segunda-feira, 13 de julho de 2015

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32 por 32 - L32

Já faz um bom tempo desde a minha última coluna 32 por 32, mas tenho um bom motivo – ou alguns bons motivos. Estive trabalhando em diversos projetos do nosso site para a temporada 2015 e vocês terão várias surpresas em breve. Nesse meio tempo, escrevi (em parceria com nosso editor Marcos Garcia) o Dicionário da Liga – que explica vários termos do futebol americano – e ainda produzi o Guia do Game Pass. Na offseason, as colunas alternam semana sim e semana não, mas daqui a duas semanas não devemos ter minha coluna por aqui novamente, pois estou desenvolvendo o Guia do Fantasy Football juntamente com o editor Rodrigo Perrotta. Depois, volto em definitivo à querida coluna 32 por 32. Explicação dada, hora de analisar como o Vikings deve surpreender em 2015!

O Técnico

Mike Zimer sempre foi um competente coordenador defensivo até que o Vikings resolveu lhe dar a oportunidade de trabalhar pela primeira vez como técnico principal. Zimer realmente deu conta do recado e, já na última temporada, o Vikings foi surpreendente se levarmos em conta as expectativas do time para 2014 e o fato de terem perdido seu grande nome, o RB Adrian Peterson. O treinador não chegou mudando tudo no time, ao contrário, sabendo de sua capacidade de evoluir talentos, passou a treinar e ensinar os jovens que estavam mal no time, fazendo com que passassem a jogar de forma mais segura e eficiente. O lado da bola que mais chamou a atenção – tirando o fator QB, claro – foi a defesa, justamente a unidade que Zimer sempre esteve habituado a coordenar.

A Defesa

A defesa do Vikings evoluiu visivelmente de 2013 para 2014 apostando muito em seus jovens talentos e na capacidade que seu novo treinador tem de ajudá-los a corrigir seus erros e melhorar seu nível de jogo. Quer uma prova? A franquia foi a segunda em toda a NFL que mais cedeu jardas por jogo na temporada 2013, contudo, um ano depois se firmou como a 13ª defesa com menos avanços concedidos ao adversário – ou seja, de 31ª para 13ª. Esse número é basicamente um reflexo da evolução do Pass Rush – que incomoda o QB e força o passe antecipado graças à pressão – e especialmente da secundária, que passou da pior da NFL em 2013, com mais jardas aéreas cedidas que qualquer outra na liga, para a décima melhor no último ano.

Isso só foi possível porque o jogo de muitos jovens como o DT Sharrif Floyd,  S Harrison Smith, LB Anthony Barr e DE Everson Griffen cresceu como unidade e eles foram a força motora que reergueu uma defesa que parecia sem identidade pouco tempo atrás. Floyd, em seu segundo ano, fez a sua melhor temporada parando o jogo corrido do oponente; Smith se firmou como um dos melhores Free Safeties da liga;  Barr fez uma excelente temporada como rookie e Griffen foi uma máquina atacando Quarterbacks. Esses foram os pilares da defesa e todos –exceto Barr que era rookie em 2014 e não esteve em 2013, por óbvio – aumentaram demais sua contribuição ao time de um ano para outro, muito graças à melhora da unidade defensiva de uma forma geral proporcionada por Mike Zimer. A defesa do Vikings hoje tem identidade, organização e desempenha um papel tático mais próximo do forma diante de cada adversário específico.

Não dá para não falar no maravilhoso Draft que fizeram esse ano. Trae Waynes, o melhor CB disponível, vai jogar em Minnesota nessa temporada. Waynes deverá formar dupla com o Xavier Rhodes, Cornerback sólido, mas que sentia falta de alguém de qualidade jogando em seu lado oposto. A secundária do Vikings vai ser ainda melhor. Ainda no Draft, veio também o talentoso LB Eric Kendricks para formar uma dupla perigosa com Anthony Barr. Ambos são rápidos, inteligentes e conseguem fechar muito bem os espaços, algo essencial hoje contra os ataques cada vez mais criativos dos times da NFL. Vale ressaltar que esses destaques da defesa são todos atletas jovens com muita carreira pela frente.

