sexta-feira, 13 de setembro de 2019

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A temporada regular da NFL está de volta e, com ela, a Visão Aérea! Nessa coluna, escolhemos uma partida de destaque de cada rodada para discutir o que aconteceu dentro de campo. Com o apoio das estatísticas e do filme dos técnicos disponibilizado pelo Game Pass, a ideia é passar um panorama além do que nossos olhos conseguem ver durante a transmissão televisiva.

Não há a menor dúvida que a melhor partida da semana 1 da NFL em 2019 foi a disputada entre New Orleans Saints e Houston Texans no primeiro horário do Monday Night Football. Com muita emoção e duas viradas dentro dos minutos finais, os donos da casa fizeram valer o mando de campo e levaram a melhor por 30 a 28. Um início muito promissor para a jovem temporada!

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Analisando a partida, nossa conclusão é que a grande diferença foi a performance defensiva. Se Drew Brees e DeShaun Watson comandaram seus ataques com muita qualidade e contaram também com bom apoio do jogo terrestre, não se pode dizer o mesmo do lado defensivo. O Saints pressionou o quarterback adversário incansavelmente, coisa que o Texans não conseguiu replicar.

Conseguimos notar algumas tendências que devem se repetir durante a temporada. Vamos nos aprofundar?

Ataque do Saints x defesa do Texans

O coordenador defensivo do Houston Texans, Romeo Crennel, teve algumas escolhas bastante peculiares no plano de jogo para enfrentar o New Orleans Saints. Após ter perdido Jadeveon Clowney, a equipe texana ficou apenas com JJ Watt como pass rusher de destaque, e ele foi neutralizado com muito sucesso pela linha ofensiva – para que se tenha uma ideia, foi a primeira vez na carreira do grande defensor que ele não registrou nenhuma estatística. Isso mesmo, o nome do camisa 99 nem sequer aparece no box score.

Muito disso está ligado à abordagem conservadora ao extremo que Crennel teve na maior parte do jogo. Em 16 das 44 vezes que Drew Brees fez um passe, ou seja, em mais de um terço das vezes, houve apenas uma 3-men rush (três jogadores pressionando o quarterback). Raramente essa tática consegue incomodar o signal caller, ainda mais um tão bom e experiente como o do Saints.

Outra coisa que notamos é a distância que os defensive backs de Houston usaram na maior parte dos snaps. Era comum ver um enorme espaço de entre sete a dez jardas. Somada à falta de pressão no quarterback, essa é uma formula que facilita muito o trabalho do ataque.

Não à toa, Brees completou 32 dos 43 passes que tentou (sofreu um sack) e o New Orleans Saints conseguiu a excelente marca de 7,8 jardas por jogada ofensiva.

Vamos ver isso funcionando na prática? A primeira jogada que selecionamos é uma situação de terceira para 3 jardas ainda no primeiro quarto. O Saints usa uma formação com quatro wide receivers e um running back e o Texans deixa seus cornerbacks em uma distância considerável da linha de scrimmage. Além disso, apenas três homens tentam pressionar o quarterback. Drew Brees completa o passe com Michael Thomas, mas repare que ele tinha outras três opções livres, em boas condições para conquistar a primeira descida:

Não há sentido em jogar com cornerbacks tão afastados em uma terceira descida curta. Existe muito tempo espaço para que os recebedores corram rotas curtas e cheguem a tempo para mover as correntes, e foi exatamente o que aconteceu aqui.

Essa estratégia pode ter mais sucesso em situações de campo curto, próximas à endzone. E foi assim que o Texans forçou o maior erro de Brees na partida, com a interceptação de Whitney Mercilus.

Veja como o fato de apenas três homens pressionarem o quarterback gera um congestionamento na endzone, já que não existe muito espaço para que os recebedores possam se deslocar. A primeira opção de passe de Brees não está totalmente livre e ele precisa segurar a bola e esperar pelo desenvolvimento das rotas.

Quando Latavius Murray escapa, Brees ainda não está sendo incomodado pelo pass rush e tem tempo para fazer o lançamento. Porém, o faz de forma displicente, permitindo que Mercilus consiga a interceptação. A estratégia do Texans ainda não era a melhor aqui, mas já fazia mais sentido do que na metade do campo em uma terceira descida curta.

Inexplicável de verdade, porém, foi o que Crennel chamou no lance decisivo da partida. A seis segundos do fim e com um timeout para pedir, o Saints estava na linha de 49 jardas do campo de ataque e precisava de uma jogada rápida para ter a chance de chutar o field goal.

