruins, uma linha ofensiva porosa e a falta de jogo corrido são falhas que comprometeram a temporada da equipe. O setor por diversas vezes foi anêmico na primeira etapa das partidas, só conseguindo produzir no segundo tempo, quando por vezes o time se encontrava em situação bastante adversa e uma reviravolta era pouco provável. Os números de Russell Wilson traduzem bem essa diferença. O QB lançou para 34 TDs no campeonato (líder da liga no quesito), sendo 19 deles no último quarto das pelejas. Seu passer rating médio foi de apenas 78,1 no primeiro tempo dos 16 jogos, contra 111,9 na volta do intervalo.

Além disso, o grupo parece ter perdido sua identidade. Apesar do ataque do Seahawks nunca ter sido dominante nos últimos anos, era o suficiente para cansar defesas via jogo corrido e tomar conta do relógio, além de proporcionar que seus defensores tivessem um bom tempo de descanso. O que se viu em 2017 foi um time que não conseguiu avançar pelo chão, com um plano de jogo previsível e uma OL que voltou a apresentar falhas na proteção para o passe e colocou Wilson em apuros (aqui com falhas de Tom Cable, técnico do setor que não consegue proporcionar ao seu QB uma proteção ao mínimo decente). Logo, a franquia precisa de mudanças no comando do setor para voltar a ter um ataque efetivo.

Por fim, até o time de especialistas merece críticas. Há algumas temporadas, o grupo comandado por Brian Schneider estava consolidado como um dos melhores da NFL, porém caiu demais de rendimento nos dois últimos anos. Conforme já citamos, as pífias performances de Blair Walsh (quase 30% de FGs desperdiçados) e recorrentes falhas na cobertura de retorno de punts chamaram a atenção.

Assim, o Seahawks tem capacidade de, com algumas alterações, dar a volta por cima na temporada de 2018. O ataque precisa passar por mudanças, já que Russell Wilson evolui a cada ano individualmente e, caso tenha um corpo de apoio melhor ao seu redor, pode transformar esse setor da água para o vinho. Defensivamente, alguns nomes já estão em declínio em suas carreiras, mas ainda há talento de sobra para que a equipe tenha força no quesito. Apesar da enorme decepção em 2017, o torcedor de Seattle pode carregar reais esperanças de que em 2018 o cenário pode mudar.


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3 Comentários

  1. Anderson M. Santos on

    Sem mais delongas, OL inexiste em Seattle, e trazer o Walsh foi um erro sem tamanho! Ele já havia enterrado o Vikings contra o próprio Seattle, e não seria diferente no time do excepcional Russell Wilson! Uma pena! Demitindo o Walsh, já é um bom começo para 2018! Abraço!

  2. O QB o Seattle tem, porém sem linha ofensiva e sem jogo terrestre, vai acabar matando o mesmo. A defesa eu acho também que está chegando ao seu prazo de validade (Os principais pelo menos). Acho que devem buscar no Draft alguém para a OL urgente.

  3. Alexsander Gonçalves on

    precisa urgente de reformulações, no coach staff, Bevell não tem mais condições & Cable é claramente incompetente, no roster alguns medalhões decaem a cada temporada e faltam peças de reposição, OL inexiste e sem isso, mesmo com apresentações maravilhosas, RW3 sofre o jogo todo, além de não possibilitar jogo corrido algum, sem contar escolhas como a de um kicker altamente decadente e fraco, que custou vitórias. Com um bom draft e talvez trocas inteligentes, em 2018 possamos ver um Seattle mais sólido, consistente e competitivo na pós temporada. amém #GoHawks #12s

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