sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

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Para o Baltimore Ravens, valia a classificação aos playoffs. Para o Cleveland Browns, a primeira temporada positiva em muito tempo. Mas quem não é torcedor de nenhuma das duas equipes pôde vibrar com um confronto entre dois jovens quarterbacks que prometem colocar fogo na NFL pelos próximos anos: Lamar Jackson e Baker Mayfield.

No final das contas, Baltimore venceu um duelo equilibradíssimo e garantiu sua vaga na pós-temporada. O que vimos dos dois jovens quarterbacks foi o enorme talento que eles possuem para grandes jogadas, mas ao mesmo tempo as provas de que ainda são calouros e cometem erros que precisam ser rapidamente limados.

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Vamos fazer uma Visão Aérea um pouco diferente dessa vez: o foco está todo nos dois quarterbacks. Mostraremos o que eles produziram de positivo e negativo no melhor jogo do último domingo de futebol americano de 2018!

Lamar Jackson x defesa do Browns

Ninguém duvida que Lamar Jackson é eletrizante. Porém, ele ainda precisa de muito polimento como passador. Por mais que às vezes produza jogadas espetaculares com o braço, e não com as pernas, erra passes rotineiros, obrigatórios para quarterbacks profissionais.

Podemos ver isso justamente no primeiro lance ofensivo de Baltimore no último domingo: com a defesa de Cleveland em zona, Hayden Hurst consegue um bom espaço entre linebacker e safety. O passe é bastante fácil para os padrões da NFL, mas a mecânica ruim faz com que Jackson mande a bola pela linha lateral.

Um ponto muito positivo de Lamar Jackson é que, mesmo quando ele perde a jogada com o braço, consegue recriá-la com as pernas. Aqui, há uma falha de comunicação na defesa de Cleveland e os dois safeties deixam John Brown bastante livre ao correrem para o fundo do campo. O quarterback não puxa o gatilho e perde o que poderia ter sido um grande passe, mas escapa do pocket em uma blitz e consegue arrancar 24 jardas na corrida. De quebra, deixa um defensor no chão.

Mas o braço é, sim, capaz de coisas maravilhosas. Veja abaixo como Jackson escapa de um pocket em colapso quando tem dois defensores na sua cara, consegue comprar tempo com paciência enquanto se desloca para a direita e acha o tight end Mark Andrews, que como manda a lei correu horizontalmente para dar opção ao quarterback que está em movimento de “scramble”. Esse foi o melhor lançamento de Jackson na partida.

É correndo que ele tem feito seu maior estrago. E Baltimore se programou para isso com algumas jogadas muito bem desenhadas. No lance a seguir, a possibilidade de handoff para o running back congela os linebackers, mas a corrida é do quarterback, que usa excelentes bloqueios de Marshal Yanda e Ronnie Stanley para alcançar a endzone.

Com um esquema eficiente, o Baltimore Ravens tem conseguido explorar os pontos mais fortes de Lamar Jackson. Resta saber se ele conseguirá manter esse nível de atuação nos playoffs e se será capaz de conduzir campanhas decisivas com os braços – caso isso seja necessário, é claro.

Baker Mayfield x Defesa do Ravens

Após começar o ano na reserva, Mayfield assumiu a posição de Tyrod Taylor rapidamente e não parou mas de evoluir, semana a semana. Provável vencedor do prêmio de calouro do ano, tem uma incrível mentalidade ofensiva e vencedora.

Jogar fora de casa contra a defesa do Ravens é uma prova e tanto. O melhor e o pior de Mayfield apareceu bem no confronto e isso foi sublinhado por um detalhe: as blitz.

Quando tinha quatro ou menos homens indo atrás de si, Mayfield foi brilhante. Lançou seus três touchdowns e completou muitos outros passes bonitos. Quando tinha mais, foi terrível. Suas três interceptações saíram assim.

Vamos começar pelo bom Mayfied: veja como ele está pressionado, no pocket, sem qualquer recebedor aberto. Ganha tempo, fugindo não só de um, mas de dois sacks com defensores pendurados em seu pescoço, e quando parecia que não tinha mais como produzir nada de positivo, consegue perceber que finalmente há espaço para um passe e manda uma bomba na metade do campo, conseguindo enorme ganho:

Com quatro wide receivers do lado esquerdo e apenas um do lado direito, Mayfield aproveita o isolamento de um contra um e a falta de safety para explorar o mismatch na parte baixa do vídeo. O passe é de extrema qualidade e atinge o recebedor sem que ele precise reduzir a velocidade e mudar de direção, ou seja, é totalmente preciso. É quase que uma aula de como fazer um lançamento em profundidade.

As interceptações de Mayfield, porém, foram bastante ruins. Principalmente a primeira. Há uma blitz para cima do jovem quarterback e marcação homem a homem na secundária, mas nenhum dos três recebedores consegue ficar livre. No desespero, o quarterback força um passe para um atleta muito bem coberto. O cornerback tem a oportunidade de pular à frente da bola e ficar com ela sem maiores dificuldades.

No lance derradeiro da partida, selando a vitória do Ravens em momento delicado, Mayfield lançou mais uma interceptação contra a blitz. Dessa vez, ele foi enganado pela formação defensiva: CJ Moskey ameaçou ir para a blitz, mas voltou para a cobertura sem tirar o olho do quarterback. O camisa 6 acho que tinha uma linha de passe para um recebedor livre, mas era ilusão: Mosley estava logo ali para a interceptação decisiva.

Erro de quarterback jovem, excelente jogada defensiva.

Tudo isso faz parte da curva de aprendizado para um jovem quarterback. A tendência é que vejamos em 2019 uma versão ainda melhor de Baker Mayfield, já menos suscetível a ser enganado pelas chamadas defensivas dos rivais.

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