sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

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A rodada de wildcard dos playoffs da NFL trouxe partidas muito equilibradas. Nenhuma delas, porém, foi tão empolgante quanto o embate entre Chicago Bears e Philadelphia Eagles. O kicker Cody Parkey errou um chute no último segundo para selar a eliminação dos donos da casa e o prosseguimento dos atuais campeões rumo ao sonho do bi.

Foi uma partida cheia de soluções táticas interessantes. As defesas dominaram, mas algumas grandes jogadas ofensivas aconteceram quando os ataques encontraram buracos e souberam explorá-los. Isso aconteceu principalmente pelo ar: houve apenas uma corrida de mais de 20 jardas durante todo o jogo.

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Hora de analisar alguns dos principais lances desse grande confronto!

Ataque do Bears x defesa do Eagles

Quando você tem uma defesa dominante, não precisa que seu quarterback atue sempre como Tom Brady e Aaron Rodgers, mas apenas que ele te dê uma chance de vencer. Mitchell Trubisky, ainda muito cru e em seu segundo ano, fez isso só na segunda metade do confronto contra o Eagles.

O primeiro tempo de Trubisky foi recheado de erros. Ele flertou com turnovers e deixou pontos no campo. O maior exemplo disso aconteceu no primeiro quarto, quando uma falha de cobertura deixou espaço para um touchdown de Chicago se o passe correto fosse feito, mas o resultado foi uma quase pick-six.

O Philadelphia Eagles usa uma cobertura em zona com três homens patrulhando o fundo do campo e quatro patrulhando o meio. O tight end Ben Braunecker consegue se infiltrar entre os safeties e corre livremente, tendo caminho livre para a endzone. Trubisky ameaça o lançamento, mas desiste e tenta uma rota curta de Jordan Howard. Totalmente sem sentido, por muito pouco o passe não é interceptado.

Outro momento que Trubisky quase causou problemas a Chicago foi quando errou o timing de um lançamento. A rota de Adam Sheheen é boa e ele encontra espaço entre zonas, mas há uma hesitação do quarterback. Quando ele solta a bola, já é tarde: o tight end já está bem marcado novamente e mais uma vez o resultado poderia ser uma interceptação. Faltou sintonia com o recebedor e antecipação para que o jovem signal caller fizesse aqui uma boa jogada.

No segundo tempo, a melhora de Trubisky foi clara. Chicago passou a atacar certas tendências da defesa do Eagles, principalmente a de antecipar rotas.

Nesse ganho de 45 jardas de Allen Robinson, perceba como ele fica livre após o cornerback Avonte Maddox imaginar que a rota seria um corte para o meio e tentar antecipá-la. O double move funciona e não há nada além de campo aberto para o recebedor após o grave erro de seu marcador. O lançamento é bem executado por Trubisky.

Uma crítica muito realizada ao ataque do Bears na partida foi o pouco uso de uma das suas principais estrelas, o running back Tarik Cohen. Explosivo, teve apenas uma carregada e cinco passes em sua direção (agarrou três).

Na única carregada, Cohen tem uma possibilidade de ganhar algumas poucas jardas optando por ir pelo meio, mas tenta a big play ao cortar para a lateral. A velocidade da defesa do Eagles é de elite, com os bloqueios sendo deixados para trás e o tackle sendo feito na linha de scrimmage. Faltou uma visão mais pragmática para o atleta no lance.

Com a defesa que tem, o Chicago Bears depende da evolução de Mitchell Trubisky para conseguir ir mais longe nas próximas temporadas. O renascimento tardio do Eagles, por outro lado, tem feito com que alguns atletas cresçam e façam bom uso de suas melhores características defensivas.

Ataque do Eagles x defesa do Bears

A magia de Nick Foles é real. Vencer fora de casa a melhor defesa da NFL com direito a virada nos últimos minutos? Quem é capaz de parar esse feitiço?

Foles cometeu um grande erro na partida. Foi na sua segunda interceptação (a primeira está mais na cotna do recebedor). A defesa usa Cover 2 e há em uma zona cinco defensores contra dois recebedores. Ainda assim, ele força o passe no fundo da endzone para um jogador muito bem marcado. Só por aí já seria ruim, mas se torna ainda pior pelo fato de que o quarterback claramente não viu a aproximação do safety para ficar com a bola na metade do caminho.

O plano ofensivo do Eagles foi bem construído e soube usar chamadas certas nas horas certas. Abaixo, o Bears usa Cover 3, ou seja, três defensores patrulham a parte mais funda do campo e a dividem em terços. As duas rotas profundas vão para o mesmo canto do campo, uma delas cruzada, deixando quase impossível a parada. Também é de se destacar a ótima proteção dada a Foles contra o feroz pass rush de Chicago.

O jogo terrestre de Philadelphia absolutamente não funcionou na partida. A culpa não é tanto do ataque, mas sim da grande defesa de Chicago. Darren Sproles até imaginou que conseguiria passar pelo buraco no lance abaixo, mas o trabalho de Eddie Goldman é incrível para se livrar do bloqueio e mergulhar para um ótimo tackle. É assim que se faz a diferença como nose tackle.

Vamos então ao lance decisivo da partida. Foi por pouco que a defesa de Chicago não conseguiu mais um grande lance na quarta descida derradeira. Mandando uma grande blitz pra cima de Nick Foles, com seis homens, teve Leonard Floyd chegando perto de desviar o passe. Mas isso gerou um cobertor curto e Golden Tate conseguiu a separação necessária para colocar Philadelphia na frente.

Até onde vai o feitiço de Nick Foles? Quem vence a defesa de Chicago fora de casa é capaz de qualquer coisa. Agora é imaginar se é possível derrotar Drew Brees em um tiroteio no Superdome.

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