Teddy Bridgewater

Quarterback é um problema há muito tempo no Vikings. Tiveram um bom ano de um já velho Brett Favre e mais nada em muitos anos. Com a lesão de Matt Cassel, a torcida descobriu que o rookie recém chegado muito provavelmente será o QB do futuro da franquia pela próxima década. Na temporada de estreia – em que não jogou todos os jogos, frise-se – ele acumulou bons números: 2.919 jardas aéreas, 14 TDs e 64% dos passes completados. Sofreu 12 interceptações, aceitável para um rookie. Nos últimos 5 jogos, seu desempenho foi ainda melhor proporcionalmente, o que indicou uma evolução ao longo da temporada conforme ele foi se acostumando com a velocidade – não me refiro à velocidade dos jogadores, mas sim à rapidez de reação do jogo – da NFL (Completou 72% dos seus passes para 8 TDs, com média de 246 jardas por jogo – 8.8 jardas por passe!)

O fator questionável do ataque do Vikings não está no Quarterback, pois ele deve seguir respondendo bem, nem na posição de Running Back, que conta com um astro e outros bons corredores para balancear o ataque. Os pontos vulneráveis do setor ofensivo são o corpo de recebedores e a linha ofensiva, que foi uma das piores da liga na última temporada.

Mike Wallace, Cordarrelle Patterson (ou Jarius Wright) e Charles Johnson é um trio que pode dar muito certo ou muito errado. Fato é que não dá para confiar e apostar em nenhum deles, mas Mike Wallace tem tudo para jogar melhor do que foi capaz pelo Dolphins, isso porque o Vikings foi o 11º ataque da liga no quesito passes completos para mais de 20 jardas e isso casa bem demais com as características desse recebedor. Norv Turner, coordenador ofensivo do time, desenvolve um jogo mais vertical que o Dolphins, então o duo Bridgewater-Wallace pode dar muito certo. Johnson e Wright mostraram que podem ser úteis caso Patterson continue mal em 2015 e Kyle Rudolph vai estar envolvido também no jogo aéreo. A perda de Greg Jennings não deve ser tão sentida, já que vinha em declínio técnico.

O trio de recebedores não é de encher os olhos, a linha ofensiva é fraca, mas a chegada de Adrian Peterson para balancear o ataque vai ajudar muito ambos os setores.

Detalhe: Teddy Bridgewater foi escolhido após Johnny Manziel.

Adrian Peterson

30 anos é uma idade que marca o declínio de muito Running Back na NFL, mas Peterson já se mostrou ser diferente e geneticamente favorecido. Ele não é apenas um ser humano normal. Após voltar de grave lesão no joelho, correu para mais de 2 mil jardas em 2012.

O jogador já levou o Vikings aos playoffs nas costas, no entanto, ele não precisa fazer tanto esse ano, já que o time deverá ter um bom jogo aéreo. Bastará ser bom o suficiente para criar a dúvida na defesa sobre qual jogada virá – aérea ou terrestre – e para isso ele é garantia. Caso ele consiga – e ninguém duvida – uma grande temporada, ou pelo menos consiga passar das mil jardas terrestres, o ataque do Vikings atinge um outro patamar que, somado com a qualidade da sua defesa, pode colocá-los na disputa firme contra qualquer adversário, por mais forte que seja.

Conclusão

Um surpreendente recorde 7-9 ano passado. Para esse ano, a equipe evoluiu muito em diversos setores conforme detalhado acima. Veio Peterson de volta, um Draft muito bom, uma defesa firme que deve evoluir esse ano e o crescimento natural do QB após a temporada Rookie. O calendário não é fácil, mas Minnesota tem time para inverter o recorde da última temporada (de 7-9 para 9-7) e, se querem ser candidato aos playoffs, precisam vencer jogos duros que a tabela impõe. Se questiona a linha ofensiva – LT Matt Kalil não foi nada bem em 2014 -, mas Bridgewater mostrou que consegue jogar bem mesmo com uma proteção ruim e o mesmo se aplica a Adrian Peterson, que fez grandes jogos com pouco apoio dos jogadores de linha em sua carreira. Tomar a primeira posição do Packers não vai acontecer esse ano, mas brigar por uma vaga no Wild card é possível sim, já que o Lions perdeu Ndamukong Suh e Nick Fairley de uma só vez, Matthew Stafford não evoluiu no esquema do novo treinador como esperavam – isso não anima a torcida do Detroit -, enquanto o Bears está muito mal das pernas. Desde 2000, o Vikings apareceu apenas 4 vezes nos playoffs, mas dentre os times que não foram à pós-temporada em 2014, é aquele com mais talento para surpreender e chegar lá esse ano.

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