sexta-feira, 4 de outubro de 2019

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Bem-vindo à Visão Aérea! Mais uma vez, chegamos com a análise tática e técnica do principal jogo da rodada que se passou na NFL. Da semana 4, escolhemos a incrível partida entre Detroit Lions e Kansas City Chiefs. A equipe comandada por Matthew Stafford ficou muito perto de conseguir uma surpreendente vitória sobre um dos grandes favoritos ao Super Bowl, mas acabou derrotada por 34 a 30 graças a um touchdown já no apagar das luzes.

O que mais impressionou na análise da partida foi como o Lions forçou uma das piores partidas do incrível Patrick Mahomes como titular. E ainda assim, o quarterback tirou coelhos da cartola e conseguiu uma forma de sair vitorioso no final.

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Foi uma partida espetacular, com direito a retorno de fumble para touchdown de 100 jardas, tentativas de hail mary no final e táticas bastante funcionais. Vamos à análise?

Ataque do Lions x defesa do Chiefs

Ninguém tem dúvidas de que o Kansas City Chiefs é um dos grandes favoritos a levantar o troféu Lombardi quando fevereiro chegar. Porém, dentre os principais candidatos, talvez seja o time que coloca em campo a defesa mais fraca.

Isso se reflete principalmente contra o jogo terrestre: o Chiefs é, após um quarto da temporada, o último colocado da NFL na estatística. Cede nada menos do que 5,9 jardas por carregada, uma quantidade insustentável. Nesse confronto, o número foi de 5,3.

O Detroit Lions estabeleceu o jogo terrestre o tempo todo e somou 186 jardas pelo chão. Isso ajudou a equipe da casa a controlar o relógio e manter Mahomes fora do campo.

No lance a seguir, podemos ver Kerryon Johnson ganhando 14 jardas em uma bela corrida pelo meio. A jogada começa com um fake de Matthew Stafford, que simula o passe rápido, mas em seguida faz o handoff para o running back. Todos os bloqueios já estão estabelecidos, mas um jogador tem a oportunidade de evitar o estrago. Trata-se do linebacker Damien Wilson. Mas ele escolhe o gap errado para penetrar e dá todo o espaço do mundo que o corredor precisava.

A defesa do Chiefs, porém, tem uma característica virtuosa, boa principalmente quando se tem um ataque poderoso: ela enverga, mas não quebra. Nessa partida, por exemplo, foram apenas três touchdowns em cinco idas à redzone do Lions, além de outros dois field goals forçados. Preciosos pontos que ficaram pelo caminho.

Outra característica é a capacidade de aplicar pressão nos quarterbacks e forçar turnovers. Além do retorno de fumble para touchdown de 100 jardas feito por Bashaud Breeland, foram quatro sacks para cima de Stafford. O Kansas City Chiefs usa uma defesa extremamente agressiva, sempre tentando roubar a bola, mesmo que para isso ceda um caminhão de jardas. A blitz foi chamada em 31% dos dropbacks do quarterback do Lions.

No lance a seguir, a blitz é muito bem desenhada, com o safety Daniel Sorensen se movimentando e não entregando qual será o ponto atacado até o snap. Isso causa uma confusão na linha ofensiva e dá caminho livre ao jogador em direção a Matthew Stafford. O quarterback do Lions força um passe perigoso e por muito pouco não é interceptado:

Mas Matthew Stafford fez uma grande partida, conseguindo grandes conexões com seus recebedores. Quando não consegue pressionar o quarterback adversário, a defesa aérea do Chiefs também fica com sérios problemas. A cobertura raramente segura por muito tempo. A tendência é o uso de uma zona que costuma deixar buracos.

O touchdown a seguir, lançado para Kenny Golladay, é uma mistura entre um belo passe de Stafford e uma dessas falhas da defesa do Chiefs. O wide receiver consegue achar um espaço para se infiltrar entre quatro marcadores, e o quarterback acerta o passe com muita qualidade em uma janela apertada. Porém, uma área com tantos defensores e apenas um recebedor não deveria permitir um passe completado:

Nós já sabemos exatamente quem é Matthew Stafford: um quarterback capaz de ótimos momentos, mas também de erros que custam caro. Ele não irá conduzir sozinho um time aos playoffs, mas talvez em 2019 tenha ajuda. Por outro lado, a defesa do Chiefs precisa encontrar uma forma de parar o jogo terrestre. Contra adversários mais fortes, essa pode ser uma falha fatal.

Ataque do Chiefs x defesa do Lions

O Detroit Lions pode ter encontrado nessa partida uma forma de diminuir os estragos feitos por Patrick Mahomes. Matt Patricia usou um esquema de cobertura homem a homem, mandando várias vezes apenas 3 pass rushers atrás do quarterback (36% dos dropbacks) e deixando um “espião” para impedir eventuais scrambles. Na maior parte do tempo, funcionou.

Na partida, Mahomes não completou nenhum dos 8 passes que tentou que viajaram mais de 20 jardas no ar. Para quem se acostumou com um show de passes longos e touchdowns espetaculares, é uma performance decepcionante.

Claro que para a tática funcionar, é preciso ter defensores capazes de marcar homem a homem os recebedores muito velozes de Kansas City. Mas o Lions fez com que isso desse certo mesmo sem seu melhor defensive back, Darius Slay.

Veja no lance abaixo como todos os defensores conseguem manter uma marcação apertada e o espião não permite a corrida de Mahomes. Com isso, não há nada que o quarterback possa fazer:

Porém, no momento mais importante do jogo, o Lions esqueceu de uma parte fundamental do esquema: o espião. Em uma quarta para 8, já dentro dos últimos minutos, Kansas City precisava da conversão para se manter vivo. Apesar da marcação homem a homem funcionar mais uma vez, não havia ninguém impedindo o scramble do quarterback. E assim, ele mostrou todo o seu talento e ganhou 15 jardas:

Mahomes é um quarterback especial e demonstrou isso nessa partida. Mesmo com suas principais armas não funcionando, arrancou uma forma de ganhar o jogo. Foi uma partida ruim do signal caller em muitas métricas, mas no final, o talento falou mais alto.

No lance seguinte a essa conversão, outro jogador de muito talento apareceu: Travis Kelce. O Detroit Lions usou mais uma vez a marcação homem a homem, com um safety em profundidade e, dessa vez, um espião. Além disso, o tight end recebia marcação de dois homens. Mas o sistema defensivo ficou confuso, provavelmente por causa da jogada anterior, e permitiu que o fantástico camisa 87 ficasse livre:

Resta saber se as próximas equipes que enfrentarem o Kansas City Chiefs irão repetir essa tática empregada por Matt Patricia e pelo Lions: 3-men rush, marcação homem a homem, espião e safety em profundidade. Caso elas o façam e tenham sucesso, Mahomes precisará usar seu enorme talento para encontrar mais soluções.

Foi uma apresentação encorajadora também para a defesa de Detroit, um time que, como dissemos acima, talvez possa ajudar Matthew Stafford na busca pelos playoffs.

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