sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

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Como bem sabemos a NFL, por mais que mantenha muitas tradições, é uma liga que não tem medo de mudanças. Seja quando começou a empregar revisões de jogada através de vídeo ou nas constantes alterações em regras de jogo, a evolução é constante. Quanto às mudanças que ocorrem em regras, em sua maioria são relativas a segurança dos atletas, afinal são os “bens” mais valiosos para o esporte. Algumas regras entraram em vigor já nesta temporada, sendo as principais delas focadas em atacar um problema que assombra a liga desde sua origem: concussões.

Nesta temporada, entraram em vigor duas regras que visam proteger e trazer mais segurança para os jogadores. Uma dela foi a regra do tackle, que estipulou mudanças na forma que um jogador pode iniciar o contato com o corpo de outro jogador, dizendo claramente que este contato não pode ser iniciado com a cabeça. Outra delas foi em relação ao kickoff e sua justificativa é valida. Segundo dados da própria NFL, entre 2015 e 2017, kickoffs representaram apenas 6% das jogadas realizadas, porém foram responsáveis por 12% das concussões em jogo. A regra foi mudada com o intuito de reduzir a velocidade que os defensores estão ao entrar em contato com o retornador, diminuindo assim a força do impacto. Além disso, outras mudanças como o local de onde o kickoff é realizado e a alteração da posição de touchback para 25 jardas tem o intuito de tornar uma tentativa de retorno menos atrativa para o time recebedor. Se os resultados serão consideráveis, isso ainda deverá ser analisado em uma amostragem de mais anos.

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Porém existe outra jogada, semelhante ao kickoff, que está no radar da NFL para sofrer alterações e existe a possibilidade delas virem em um futuro bem próximo, talvez até mesmo na próxima temporada. O punt tem se mostrado tão nocivo quanto o kickoff em relação a quantidade de lesões que provoca. De acordo com Jeff Miller (vice-presidente executivo de iniciativas de saúde e segurança na NFL), punts causam o dobro de concussões do que lances normais de jogo. Contudo, ao contrário das alterações em kickoff, a NFL abriu os problemas com os punts para a comunidade encaminhar sugestões de melhorias nas regras.

Em dezembro a liga lançou uma competição em uma comunidade de ciência de dados com o objetivo dos membros sugerirem alterações na regra de punt visando aumentar a segurança. Para tanto, a NFL forneceu informações sobre todas as jogadas de punt das temporadas de 2016 e 2017, tais como jogadores em campo, suas posições em campo e vídeos, incluindo as jogadas onde os jogadores sofreram alguma concussão. O período para submissão de sugestões já acabou e podemos observar as principais conclusões chegadas e as alterações que mais foram propostas pelos usuários.

Analisando as informações fornecidas pela NFL de forma bem superficial (afinal minhas habilidades com ciência de dados são amadoras no melhor dos dias) consegui levantar alguns dados interessantes:

  • Entre 2016 e 2017 foram registradas 37 concussões durante jogadas de punt.
  • A quantidade de concussões causadas em contato de capacete com capacete é a mesma quando o contato é de capacete com o corpo (cada um com 17 ocorrências).
  • Ocorreram mais lesões em jogadores que estavam efetuando o tackle ou bloqueio do que em jogadores que estavam sofrendo o tackle e bloqueio.
  • 72% das concussões ocorreram no time que estava chutando a bola, sendo mais afetados os jogadores de linha do time de ataque com 32% das ocorrências e os de wings (jogadores que ficam nos extremos da OL levemente recuados em relação à linha de scrimmage) com 16%.
  • A maioria das jogadas punts onde houveram concussões resultaram em um retorno positivo de jardas (25 ocorrências). Por outro lado, apenas 2 ocorrências foram em jogadas com fair catch.

É interessante observar que o retornador, que na prática é o alvo principal na jogada, não é quem mais sofre de problemas de concussão durante jogadas de punt. Além disso, a maioria dos casos ocorrem com o time que está chutando o punt. Analistas apontaram também que muitos das ocorrências de concussões  (algo próximo a 20%) são quando o jogador do time que efetuou o punt está correndo em direção ao fundo do campo, porém precisa trocar de direção, praticamente em 180°, para perseguir o retornador e acaba sofrendo um bloqueio quase sempre inesperado.

Com base na análise sobre os dados, houveram diversas propostas de alterações na regra, inclusive com a de excluir completamente punts do jogo (que de fato acabaria com o problema, mas mexeria muito na essência do jogo). Mas duas propostas parecem ser coerentes e foram destacadas por diversos analistas. E realmente fazem sentido:

  • Recompensar com jardas um fair catch: o motivo é bem óbvio. Conforme foi visto anteriormente, a quantidade de concussões em jogadas onde um fair catch é pedido é bem baixa. Alterando a regra desta forma incentivaria os times a utilizarem mais o fair catch, partindo para o retorno apenas quando o retornador percebesse um possível ganho maior ou, é claro, em uma situação de desespero.
  • Alterar a regra de bloqueio ilegal em pontos cegos: Uma das definições para “jogador indefeso” (quando o atleta está em uma postura que não consegue se defender) determina um jogador que está recebendo um bloqueio em um ponto cego, em sua lateral ou pelas costas. Isso acontece muitas vezes em punts, em jogadas em que o  jogador está correndo em direção ao retornador e precisa alterar sua direção para persegui-lo. Mas mesmo assim, essas situações quase nunca são apontadas pelas zebras. Alterar a definição de jogador indefeso especificando de forma mais clara esta situação que ocorre em punts pode dar mais confiança aos oficiais a marcarem estas faltas e, como consequência, desmotivar através de punição a execução de bloqueios nestas situações.

Se alguma das regras irá ver a luz do dia ainda não se sabe. E mesmo que alguma seja implementada, não existe nenhum calendário para tanto. Mas é interessante esta postura da liga de, além de sempre buscar a evolução, se abrir a sugestões externas para uma questão que cada vez mais cresce em importância.


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