As melhores chances do Texans aqui eram ou pressionar Brees e conseguir um sack ou forçar um erro, ou congestionar a parte mais curta do campo, obrigando um lançamento mais longo que provavelmente tomaria todo o tempo restante no relógio. Mas a ideia foi exatamente o avesso.

A defesa alinhou com três defensive backs em profundidade e enviou apenas dois homens atrás do quarterback. Os dois wide receiver do Saints que se alinharam do lado direito foram marcados à distância, com uma média de sete jardas de separação. Era exatamente o que o time da casa precisava: um passe rápido cedido pela defesa, para um ganho de nove jardas e a possibilidade da tentativa de field goal para Wil Lutz:

É possível que a defesa do Houston Texans tenha problemas constantes na temporada de 2019, principalmente se essa abordagem de Romeo Crennel continuar acontecendo. Sem Jadeveon Clowney, fica mais difícil pressionar os quarterbacks adversários. Ceder com frequência os espaços necessários para as conversões adversárias é uma fórmula mortal.

Ataque do Texans x defesa do Saints

DeShaun Watson foi sackado à exaustão em 2018. Por isso, o Houston Texans comprometeu o seu futuro enviando duas escolhas de primeira rodada para o Miami Dolphins por Laremy Tunsil. Aparentemente, não era o bastante: o left tackle foi bem na partida, mas o resto da linha ofensiva continuou uma calamidade.

O quarterback do Texans sofreu seis sacks e onze hits contra o New Orleans Saints. Acabamos de ver como acabou a carreira de Andrew Luck, que nunca teve proteção adequada em Indianapolis. Talvez a lição deveria ser aprendida por um rival de divisão.

Dos seis sacks de Watson, três foram com blitz, dois foram com os tradicionais quatro pass rushers, e um, muito pior, foi em uma 3-men rush, que como mencionamos acima tem poucas chances de sucesso.

O principal responsável por esse sack na 3-men rush é o right tackle do Houston Texans, Seantrel Henderson. Ao ser batido por Cameron Jordan, ele obriga Watson a se movimentar no pocket. Sem ter para quem passar a bola, nem como correr, já que Marcus Davenport ficou fazendo o papel de “spy”, o quarterback acaba indo diretamente em direção a Trey Hendrickson, que o derruba. Há até mesmo um holding na jogada, que acaba não sendo necessário pelo resultado.

Muito do possível sucesso do Houston Texans em 2019 passa pela qualidade de DeShaun Watson. Ele tem impressionado cada vez mais e fez uma excelente apresentação diante do New Orleans Saints. A campanha final, na qual o ataque percorreu 75 jardas em duas jogadas, foi a sua principal marca.

No touchdown lançado para Kenny Stills, vemos a agressividade muito maior da defesa do Saints, que envia uma blitz. Aqui, faz sentido os defensive backs jogarem mais afastados, já que eles querem ceder passes curtos para Houston. Mas o que acontece é o contrário.

A blitz desfalca a secundária e a deixa com apenas um safety em profundidade e quatro cornerbacks marcando os quatro wide receivers. A grande chave da jogada é o olhar de DeShaun Watson, fixo na esquerda, manipulando o safety para esse lado. Assim, as rotas na direita, que vão em direção à endzone, têm mais chances de sucesso. Quando Kenny Stills consegue um excelente corte para ficar livre, o grande passe de Watson chega a ele para virar o jogo.

É uma jogada que realmente mostra a qualidade de um jovem quarterback.

Por fim, vamos falar sobre Carlos Hyde. O running back vem tendo uma carreira problemática na NFL e foi cortado pelos últimos times nos quais teve oportunidades. Porém, as chances de sucesso no Houston Texans são grandes.

Bill O’Brien gosta de corredores mais físicos e capazes de atacar o A-gap (espaço entre o center e os guards). Lamar Miller, por exemplo, é um jogador mais de velocidade e de cortes, e por isso não se enquadra tanto nesse estilo.

Mas com Hyde, O’Brien pode ter encontrado o seu running back. Ele conseguiu boas corridas pelos A-gaps na partida, e soube também reconhecer quando deveria mudar de direção.

O lance abaixo era uma corrida desenhada pelo A-gap, mas Hyde percebe que havia um linebacker desbloqueado ali e que seria tackleado imediatamente. Assim, ele consegue mudar de direção, encontrar um espaço vazio no edge e ainda ganhar cinco jardas. É um indicativo de boa visão e motor para um running back:

Conclusão

No momento, o New Orleans Saints parece um time mais pronto e mais completo para o Houston Texans. Isso não é um bom sinal para a equipe texana, já que ela comprometeu seu futuro para tentar vencer agora.

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