sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

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O Green Bay Packers perdeu para o Arizona Cardinals no último domingo, em pleno Lambeau Field, por 20 a 17. Esse resultado causou a demissão do tão criticado técnico Mike McCarthy e colocou os donos da casa em uma terrível situação na temporada, praticamente sem mais nenhuma chance de alcançar os playoffs.

Na Visão Aérea dessa semana, analisaremos a parte tática e técnica dessa partida que teve baixa produção ofensiva e pouca inspiração. Do lado do Packers, a culpa realmente era de McCarthy ou Aaron Rodgers vem mal? Do lado do Cardinals, como anda a evolução de Josh Rosen? Por que as duas equipes sofreram tanto para sustentar campanhas longas, coisa que aconteceu em pouquíssimas oportunidades?

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Ataque do Packers x defesa do Cardinals

O primeiro olhar ao analisar a performance ofensiva do Packers vai para os números e nos traz algumas conclusões: mesmo em uma partida que foi equilibrada o tempo todo, Aaron Rodgers foi para o passe 51 vezes, contra 23 tentativas de corrida. Esse desbalanceamento é terrível e a culpa certamente recai sobre Mike McCarthy. Com o running back Aaron Jones em forma e se mostrando uma grande revelação, não há motivos para montar um ataque tão unidimensional.

Aaron Jones não teve uma grande partida em números – correu 11 vezes para 36 jardas e um touchdown, média baixa de 3,3 por tentativa. Apesar disso, demonstrou muita qualidade em alguns momentos do jogo. Veja no lance abaixo como ele consegue fugir do tackle de Haason Reddick, que chega a puxá-lo pela perna, e recuperar a velocidade para seguir em pé e ganhar o first down. É um excelente trabalho do corredor.

Mas e sobre o ataque aéreo? Porque Aaron Rodgers postou números tão fracos, com menos de 5 jardas por tentativa de passe? Ele vem em baixa, seus recebedores o estão deixando na mão ou o esquema de Mike McCarthy o estava prejudicando?

A resposta não é simples quando se analisa o filme, já que podemos perceber um pouco de cada fator. Vamos exemplificar.

Em alguns momentos, os recebedores de Green Bay erraram feio. Contei alguns drops que não pertencem à NFL acontecendo na partida. Dois vieram de Marquez Valdes-Scantling. No lance abaixo, Rodgers faz um passe tranquilo e rotineiro para a lateral do campo e a recepção também deveria ter sido tranquila e rotineira, mas o wide receiver calouro deixa a bola escapar pelo meio de suas mãos de forma ridícula:

No segundo exemplo que podemos mostrar, a culpa é do esquema e da chamada de McCarthy. Para começar, é difícil fazer um play-action funcionar quando você passa a bola mais de 50 vezes e corre 20. Ninguém é enganado e a defesa vai toda para cima do quarterback, que não tem nenhuma rota curta à sua disposição para soltar a bola rapidamente. Os únicos dois atletas fazendo rotas estão em profundidade, na mesma altura do campo, dificultando demais o trabalho de qualquer signal caller.

Mas não podemos deixar de citar que Rodgers também tem a sua parcela de culpa. Ele vem errando passes que não costuma com recebedores relativamente abertos e a estatística que diz que tem apenas uma interceptação em 2018 é mentirosa: só nessa partida, duas foram dropadas por defensores. Veja que há duas rotas mais profundas contra uma cobertura em Cover 4, uma delas consegue separação, outra não. O quarterback vai na que tem um marcador em cima e – não sabemos se por erro de precisão ou por erro do wide receiver – a bola vai diretamente nas mãos do marcador, que não consegue ficar com ela.

É possível que a demissão de Mike McCarthy traga melhoras a Green Bay pela mudança de ares e também por uma melhoria em algumas teimosias e no relacionamento com Aaron Rodgers, mas é enganoso pensar que toda a culpa do fracasso da equipe em 2018 está nas costas dele. O quarterback está, sim, abaixo do que pode jogar, mesmo ainda bem, e há um sem número de outros buracos no elenco que também prejudicam.

Ataque do Cardinals x defesa do Packers

O ataque do Arizona Cardinals não teve uma ótima exibição, mas foi muito mais balanceado que o do Packers e moveu a bola pelo chão de maneira excepcional. Suas campanhas dependeram de ganhos gigantescos para acontecer, e eles variaram entre méritos próprios e falhas da defesa mandante.

Josh Rosen teve mais uma vez um baixo índice de passes completados – apenas 11 de 26. Dois deles foram muito longos, um espetacular mostrando toda a capacidade que o jovem quarterback tem.

Em uma terceira para 23, com mínimas chances de conversão, Arizona mandou quatro rotas em direção à marca. Rosen foi pressionado, saiu do pocket e conseguiu ganhar tempo para estender a jogada. Poderia optar pela opção mais curta, um lançamento que não alcançaria a primeira descida, mas preferiu a ousadia de lançar em direção a Larry Fitzgerald. A bola foi perfeita, no chão, onde só o recebedor poderia pegá-la. Também temos que destacar o trabalho do veterano wide receiver.

O outro lançamento longo de Rosen foi bem mais tranquilo, para um recebedor livre. Christian Kirk, que não poderá mais colaborar em 2018, derrotou Jaire Alexander com muita tranquilidade em sua rota. O safety demorou para reconhecer a jogada e chegar e com isso, o enorme ganho já estava garantido.

O jovem quarterback também chegou a fazer um enorme estrago com as pernas. O lance a seguir teve a inteligência do jogador, mas também foi facilitado pelo design. Em uma primeira para 10, há três atletas fazendo rotas, todas muito profundas. Green Bay manda seis homens atrás do quarterback e como a marcação é homem a homem, quatro (os três responsáveis pelos recebedores e o safety) estão muito distantes da linha de scrimmage.

O sétimo homem é o responsável por marcar David Johnson e está do lado contrário da jogada quando Rosen começa a correr. Assim, além da capacidade para escapar do sack do quarterback e sua velocidade para ganhar mais de 30 jardas (coisa que não é uma grande característica dele), o fato de todas as rotas serem muito profundas dividiu a defesa em um mar vermelho, metade no backfield, metade a 40 jardas de distância, e permitiu essa imensidão verde à frente do atleta.

Arizona somou 6,3 jardas por carregada, números excelentes. Entrou na endzone duas vezes por via terrestre, ambas com o calouro Chase Edmonds. No lance abaixo, houve uma falha da defesa de Green Bay com dois jogadores fechando o mesmo gap.

Veja como Edmonds tem espaço nas trincheiras, mas os linebackers estão desbloqueados para fazerem o tackle. À direita, o camisa 39, Ibraheim Campbell, faz a sua parte e fecha aquele espaço, mas à esquerda, o camisa 44, Antonio Morrison, vai na mesma direção e deixa um corredor completamente livre ao seu lado. Clay Matthews, voltando do backfield, ainda tem a chance de fazer o tackle, mas não consegue. Faltou disciplina e leitura para a defesa de Green Bay nesse lance e sobrou paciência e inteligência para o running back.

Esse jogo mostrou duas equipes que não fazem um bom ano por não terem muito talento na maior parte dos setores do campo. Um deles tem Aaron Rodgers e deve voltar à boa forma em breve, provavelmente em 2019, enquanto o outro tem muito trabalho pela frente para se tornar realmente competitivo.

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