sexta-feira, 20 de setembro de 2019

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Bem-vindo(a) à Visão Aérea! Mais uma vez, chegamos para trazer a análise tática e técnica de um jogo que chamou a atenção na NFL. Para a Semana 2, escolhemos a partida do Sunday Night Football entre Atlanta Falcons e Philadelphia Eagles, que teve emoção e grandes jogadas até o final, terminando com a vitória do time da casa por 24 a 20.

A análise do filme All-22, disponibilizado pelo Game Pass da NFL, nos permite uma conclusão: os dois times são muito parecidos em suas qualidades e defeitos. Foi uma partida resolvida em mínimos detalhes, e talvez o fato do quarterback Carson Wentz não estar 100% tenha influenciado no resultado final.

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Os dois times cometeram três turnovers, tiveram sérios problemas para estabelecer o jogo terrestre e tiveram sucesso pressionando o quarterback adversário para forçar erros. Apesar do número de sacks não ter sido tão alto, os hits (10 do Falcons, 6 do Eagles) contam outra história.

Vamos, então, mostrar as jogadas que separamos para contar como foi esse belo jogo de futebol americano!

Ataque do Falcons x defesa do Eagles

O coordenador defensivo do Philadelphia Eagles, Jim Schwartz, não é conhecido por usar muito a blitz. Nesse jogo, porém, ele teve uma abordagem muito diferente. A equipe visitante viveu e morreu pela blitz.

Foram blitz muito agressivas, enviando seis ou sete defensores atrás de Matt Ryan e, com isso, abrindo mão do safety em profundidade, deixando a secundária em Cover 0. A cobertura homem a homem funcionou em algumas ocasiões, mas falhou no momento mais importante da partida.

Para começar, vamos analisar a segunda interceptação de Ryan no confronto. O Falcons alinha com três wide receivers e um tight end, e o Eagles marca esses recebedores homem a homem e envia os demais sete defensores para a blitz. A diferença numérica – sete pass rushers contra seis bloqueadores – dá resultado. Um jogador tem um caminho livre até o quarterback.

Pressionado, Matt Ryan tenta encontrar Julio Jones em profundidade, mas o passe é muito ruim e interceptado por Ronald Darby. O ponto aqui é a eficiência dessa blitz, ainda mais em um lance que todas as rotas eram relativamente profundas. O quarterback veterano cometeu um erro que não poderia: aceitar o sack era a melhor opção.

Mais tarde, na jogada decisiva da partida, o Falcons enfrenta uma quarta para 3 e precisa converter se quiser vencer a partida. Matt Ryan faz um trabalho muito melhor e percebe que mais uma vez a chamada defensiva de Philadelphia é Cover 0 com all-out blitz. Com isso, ele muda a jogada na linha de scrimmage.

Do lado esquerdo da tela, você vê dois recebedores marcados homem a homem. A chamada de um wide receiver screen para Julio Jones funciona, mas depende de dois bloqueios. O primeiro é de Mohammed Sanu em seu marcador, mas para tirar o homem que marcava o camisa 11 do caminho, o left tackle Jake Matthews precisa fazer um trabalho fundamental, demonstrando velocidade e atleticismo.

Matthews faz muito bem seu trabalho, e como não há safety em profundidade, Julio Jones tem caminho livre até a endzone:

Outra questão importante para o ataque do Falcons é que Devonta Freeman vem tendo dificuldades como carregador de piano da equipe. Nesse confronto, teve apenas 2 jardas por carregada. Será que o problema é o running back ou a linha ofensiva?

Talvez não seja nenhum dos dois, mas sim a qualidade das defesas enfrentadas. O Philadelphia Eagles já havia limitado o Washington Redskins a 2,2 jardas por carregada na partida inicial, e consegue penetrar com muita facilidade no backfield adversário.

No lance a seguir, Freeman não tem qualquer lugar para correr já no momento que recebe o handoff e perde 5 jardas. A penetração mais evidente é a de Derek Barnett, que deixa Matthews no chão. Mas perceba como outros quatro jogadores da defesa também já haviam se infiltrado, não deixando qualquer chance para o running back:

Precisaremos conferir se, contra defesas inferiores, Freeman conseguirá correr melhor. A primeira impressão é de que ele não tem culpa de seu desempenho ruim no ano até agora. Matt Ryan lidera a NFL em interceptações com 5 nas duas primeiras semanas e precisa melhorar suas decisões.

Do lado da defesa do Eagles, as lesões podem atrapalhar o desempenho no futuro, mas a unidade segue tendo muita qualidade. O uso de blitz por Schwartz pode trazer mais resultados positivos do que negativos.

Ataque do Eagles x defesa do Falcons

Muitas vezes, o box score mente. Você pode ler que Takkarist McKinley teve apenas dois tackles nessa partida, nenhum sack e dois hits em Carson Wentz. Porém, o filme mostra que ele foi o jogador mais importante da defesa de Atlanta.

Uma estatística que chama a atenção é que ele conseguiu pressionar 8 vezes o quarterback adversário no jogo, um número absurdo. E podemos facilmente ver como isso aconteceu.

O lance a seguir é uma segunda para o gol na linha de dez jardas. A defesa do Falcons não manda blitz e protege a linha da endzone. Muito rapidamente, McKinley dá um baile no excelente Jason Peters e chega a Carson Wentz, antes de qualquer rota atingir a endzone. Por muito pouco, ele não consegue forçar o fumble:

Outro defensor que se destacou muito foi o cornerback Desmond Trufant. Foram duas interceptações, sendo que em todo o ano de 2018 ele tinha conseguido apenas três. Uma melhoria que pode elevar ainda mais o patamar de um dos melhores atletas da posição na NFL.

Mas talvez a principal história que o filme nos conta é como Carson Wentz jogou mal. Provavelmente, ele não estava 100% – foi substituído durante alguns snaps por Josh McCown. Apesar de ter conseguido alguns lances espetaculares, ele errou muitos lançamentos, até mesmo quando acertou.

Wentz fez passes muito curtos diversas vezes na partida. Em uma das interceptações de Trufant, ele está pressionado, mais uma vez sem que Atlanta precise enviar blitz, e tenta forçar um lançamento para Zach Ertz no canto superior direito.

Porém, o passe é pelo menos cinco jardas mais curto do que deveria, e Trufant mostra ótima leitura para ficar com a bola.

Mais tarde, Wentz fez um milagre ao converter uma quarta para 14 e manter as chances do Eagles de vencer a partida. Só que, mais uma vez, foi um passe curto demais. Se ele estivesse na totalidade de suas condições físicas, o lance deveria acabar em touchdown.

Por ser uma quarta para 14, Atlanta deixa sete defensores em profundidade, protegendo a linha do first down. Mas uma falha na marcação em zona faz com que Nelson Agholor consiga ficar totalmente livre, cruzando a linha dos marcadores e disparando em direção à end zone. Repare como o passe de Wentz é curto, o que obriga Agholor a parar na rota e quase permite a chegada dos defensores:

O Philadelphia Eagles é um time muito talentoso, mas tem sofrido demais com lesões. É fundamental para as chances do time que Wentz esteja 100%. Para o Atlanta Falcons, o futuro pode ser promissor se jogadores como McKinley e Trufant mantiverem o alto nível demonstrado nesse jogo.

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