segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

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Antes de cada temporada se iniciar, é comum analistas que se debruçam à análise de todas as tangíveis e intangíveis soltarem suas previsões sobre quais times buscarão algo grande na temporada e quais farão apenas figuração entre as 32 equipes que compõem esta grandiosa liga. Embora seja difícil prever o que acontecerá, é um exercício legal analisarmos as previsões e posteriormente discutir a assertividade (ou não) delas. Quando uma equipe chega até o NFC Championship Game com um elenco equilibrado em todas as posições e ainda adiciona o melhor Quarterback disponível na free agency, automaticamente ela vai para “as cabeças” na lista de favoritos, correto? Como reparou no título do texto, falo do Minnesota Vikings.

Ao manter boa parte do talentoso elenco da temporada anterior que venceu treze jogos e só parou para o então campeão Philadelphia Eagles na final da conferência, o Vikings contratou o QB Kirk Cousins para finalmente conquistar o primeiro Super Bowl da franquia e, bom, embora ainda esteja matematicamente vivo na disputa pela classificação à pós-temporada (estaria classificado caso a temporada terminasse hoje), os analistas que colocaram a equipe como uma das favoritas já estão receosos com o palpite de título máximo para a franquia de Minneapolis. Mas de fato, o que há de errado com o Vikings?

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Primeiro que a temporada da equipe não é um total fracasso. Atualmente com um recorde positivo (6-5-1),  com a 6ª e última vaga para a pós-temporada e com um confronto crucial pela vaga de Wild Card contra o Seattle Seahawks em Washington, estamos longe de uma reformulação completa do Vikings.

Mas por outro lado, o descontentamento sobre o atual desempenho da equipe é sim digno de destaque entre todos que acompanham o esporte diariamente. Citado como uma das potências da NFC juntamente com Rams e Saints, o time de Mike Zimmer assiste seus principais rivais avançarem para folgar na primeira semana dos playoffs e mais, vê seu grande rival Chicago Bears caminhar a passos largos rumo ao título da divisão, relegando uma vaga de Wild Card como a única forma da equipe disputar alguma partida em Janeiro – mês que ocorre os playoffs. É muito pouco.

Na tentativa de procurar culpados pelo fraco desempenho apresentado até agora, alguns candidatos destoam do restante, apesar de que todos tem sua parcela de culpa – alguns simplesmente tem mais que outros. Na derrota da última rodada para o New England Patriots, Zimmer criticou publicamente o coordenador ofensivo da equipe pela montagem do plano de jogo contra o forte Patriots em Foxborough. Claro, uma vitória em New England contra o time comandado por Brady e Belichick é realmente muito difícil e não acontece toda temporada, mas pela forma que o jogo se colocou, uma zebra em Massachussetts não era algo totalmente utópico na tarde daquele domingo.

John DeFilippo, que assumiu as rédeas do ataque nesta temporada simplesmente abandonou o jogo terrestre nesta partida e ao fazer isso, acabou entrando para a história de uma maneira nada boa – o que contribuiu para a fúria de Zimmer nesta situação.

O Vikings, de forma inexplicável, terminou a partida com robustas 95 jardas terrestres em apenas treze tentativas. Estes ótimos números representaria um quarto da partida de forma dominante com o ataque terrestre, mas foram os números da equipe durante toda a partida. As 95 jardas terrestres foram a maior marca para um time que correu 15 ou menos vezes com a bola em toda a história da NFL.

É uma estatística remarcável que resulta em uma ótima média de 7.3 jardas por tentativa. Para você que não acompanha a NFL há muito tempo, qualquer média acima de quatro jardas é um bom número; sete então é algo sensacional. O RB Dalvin Cook teve 84 destas jardas em apenas nove tentativas – e inexplicavelmente não foi mais utilizado durante o confronto.

O motivo poderia ser o fato da equipe estar atrás do placar durante todo o confronto – o que leva a abandonar o jogo terrestre em virtude do jogo aéreo para buscar a virada no placar, mas não foi. O Patriots abriu uma vantagem de dois TDs somente no quarto período e tornou inviável a tentativa de virada da equipe de Minnesota. O motivo poderia ser alguma lesão de Cook, mas também não foi – o RB atuou por 47 snaps e destes todos, DeFilippo simplesmente montou um plano de jogo que não deu a bola ao principal atleta ofensivo da equipe naquele confronto.

O ataque da equipe tem sido a principal fonte de desapontamento durante toda a temporada. Em vez de alcançarem o próximo nível ao contratar um QB discutivelmente entre os dez ou doze melhores de toda a NFL, a equipe regrediu de desempenho e seus 275 pontos anotados durante toda a temporada representam a nona pior marca da NFL – na “liga do passe”, um número tão baixo para uma equipe com tantas aspirações levantam uma bandeira amarela para as reais possibilidades do Vikings em 2018 – o que com certeza levará a uma intertemporada de descontentamentos.

Ainda assim, a equipe depende apenas de si mesmo para uma classificação à pós-temporada. Mesmo com uma derrota para Seattle logo mais a noite, a equipe não sairá da 6ª posição no chaveamento para os playoffs, embora relegue basicamente esta posição em caso da confirmação de classificação, até porque o próprio Seahawks se consolidaria como a 5ª equipe no chaveamento para a pós-temporada. Como sabem, o sexto colocado para os playoffs jamais joga uma partida de playoff em seus domínios, o que representaria que o Vikings precisaria ganhar todas as partidas fora de casa para avançar até o Super Bowl. Desde que a NFL adotou o atual modo de pós-temporada – datado de 1990, apenas o Pittsburgh Steelers de 2005 e o Green Bay Packers de 2010 foram campeões na mesma posição que o Vikings se classificaria e pior, apenas oito times conquistaram a glória máxima saindo do Wild Card, sendo o Baltimore Ravens de 2012 a última equipe a conseguir tal feito, representando uma luta contra a história também.

Ambas equipes tinham um Quarterback da franquia liderando seus elencos com um desempenho sensacional que venceram adversários poderosos fora de seus domínios. O QB Kirk Cousins, elogiado por alguns e criticado por outros, precisaria mostrar que cada dólar dos U$ 84 milhões que o Vikings se comprometeu à pagar ao QB dentro de três anos valeram a pena. Você acha que ele apresenta competência para tal ato?


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