sexta-feira, 1 de novembro de 2019

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Bem-vindo (a) à Visão Aérea! Chegamos mais uma vez com a coluna que traz a análise tática e técnica do principal jogo da semana que se passou na NFL.

Para a Semana 8, o duelo escolhido foi o que aconteceu no domingo à tarde entre Houston Texans e Oakland Raiders. Os donos da casa venceram por 27 a 24, e o jogo foi inteiramente equilibrado e decidido apenas nos minutos finais.

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Esse equilíbrio apareceu em praticamente todas as categorias estatísticas, como total de jardas (388 a 378), turnovers (0 a 0) e tackles para perda de jardas (5 a 7). A grande diferença da partida provavelmente se deu devido às faltas, com a equipe de Oakland, como é tão tradicional em sua identidade, cometendo 11 para 100 jardas contra 7 para 50, apesar de algumas delas terem sido duvidosas.

Ainda vale a pena analisar essa partida por ela mostrar pontos fortes e fracos das duas equipes: ataques que vêm funcionando bem, defesas porosas. O placar deveria ter sido ainda maior dos dois lados, e não o foi por detalhes.

Vamos à análise de vídeo?

Ataque do Texans x defesa do Raiders

Ter um grande quarterback é meio caminho andado para o sucesso na NFL. E, nesse momento, não há dúvidas que DeShaun Watson se encaixa na descrição. Ele consegue criar jogadas improváveis o tempo todo, tanto com o braço, quanto com as pernas.

Watson corriqueiramente deixou a defesa do Raiders, que já é muito porosa, em maus lençóis na partida. Apesar da linha ofensiva de baixa qualidade, o quarterback do Texans não foi incomodado com frequência – justamente pelo pass rush também ser um dos maiores problemas do adversário.

Mas o que podemos notar no decorrer da partida é que a habilidade de Watson de fazer estrago também com as pernas causou pânico na defesa de Oakland. E, muitas vezes, esse pânico levou a atos de indisciplina que custaram caro.

No último período, o Raiders vencia a partida por 21 a 13. Perto da endzone, Watson encontrou o tight end Darren Fells para um touchdown. Mas o ponto a ser notado aqui é que, após o play action, o quarterback sai do pocket para o lado direito enquanto a secundária consegue segurar bem a marcação.

O resultado natural da jogada provavelmente seria um sack sobre o quarterback, que está pressionado pelo linebacker Tahir Whitehead. Porém, o erro mental de Lamarcus Joyner, que deixa o seu marcador para se juntar à pressão, possibilita o passe para touchdown. É um problema sério e que não deveria acontecer em uma defesa bem treinada.

Mas e se eu te disser que o mesmo erro voltou a acontecer, e no momento mais crucial da partida?

Aqui, o Houston Texans já vence por 27 a 24 e precisa de um firstdown para não devolver mais a bola para Oakland. E a história se repete exatamente da mesma forma: Watson não tem para onde ir e, ao que tudo indica, sairá de campo para ganho nenhum ou será sackado por Maxx Crosby. Porém, o safety Karl Joseph deixa o seu homem, mais uma vez Darren Fells, para ir atrás do quarterback. Com isso, está aberto o caminho para o passe que define o resultado final da partida:

Todo esse desespero para ir atrás de Watson causa falhas sérias de cobertura, mas é metade causada por uma defesa indisciplinada e mal treinada, metade causada pelo enorme talento do quarterback, capaz de produzir jogadas mágicas. E o touchdown que virou o placar nessa partida foi uma delas.

Aqui, a porosa linha ofensiva de Houston dá as caras, e rapidamente os defensores estão sobre o quarterback. Note como os dois defensive ends, Arden Key e Maxx Crosby, vencem suas batalhas contra os tackles de Houston. Porém, Watson consegue escapar do sack de Key, que já tinha nele os dois braços, e mesmo com Crosby pendurado em suas pernas (e sem um olho, que fora acertado pelo camisa 99), acerta um passe em janela mínima mais uma vez para Fells, que estava marcado até que de forma competente por Whitehead.

Sempre é possível vencer na NFL quando se tem um quarterback com o talento de Watson. A preocupação para o ataque de Houston é a forma que sua linha ofensiva se porta contra defesas mais capazes de fazer pressão, já que até mesmo Oakland somou três sacks e diversos hits. Mas a mágica pode acontecer a qualquer momento.

Do outro lado, a defesa de Oakland, ao menos em 2019, continuará sofrendo muito. O time tem munição no draft e espaço salarial para torná-la melhor em 2020, uma vez que algumas boas peças já estão colocadas – principalmente o calouro Maxx Crosby, que impressiona mais a cada semana.

Ataque do Raiders x defesa do Texans

Uma das histórias subestimadas dessa temporada da NFL é a reconstrução do ataque do Oakland Raiders. Mesmo com o fiasco da novela Antonio Brown e uma tabela extremamente complicada (nenhum jogo em seu estádio desde a segunda semana, duelos em ambientes hostis e contra ótimas defesas), a unidade vem movendo a bola de forma consistente.

Isso se deve a vários fatores: primeiro, o ótimo trabalho de Jon Gruden para desenhar jogadas, segundo, a linha ofensiva, que é uma das melhores da NFL, terceiro, a adição de Josh Jacobs, forte candidato a calouro ofensivo do ano e, por fim, a evolução de Derek Carr, que faz talvez o melhor ano de sua carreira, como nos mostra esse artigo do Football Outsiders.

Duas dessas características podem ser vistas na jogada abaixo: a linha ofensiva consegue todos os bloqueios fundamentais, dando espaço para que jacobs dobre a esquina e corra por fora do edge, à direita. E, por fim, a qualidade do running back, que quebra tackles e aumenta o ganho. O lance toma 23 jardas totais e é uma demonstração do trabalho de qualidade que todos têm feito para mover a bola:

A defesa do Houston Texans tem problemas em sua secundária e não consegue defender wide receivers bem. Não é uma unidade tão problemática como a de Oakland, principalmente por fazer um bom trabalho contra tight ends – Darren Waller, um pesadelo para a maior parte das unidades defensivas, foi praticamente anulado nesse confronto – mas ainda assim, está longe de ser especial.

O lance a seguir é uma ótima demonstração: Houston envia uma blitz e usa cobertura homem a homem, com um safety em profundidade. A linha ofensiva, porém, consegue dar o tempo necessário para que Carr espere algo acontecer na secundária. E Tyrell Williams consegue ficar consideravelmente aberto em relação ao seu marcador, Gareon Conley. O quarterback o acerta para um touchdown de 46 jardas:

Mas no momento decisivo, a ausência de um real wide receiver número 1 custou caro para Oakland. Precisando empatar ou virar a partida, o time buscou explorar mais uma vez o mismatch de Williams com Conley. Mas o camisa 16 dropou dois passes em sequência, impedindo a reação.

No lance abaixo, Carr busca exatamente Williams contra Conley. O passe é perfeito, não dando chances de defesa e acertando as duas mãos do recebedor, que provavelmente teria algum espaço para correr. Essa é a situação na qual um verdadeiro playmaker aparece, e ele fez falta para o Raiders:

Com a sintonia entre Gruden e Carr crescendo, a tendência é que o ataque do Raiders também cresça cada vez mais durante a temporada. Por outro lado, a defesa do Texans precisa que alguns de seus principais defensores voltem de lesão – e a perda definitiva de JJ Watt pode cobrar seu preço no futuro.

No momento, a impressão é de que a defesa de Houston não tem o que é necessário para levar a equipe ao Super Bowl, enquanto a defesa de Oakland não tem o que é necessário para levar a equipe aos playoffs.

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